Pais reclamam nas redes da falta de aulas presenciais em Matinhos; Prefeitura afirma que retorno está em discussão

Com a volta das aulas presenciais por todo o Paraná e outras cidades do litoral, pais e responsáveis por estudantes de Matinhos reclamaram nas redes sociais da falta de ações da prefeitura para levar os alunos de volta às escolas do município. Moradores da cidade se pronunciaram em grupos no Facebook cobrando explicações dos gestores e até cogitaram a organização de uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores.
A publicação sugerindo o protesto para a volta às atividades normais nos ambientes escolares teve forte engajamento e causou discussão entre os matinhenses contrários e favoráveis à questão. Uma internauta ponderou que ainda não é a hora ideal para o retorno. “Sou a favor [das aulas presenciais], porém com todos os profissionais de educação vacinados, o que não ocorre neste momento. Portanto, neste momento estou contra”, escreveu. Outro demonstrou não haver como deixar todas as opiniões contentes. “É difícil agradar a todos. Se o prefeito autorizar o retorno das aulas e acontecer o pior, ele vai ser condenado por muitos. Se não autorizar, será condenado da mesma forma. Mas, imagino que existe uma equipe técnica e competente para decidir qual a melhor opção para o momento”, argumentou. A mensagem foi rebatida por pessoas que querem o retorno imediato. “Os pais é que têm que autorizar. Ele [o prefeito] tem que preparar o protocolo nem que vá um aluno. É dever”, respondeu. Uma outra membra do grupo foi sucinta: “Volta às aulas, já!”, comentou.
Atrito entre matinhenses
Antes da publicação, sobre a manifestação em frente à Casa Legislativa, levar moradores do município a se posicionar contra ou a favor do retorno das aulas presenciais, um outro post, citando nominalmente o prefeito José Carlos do Espírito Santo, o Zé da Ecler (PODEMOS),foi responsável por causar polêmica entre os munícipes. “Nós, de Matinhos, precisamos saber quando o prefeito Zé da Ecler vai autorizar a volta às aulas. O nosso município é o único em todo o litoral que não está fazendo a volta às salas de aula. Nossas crianças precisam, as famílias precisam. Educação já em Matinhos”.
A publicação gerou uma série de comentários exaltados e reações críticas e favoráveis à atual gestão. Uma internauta, em tom mais ameno às discussões, lembrou da importância de se dar valor aos profissionais de educação. “Imagina o que os professores passam nas escolas, se nem os pais aguentam os filhos. Agora é a hora de valorizar os professores com salário digno e respeito”, analisou.
As duas publicações seguem recebendo afirmações daqueles que preferem o ensino a distância e dos favoráveis ao sistema tradicional.
Prefeitura ainda discute o retorno presencial
Após a forte repercussão no ambiente digital, o JB Litoral procurou a Prefeitura de Matinhos para questionar se haverá a retomada das atividades ou se o sistema permanecerá remoto. O Departamento de Comunicação do município respondeu, em nota, que o retorno às aulas in loco continua em debate entre os gestores. “Está em discussão o retorno das aulas presenciais em nossa cidade nas próximas semanas”, afirma o comunicado que também ressalta que haverá uma reunião na terça-feira (10) sobre o tema. “A respeito do assunto, está marcada para o dia 10 deste mês uma reunião do Comitê Municipal de Retorno às Aulas. O tema abordado é a possibilidade de retorno às aulas no sistema híbrido. Estarão presentes na reunião representantes do poder público e da sociedade civil que integram o comitê formado para discutir a volta às aulas em nossa cidade”, diz a nota.
O sistema híbrido é aquele em que parte dos estudantes acompanham as atividades de casa e outros vão aos colégios. O encontro, além de analisar a possibilidade de ensino parcialmente presencial, deve decidir se haverá alternância entre grupos de estudantes no novo modelo e qual será o limite de alunos por sala.
Segundo a prefeitura, participam do Comitê Municipal de Retorno às Aulas representantes das Secretarias Municipais de Educação, Saúde, Assistência Social e Administração, além da Procuradoria Municipal, do Conselho Municipal de Educação, da APP Sindicato, das escolas municipais, APAE e também da Câmara de Vereadores.
Por Brayan Valêncio
