Paranaguá: com paredes de pé, mas toda a estrutura interna destruída, as causas do incêndio no Instituto de Educação são investigadas
O incêndio que atingiu o Instituto Estadual de Educação Doutor Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá, no sábado (4), mobilizou uma operação de grande porte com 81 pessoas diretamente envolvidas, das quais 36 bombeiros militares, 45 brigadistas e equipes de diferentes órgãos públicos. O incidente também acionou o núcleo político do Governo Estadual e da Assembleia Legislativa.

O fogo começou por volta do meio-dia e atingiu o prédio que é um dos mais simbólicos da educação paranaense. O Instituto foi inaugurado em 1927 e é tombado como patrimônio histórico desde 1991. Apesar da gravidade, não houve registro de feridos.
A estrutura atende 1.635 alunos, distribuídos em 53 turmas, além de cerca de 300 profissionais. Com o incêndio, o impacto foi imediato: aulas suspensas e necessidade de reorganização emergencial da rede.
Operação de combate e rescaldo
O combate às chamas mobilizou sete viaturas do Corpo de Bombeiros e teve o reforço de veículos de brigadas da Portos do Paraná e empresas da região. A Prefeitura também enviou caminhões-pipa para reforçar o abastecimento de água, completando os cinco veículos que prestaram apoio.
Mesmo após o controle do fogo, o trabalho seguiu com o rescaldo, uma etapa essencial para evitar reignição, trabalho que seguiu até às 20h do sábado, por parte do Corpo de Bombeiros, mesmo após a desmobilização do apoio das empresas portuárias, que ocorreu às 16h, segundo a Corporação.
O diretor de planejamento da Defesa Civil, Aparecido Galdino Alves, explicou, em entrevista ao JB Litoral, que a operação não terminou com o fim das chamas. “Quando o incêndio se extingue visualmente, ainda há queima interna. Por isso é feito o resfriamento da área para garantir que o fogo não retorne”, afirmou.
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Segundo ele, a Defesa Civil também atuou na retaguarda, garantindo a segurança do entorno, que inclui empresas, outra unidade de ensino e circulação de pessoas.
Neste domingo (5), a Páscoa para equipes do Corpo de Bombeiros foi atuando no combate aos focos de incêndio que voltaram a atingir o Instituto, mas com pouca intensidade, conforme explicou o tenente-coronel Douglas Konflanz.
“Têm alguns pontos que estão surgindo porque houve muito material combustível queimado, desde a estrutura da edificação como telhado, portas, janelas, assoalho, escadas, tudo em madeira, até partes do subsolo, também com bastante material combustível. Eram livros, cadernos, resmas de papéis, então, tudo isso contribuiu para o alastramento das chamas e a dificuldade de se combater esse incêndio que, agora, queima em profundidade, fazendo com que as equipes façam o combate de ponto a ponto até fazer a extinção por completo”, detalhou o oficial do Corpo de Bombeiros que esteve à frente da operação durante todo o fim de semana.
Riscos estruturais
Ainda de acordo com o tenente-coronel, há áreas em que os bombeiros não conseguiram chegar, devido aos possíveis riscos da edificação, que estão sendo avaliados, e pontos em que os acessos são mais restritos, uma vez que as escadas não existem mais.
“Temos a presença de um engenheiro durante toda a ocorrência. Ele está aqui avaliando a estrutura para certificar a possibilidade de as equipes fazerem a entrada com segurança na edificação, evitar qualquer tipo de risco de colapso estrutural ou alguma coisa nesse sentido. No segundo piso, a escada era de madeira, então não temos acesso nem ao primeiro, nem ao segundo pavimentos porque tanto o primeiro quanto o segundo pavimento deixaram de existir, em virtude da ausência até do piso, que também era total em madeira”, detalhou Douglas Konflanz.
Governo entra em campo e aciona força-tarefa
Diante da proporção do incêndio, o governador Ratinho Junior (PSD) encabeçou a gestão da crise ainda nos primeiros minutos.
“É com grande tristeza que recebi a notícia de um incêndio no Instituto de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá. Determinei ao nosso Corpo de Bombeiros Militar todo o esforço possível para o combate às chamas”, afirmou.
Na sequência, o governador ampliou a resposta, acionando a área educacional. “Também determinei uma força-tarefa da Secretaria da Educação para avaliar a dimensão dos danos para que possamos investir o que for necessário, fazendo com que este grande símbolo da educação paranaense volte a atender os nossos alunos o mais rápido possível“, completou.
Engenharia do Estado já projeta reconstrução
Equipes da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) foram deslocadas ainda durante a ocorrência. O diretor técnico de engenharia do órgão, Marcello de Albuquerque, detalhou a mobilização.
“Nos primeiros minutos, já recebi a ligação do governador, do secretário e da presidência do Fundepar. Nós viemos aqui para auxiliar toda a comunidade”, afirmou.
Ele indicou que o Estado trabalha com um caminho técnico definido. “A gente entra com a parte de reconstrução. Vamos contratar os projetos de restauro e depois executar a obra para devolver esse prédio histórico para Paranaguá“.
Albuquerque também revelou que o prédio estava em processo de planejamento de restauro antes do incêndio. “Nós já vínhamos trabalhando com os projetos. Agora é dar continuidade e aplicar ainda mais força”, disse.
Defesa Civil assume próxima fase: laudo e estrutura
Com o controle das chamas, a operação entra agora em uma nova etapa, mais técnica. O engenheiro da Defesa Civil, Giovanni Stephanie, explicou que a entrada no prédio depende da liberação total da área.
“Agora que o nosso trabalho vai começar. Após a liberação do Corpo de Bombeiros, vamos confeccionar um laudo de segurança e um laudo estrutural do que sobrou”, afirmou.
Segundo ele, só após essa análise será possível definir com precisão os danos e orientar o processo de recuperação.
Educação corre para evitar prejuízo a alunos
Enquanto a engenharia prepara o diagnóstico, a Secretaria de Educação atua em outra frente: manter o calendário escolar.
O secretário Roni Miranda afirmou que a prioridade é garantir a continuidade imediata. “Vamos colocar todas as forças do Governo do Estado para fazer o mais breve possível a restauração do prédio e também a realocação dos estudantes, que é nossa prioridade, para que não tenham nenhum prejuízo pedagógico”, disse.
Em outra frente, o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, Paulo Penteado, articula soluções locais. “Estamos em contato com outras escolas e espaços da região para fazer a realocação o mais breve possível”, afirmou.
Ele também destacou o peso simbólico do incêndio. “Não é só um prédio. É uma história. Esse instituto tem ligação com toda a memória de Paranaguá e da educação do Paraná“, lamentou.
Investigação
As causas do incêndio ainda são desconhecidas e serão investigadas pela Polícia Científica e pela Polícia Civil do Paraná. Em nota divulgada neste domingo (5), a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), informou que só a partir do fim do rescaldo é iniciado o processo de perícia para a investigação das causas do incêndio.
“A Polícia Científica do Paraná (PCI) montou uma equipe de especialistas e estará nos próximos dias realizando a perícia e fazendo a coleta de vestígios no local. Simultaneamente, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) já iniciou as investigações nas imediações com a coleta de informações e de imagens de câmeras de segurança, aguardando também a conclusão do processo de perícia”, disse a pasta.
