Pesquisadores resgatam filhote de toninha na Ilha do Mel
Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) atenderam um filhote de toninha (Pontoporia blainvillei), espécie criticamente ameaçada de extinção, na Ilha do Mel. O animal, uma fêmea recém-nascida de 61 centímetros de comprimento total e 2,85 kg, foi resgatado com vida após ser encontrado por um turista e por um policial militar. Eles acionaram a equipe executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/LEC-UFPR) no Paraná.

A equipe realizou os primeiros procedimentos de suporte e avaliação clínica. Em seguida, a toninha foi transportada para o Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), estrutura coordenada pelo LEC-UFPR e localizada no Centro de Estudos do Mar da UFPR, no balneário de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.
De acordo com o médico-veterinário e responsável técnico do PMP-BS/LEC-UFPR, Fábio Henrique de Lima, o animal apresentava sinais de fraqueza e instabilidade, comuns em filhotes recém-nascidos.

“Trata-se de um caso extremamente delicado, pois filhotes dessa idade demandam atenção constante e condições específicas para se manterem estáveis. Contamos com o apoio de uma rede internacional de especialistas, que compartilha protocolos e experiências sobre o atendimento de toninhas, o que tem sido essencial para conduzir o tratamento da melhor forma possível”, explicou o veterinário.
No Centro, a toninha permanece em processo de estabilização, recebendo cuidados intensivos e monitoramento contínuo pela equipe multidisciplinar. A equipe acompanha parâmetros clínicos, comportamento e resposta aos estímulos, com o objetivo de garantir as melhores chances de recuperação do animal.
“Criticamente ameaçada”
A toninha é um pequeno cetáceo costeiro e é considerada a espécie de golfinho mais ameaçada de extinção da América do Sul. No Brasil, encontra-se na categoria “criticamente ameaçada”, segundo a Portaria MMA Nº 148, de 7 de junho de 2022, de espécies ameaçadas no Brasil e classificada como “em perigo” na Lista de Espécies da Fauna Ameaçada no Paraná.
Os indivíduos da espécie habitam águas rasas entre o Espírito Santo e a Argentina, e os filhotes nascem com menos de 80 centímetros de comprimento, dependendo das áreas costeiras para alimentação e abrigo.

Resgate representa um alerta
A bióloga e coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, Camila Domit, reforça que cada ocorrência representa um alerta sobre a conservação da espécie.
“A sobrevivência da toninha depende de ações coordenadas entre pesquisa, fiscalização e políticas públicas. O ordenamento da pesca e o controle das atividades humanas no ambiente costeiro são fundamentais para garantir a segurança dos indivíduos e a manutenção das populações. Cada resgate é uma oportunidade de ampliar o conhecimento e de reafirmar nosso compromisso com a conservação marinha”, destaca Camila.
Segundo pesquisadores, o registro reforça a importância da cooperação entre instituições e destaca a necessidade de engajamento de toda a sociedade para garantir a proteção dos ecossistemas costeiros e a saúde e bem estar da biodiversidade.
