Autoridades francesas interceptam 630 kg de cocaína após navio cargueiro sair de Paranaguá


Por Diogo Monteiro com informações da AFP — Rennes, França Publicado 12/04/2025 às 13h32

Nesta semana cinco pessoas foram presas após uma operação internacional que desmantelou uma nova estratégia de tráfico de drogas. Um navio cargueiro de bandeira liberiana, que havia deixado o Porto de Paranaguá com destino a Dunquerque, no norte da França, lançou ao mar 630 kg de cocaína, posteriormente recolhidos por pescadores na costa europeia.

Segundo o Ministério Público de Rennes, na França, o navio Omicron Eagle partiu de Paranaguá com destino ao porto francês. Quando a embarcação se aproximava da costa europeia, autoridades interceptaram conversas telefônicas suspeitas entre os tripulantes e traficantes, nas quais combinavam o lançamento das bolsas com a droga no mar e articulavam a recuperação do material com marinheiros e pescadores da cidade de Ouistreham.

A bordo de uma pequena embarcação, os pescadores resgataram a carga a várias milhas náuticas a oeste do canal entre Guernsey e Jersey, enquanto o navio seguia sua rota para o porto de destino.

A operação teve início na sexta-feira (4), quando os mesmos pescadores descarregaram a droga em embarcações menores, agilizando a distribuição. As investigações avançaram e culminaram na prisão de cinco pessoas, entre traficantes e pescadores envolvidos na receptação.

Ao todo, foram apreendidos 630 kg de pasta base de cocaína, o que representa um prejuízo estimado em 37 milhões de euros — cerca de R$ 238 milhões. “Os traficantes não conhecem o ambiente marinho, e nem todos são capazes de ir ao mar, nas Ilhas do Canal, para se aproximar de um navio cargueiro em movimento e recuperar pacotes de cocaína jogados na água”, afirmou o promotor de Rennes, Frédéric Teillet.

Mudança de Estratégia dos Traficantes

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Para enviar os entorpecentes para o exterior, os traficantes utilizam diversos modos de operação, usando contêineres de cargas lícitas, como alimentos e madeira, para ocultar drogas destinadas à Europa. No entanto, com o aumento da fiscalização e a eficácia de inspeções com scanners no Porto de Paranaguá, os criminosos precisam buscar métodos alternativos para o envio de entorpecentes.

Em 2025, até março, a Receita Federal já reteve 263 kg de cocaína no Porto de Paranaguá, incluindo uma apreensão de 146,5 kg em um contêiner com bobinas de papel e celulose destinadas à Arábia Saudita. A droga foi inserida sem o conhecimento do exportador, utilizando o método conhecido como “rip-on/rip-off” .

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