Buscas são retomadas e companheiro de diarista desaparecida há mais de dois meses é preso, em Pontal do Paraná
A agonia de amigos e familiares da diarista Sandra Mara da Silva Camargo, 49 anos, já dura mais de dois meses. Ela foi vista pela última vez em 13 de dezembro do ano passado, quando saiu de uma panificadora em Matinhos, onde fazia diárias três vezes por semana, segundo a família. Depois disso, amigos e parentes dela vivem a angústia de não saber o que aconteceu com Sandra, que desapareceu.
O que se sabe é que ela voltou para a casa onde morava com o companheiro, perto de uma área de matagal, nas proximidades da PR-407, em Pontal do Paraná, pois as roupas com que Sandra foi vista saindo da panificadora, na cidade vizinha, foram encontradas na residência.

PRISÃO E SINAIS
Nessa quarta-feira (19), as investigações podem ter avançado, uma vez que o namorado de Sandra foi preso. De acordo com a filha mais nova da diarista, Any Karoline Camargo, a mãe conheceu Aleandro Lourenço de Barros em 2021, quando ambas moravam em Santa Tereza do Oeste (PR).
“Ele já frequentava a casa dela quando eu ainda morava com a minha mãe. Em dezembro de 2023, ela foi embora com ele para Florianópolis. Depois de uns dois meses ele foi para Pontal e construiu aquela casinha onde eles moravam desde março do ano passado”, disse em conversa com o JB Litoral.
Any também revelou que, por cerca de quatro vezes, em conversa com a mãe, ela estava machucada.
“Às vezes ela parecia bem machucada, mas falava que tinha caído de bicicleta. Um dia ela disse que perdeu três dentes da frente e colocou uma nova prótese porque tinha quebrado esses dentes”, contou.
Ao saber da prisão do companheiro de Sandra, a jovem, que tem apenas 19 anos e é a filha mais nova dos três que a diarista tem, afirmou que só espera saber o que aconteceu com a mãe.
“Já vai fazer 70 dias que não temos notícia, que não sabemos onde está a minha mãe. O principal suspeito foi preso e as expectativas aumentaram com a prisão dele. Quem sabe assim tem um desfecho total para essa história? É isso que esperamos das autoridades. Eu sei que eles estão trabalhando o máximo que podem, o mais rápido possível para localizar a minha mãe. E é isso que precisamos: localizá-la. Entender o porquê disso, o que realmente aconteceu. Se tem algum motivo específico. A dor e o sofrimento vão continuar, mas a justiça será feita”, desabafou.
CONTRADIÇÕES E RETOMADA DAS BUSCAS
A filha de Sandra, que segue morando no Oeste do Estado, na cidade de Cascavel, também detalhou ao JB Litoral que o companheiro da mãe caiu em contradições tanto na versão apresentada à família quanto nos depoimentos prestados à polícia.
“Quando a gente descobriu o desaparecimento era domingo, dia 15 de dezembro. Primeiro ele falou que tinha visto minha mãe, por último, na sexta [13/12/2024]. Depois, que não a via desde quinta. Já o primeiro delegado que começou a investigar o caso, contou para nós que ele disse no depoimento que tinha ouvido passos na madrugada de sexta para sábado dentro da casa, supondo que era a minha mãe. Mas ele já tinha dado duas versões diferentes, dizendo que viu por último na sexta e depois que viu na quinta de manhã e nunca mais viu”, pontuou Any Karoline.
Any disse, ainda, que outra informação chamou a atenção da família.
“O primeiro delegado também me disse que no depoimento Aleandro contou que naquela sexta-feira, dia 13 de dezembro, estava em um córrego atrás do terreno onde fica a casa deles, ali dentro da mata, pescando”, completou.
Nesta quinta-feira (20), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) retomou as buscas justamente nessa área próxima da casa onde Sandra Mara vivia há quase um ano. A corporação se manifestou por meio de nota.
“A PCPR investiga o desaparecimento de uma mulher, em Pontal do Paraná, ocorrido no dia 13 de dezembro. Um suspeito foi preso e as diligências estão sendo tomadas para localizá-la. Mais detalhes serão repassados conforme o andamento da investigação”, disse.
A PCPR também solicitou a colaboração da população com informações que auxiliem na localização da diarista.
“As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 197 da PCPR, 181 do Disque-Denúncia ou diretamente à equipe de investigação”, finalizou o documento. Além dos três filhos, Sandra Mara tem três netos e faz aniversário em 23 de março. Para pagar as contas, ela também alugava bola inflável utilizada por crianças para entra no mar, no Balneário Praia de Leste.
