Com obra de reforma da UBS Mangue Seco, em Matinhos, abandonada, moradores relatam dificuldades de acesso aos serviços de saúde


Por Luiza Rampelotti Publicado 18/05/2022 às 18h50 Atualizado 17/02/2024 às 08h48

Em novembro de 2019, quando a empresa Foco Construções venceu a licitação nº 3/2019 para reformar e ampliar a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Mangue Seco, em Matinhos, a comunidade da região ficou em festa. Para muitos deles, a ampliação do local era um sonho.

Para executar a obra, que deveria ser concluída em 180 dias, a empresa receberia pouco mais de R$ 156 mil. No entanto, até hoje, mais de dois anos e meio depois, a construção não foi finalizada e, o pior, está abandonada.

Para não ficar sem oferecer os serviços de saúde à população durante a realização da reforma, o então prefeito da época, Ruy Hauer Reichert (PR), transferiu os atendimentos para a UBS do Sertãozinho. No entanto, os moradores reclamaram da distância do local.

Por isso, em junho do ano passado, a atual administração municipal, chefiada pelo prefeito José Carlos do Espírito Santo (Podemos), o Zé da Ecler, passou a unidade de saúde para um imóvel locado no Cohapar, que atenderia provisoriamente. O que eles não imaginavam é que o provisório seria tão demorado.

Moro nesse lugar há mais de 26 anos e o posto sempre foi aqui. Para nós era muito bom, porque era pertinho, e agora faz falta, pois temos que ir lá na frente. O posto era pequeno, eles queriam aumentar, mas agora não funciona porque está abandonado”, diz a moradora do Mangue Seco, Olete de Araújo, de 85 anos.

Vila Progresso está sendo prejudicada


A UBS do Mangue Seco atendia aos moradores dos bairros Rio da Onça, parte do Bom Retiro, Vila Progresso, Cohapar e, claro, Mangue Seco. A Vila Progresso é uma das comunidades que mais se sente prejudicada com o abandono da reforma e a falta do posto no local.

Nahana Rocha é presidente da Associação de Moradores da Vila Progresso e garante que a UBS está fazendo muita falta. “Para uma grávida, por exemplo, sair de casa e ir até o Cohapar é muito longe. Para quem tem criança, que precisa sempre estar levando em consulta e, para os idosos, também faz falta”, diz.

Ela diz que o posto está desativado por conta da obra que nunca termina. Com isso, as gestantes da comunidade, que necessitam realizar o acompanhamento Pré-natal ou a vacinação de suas crianças, por exemplo, estão sofrendo. “Os idosos também sofrem, pois geralmente chegam no posto provisório no Cohapar e têm que marcar a consulta para o outro dia, então fica ainda mais difícil. Por isso, muita gente prefere ir direto ao UPA, porque pelo menos sabem que vão ser atendidos”, comenta.

A presidente da Associação dos Moradores da Vila Progresso, onde residem cerca de 250 famílias, conta que a reforma da UBS Mangue Seco era um sonho da população. “A gente sonhou com esse posto, e faz anos que a construção está abandonada. Nós queremos nosso posto novamente”, pede. Ela também falou sobre o assunto na sessão da Câmara de Vereadores de segunda-feira (9).

A presidente da Associação dos Moradores da Vila Progresso, Nahana, tem lutado pela retomada das obras da UBS Mangue Seco. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Foco Construções foi criada 4 meses antes de vencer a licitação


A empresa Foco Construções Eireli, que venceu a licitação em novembro de 2019, foi aberta em 22 de julho de 2019, com sede no município de Piraquara. De acordo com o Portal da Transparência da prefeitura, ela recebeu, em 2020, pouco mais de R$ 101 mil reais pela execução de parte da obra. Não há outros registros de pagamentos.

Em novembro de 2020, o Governo do Estado afirmou que, na época, havia conseguido destravar a reforma e ampliação da UBS, e que a obra estava parada por problemas na medição da construção. Além disso, informou que seriam aplicados os R$ 156 mil na revitalização do posto.

Naquele momento, o governo estadual confirmou que o serviço teria sido retomado e tinha previsão de ser concluído no primeiro trimestre de 2021. No entanto, até agora, nada foi feito.

A obra começou em 2019 e deveria ser entregue até junho de 2020, mas a empresa responsável abandonou o trabalho após receber R$ 101 mil. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

O que diz a prefeitura


O JB Litoral questionou a atual gestão de Matinhos a respeito da previsão de retomada das obras. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, a construção inacabada se trata de um convênio com recursos advindos do Governo do Estado, e que está paralisada por conta de erros da gestão anterior.

A atual gestão vem promovendo esforços para o reinício da obra, mediante recursos dos cofres municipais. E aguarda autorização da Secretaria Estadual da Saúde para a retomada da licitação para a empresa que vai finalizar o serviço na Unidade Básica de Saúde”, informa a prefeitura.

Atualmente, atendimentos estão sendo feitos em imóvel locado pela prefeitura, no bairro Cohapar. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

O Poder Executivo ainda comenta que a UBS Mangue Seco, que está funcionando provisoriamente no Cohapar, presta atendimento de segunda à sexta-feira, com horário estendido, funcionando das 7h às 23h. “Além disso, a Unidade de Saúde conta com pediatras – que prestam serviço de duas a três vezes na semana, além de atendimento às gestantes”, conclui.

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