Inflação de verão desafia bom senso


Por Redação JB Litoral Publicado 14/01/2015 às 15h00 Atualizado 14/02/2024 às 05h14

Nas praias, preços aumentam à medida que chegam os turistas. Variação pode chegar a 50% em alguns produtos

O verão segue de vento em popa no Litoral do Paraná, com perspectivas favoráveis que incluem a recepção de mais de 8 milhões de turistas e uma injeção de até R$ 3 bilhões na economia local, segundo projeção da Federação das Empresas de Hospedagem, Gastronomia e Entretenimento do Estado do Paraná (Feturismo) e da Associação de Hotéis, Pousadas, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Paranaense (Assindilitoral).

Ainda assim, há quem não consiga escapar do prejuízo. Enquanto turistas celebram as férias e o calor, moradores do Litoral sofrem com a inflação da alta temporada. Alguns produtos aumentam em até 50% entre dezembro e janeiro.

De repente

O economista Carlos Magno Bittencourt, coordenador do curso de Ciências Econômicas da PUC-PR, explica que a alta de preços percebida no Litoral pode ser atribuída a três fatores: um retorno à cultura inflacionária; o crescimento repentino da demanda e a existência de uma espécie de oligopólio, devido ao número reduzido de supermercados e comércios nas cidades litorâneas.

“Acompanho os preços praticados e o aumento é perceptível. Nessa época, os comerciantes querem tirar o faturamento do ano inteiro em dois meses para garantir a manutenção do negócio no resto do ano. E não há muita opção de escolha, porque o aumento é generalizado, inclusive em produtos vendidos na areia. O pessimismo econômico e a inflação também contribuem para a alta dos preços”, observa o economista, que também é cliente. Hospedado em Caiobá (Matinhos), Bittencourt conta que o quilo do pão francês chega a R$ 13,99 em algumas panificadoras, enquanto no centro da cidade pode ser encontrado a R$ 8,99.

Quem mora na praia sofre na temporada

Habituado a colocar na ponta do lápis quanto gasta em cada ida ao supermercado, Claudinei Fontes, 41 anos, conta que de dezembro para cá cada compra sai pelo menos 20% mais cara. “Eu almoço fora e moro sozinho. Meus gastos em supermercado não são muito altos, em média R$ 350 por mês. Durante a temporada, não consigo pagar menos que R$ 430”, conta.

Fontes mora em Matinhos e afirma se sentir prejudicado pela temporada. “Em questão de uma semana eu passo a pagar R$ 5 por uma latinha de refrigerante que antes custava R$ 3,50. Carne, então, nem se fala”.

A carne, inclusive, é um dos produtos com maior variação. Em janeiro, no supermercado de Matinhos, o quilo do filé mignon sai a R$ 44,80, valor 10,7% maior do que o praticado menos de um mês atrás, em dezembro. Em Guaratuba, a inflação da carne foi maior, de 18,8% – o quilo de mignon custa R$ 53, em dezembro, custava R$ 43. Em 2014, as carnes foram as grandes vilãs da inflação, com alta de 22,21%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O produto com maior aumento verificado pelo levantamento da Gazeta do Povo, no entanto, foi o pãozinho francês, que teve seu valor reajustado em 36%, em Guaratuba, e 50% em Matinhos. “Seis pãezinhos não saem por menos de R$ 3,50, é um absurdo”, protesta Eva Skibinski, 45 anos, residente em Guaratuba.

Estocar é alternativa

Eva conta que já está acostumada com as altas dos preços no verão. Para que o rombo durante os meses de movimento não seja tão grande, há alguns anos ela passou a antecipar as de dezembro. “Compro tudo que conseguir antes da temporada. Faço estoque. O problema é que não tem como comprar frutas e verduras em quantidade. São dos itens mais caros do supermercado, e estão sempre feios”, lamenta.

Turistas também reclamam

Quem está a passeio também tem achado os preços altos. “A gente vem para a praia sabendo que vai gastar mais. Mas às vezes a diferença de preços é muito grande”, avalia Veronice Santana, 37 anos. Ela veio de Toledo, no Oeste do Paraná, passar alguns dias em Matinhos, mas está desanimada com os preços praticados no supermercado e nas praias.

“Percebi muita diferença nas bebidas, em produtos de limpeza e verduras e legumes. Na praia, não se encontra um coco por menos de R$ 6 ou um milho cozido por menos de R$ 5”, reclama, enquanto aponta para o preço da cenoura, “Em Toledo cenoura cara é a R$ 1,50 o quilo, aqui está R$ 3,99”.

A alternativa de muitos turistas é trazer um ranchinho no porta-malas. “Nós viemos de Curitiba e sempre trazemos alguns itens, como óleo, carne, refrigerante e algumas frutas. Dessa vez, não trouxemos tanta coisa e já nos arrependemos”, contou Clarice Cardoso, 46, apontando para o carrinho.

A estratégia faz sentido. Em comparação com preços divulgados no site Disque Economia, serviço da Secretaria Municipal do Abastecimento que pesquisa preços em supermercados de Curitiba, comprar os mesmos produtos na capital pode custar até 36% menos, em relação a Matinhos, e 31% menos se o destino for Guaratuba.

Test drive

E um churrasquinho nunca sai por menos de…?

A Gazeta do Povo quis saber quanto custaria um churrasquinho típico de praia com produtos comprados no Litoral e quanto custaria se esses produtos fossem adquiridos em Curitiba.

Considerando um churrasco básico – com 1 kg de filé mignon, 1 kg de picanha, 1 kg de pão francês, um refrigerante de 2 litros e uma caixa com 12 latas de cerveja –, quem optar por comprar todos os itens da lista na praia gastará até 32% a mais do que aqueles que fizerem as compras na capital e viajarem abastecidos.

Enquanto isso, a diferença de custo do churrasco feito em Matinhos ou Guaratuba é mínima – R$ 105,66 e R$ 106,91, respectivamente – a mesma refeição sairia por R$ 72,29 em Curitiba.

Oligopólio

Para Carlos Magno Bittencourt, da PUC-PR, comérc io acanhado do litoral explica alta dos preços e baixa concorrência no litoral.

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