Médica que atendeu bebê com suspeita de meningite na UPA em Matinhos não era pediatra


Por Redação

O JB Litoral informou, com exclusividade, o drama vivido por Maria Vitória Gomes de Souza, de 23 anos, que perdeu a filha Zoe, de apenas 1 ano e 4 meses, no último domingo (5). A criança foi atendida na UPA de Matinhos, município onde elas estavam de visita na casa de uma amiga. Nesta quarta-feira (8), a mãe descobriu que a médica que atendeu a filha não era pediatra.

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A Prefeitura de Matinhos afirmou que a UPA da cidade não possui pediatras, somente uma Ala Pediátrica onde um clínico geral atende crianças

A Prefeitura de Matinhos afirmou que a UPA na cidade não possui pediatras, somente uma Ala Pediátrica onde um clínico geral atende crianças.

Em consulta no Conselho Regional de Medicina (CRM), a médica Dra. Laura Natalia de Lima Toloni, que assina a receita apresentada pela mãe, aparece sem especialidade registrada e formatura com data de 2024.

O CRM-PR informou que está acompanhando o caso e que instaurou processo de sindicância para apurar o ocorrido.

“Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas”, disse o CRM-PR.

O Conselho complementou dizendo que as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, garantindo às partes envolvidas os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa.

Entenda o caso

No fim da tarde de sábado (4), o bebê começou a apresentar um quadro de febre e vômitos. A amiga da mãe, Chris Souza, acompanhou toda a situação e disse que a criança foi avaliada na triagem na UPA.

Quando nos chamaram para o atendimento com a pediatra, a médica não levantou da cadeira, só olhou para a gente e para a Zoe e perguntou quais eram os sintomas. Falamos da febre e do vômito e ela passou dois remédios para isso, uma injeção em cada perninha. E disse para a gente ir para casa porque provavelmente seria uma virose, para irmos hidratando com água de coco e isotônico. Daí, depois de aplicarem a medicação, voltamos para casa”, detalhou Chris.

O estado de saúde da bebê piorou durante a madrugada, quando começaram a surgir manchas escuras pelo corpo. Elas retornaram à UPA e, vendo a gravidade do caso, a criança foi encaminhada ao Hospital Regional do Litoral (HRL), onde se levantou a suspeita de meningite e confirmado o óbito.

A mãe, Maria Vitória, acredita que a filha foi vítima de negligência.

Desde que chegamos na UPA, pela segunda vez, até me dizerem que minha filha havia morrido, não demorou nem três horas. Minha filha morreu por negligência. Eu peguei minha filha mortinha enrolada num paninho branco, ela estava quentinha ainda. Eu falava que eu precisava mais dela do que ela de mim, eu precisava da minha filha. Pelo amor de Deus, a minha filha precisa de justiça”, enfatizou a mãe.

O que diz a Secretaria de Estado da Saúde

Questionada sobre o atendimento no Hospital Regional do Litoral e se a suspeita de meningite foi confirmada, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) afirmou não comentar sobre casos isolados, tampouco confirmar a identidade dos pacientes.

“A Sesa realiza, de forma permanente, a investigação de óbitos no âmbito da Vigilância em Saúde. Portanto, o caso mencionado será investigado pela Secretaria”, comunicou a Sesa.

Confira a matéria completa: Bebê de um ano morre com suspeita de meningite, em Matinhos; horas antes criança foi liberada da UPA

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