Prefeitura anuncia criação de conselho com empresários e estuda construir estacionamento para acabar com filas de caminhões em Paranaguá
As filas de caminhões que impactam o trânsito em Paranaguá são um problema antigo. Iniciativas como a Lei Municipal nº 1912/1995, conhecida como ‘Lei dos Pátios’ — que obriga as empresas a disponibilizarem áreas para manobra e estacionamento de caminhões — e a exigência de agendamento para atendimento dos motoristas não se mostraram totalmente eficazes.
Na busca de uma solução, na última terça-feira (11), o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), reuniu-se com as secretarias de Urbanismo e Segurança, empresários, caminhoneiros, vereadores e representantes da sociedade civil na sede da Associação Comercial, Industrial e Agrícola (Aciap).
A reunião ocorreu após o JB Litoral publicar reclamações de caminhoneiros sobre as filas. Com a ausência de pátios adequados e a ineficiência do sistema de agendamento para carga e descarga, muitos motoristas precisam esperar estacionados nas ruas da cidade, prejudicando o trânsito e sem a infraestrutura adequada. Na semana passada, devido à forte chuva, alguns caminhoneiros ficaram ilhados em seus caminhões.
Conselho
De acordo com a Prefeitura, um conselho será criado para combater as filas.
“Será criada uma comissão composta por empresas geradoras de tráfego pesado, terminais retroportuários, operadores portuários, cooperativas de transporte e terminais de carga. A coordenação ficará a cargo da Prefeitura, por meio da Secretaria de Urbanismo, responsável pelos assuntos portuários. O objetivo é organizar e criar regras para mitigar os problemas no trânsito”, explicou o secretário de Urbanismo, Luiz Augusto Pellegrini, ao JB Litoral.
Ainda segundo o secretário, a expectativa é que todos os membros sejam nomeados este mês. No entanto, não há definição sobre a quantidade de representantes para cada setor.
Pellegrini também afirmou que medidas serão tomadas em breve.
“Precisamos encontrar uma solução a curto prazo para melhorar o fluxo do trânsito. Uma possibilidade é que a iniciativa privada crie um ‘pulmão’, como chamamos, que é um local onde os caminhões possam aguardar antes de serem recebidos pelas empresas, evitando congestionamentos”, disse.
Licenciamentos
Outra alternativa que deve reduzir as filas, segundo a Prefeitura, é transferir para o município a responsabilidade por licenciamentos que atualmente estão sob competência do Estado e da União.
“Hoje, alguns licenciamentos são de competência estadual e federal. No entanto, alguns municípios já conseguiram trazer essa responsabilidade para si, o que gerou mais autonomia e agilidade. Estamos trabalhando para implementar esse modelo em Paranaguá. Isso destravaria processos de licenciamento e tornaria a cidade mais atrativa para novas empresas, gerando mais empregos e renda”, afirmou Pellegrini.
Multas
De acordo com o Governo do Paraná, Paranaguá recebe, em média, 1,2 mil caminhões por dia. Aproximadamente 25 empresas alegam possuir pátios – uma condição necessária para obtenção do alvará de funcionamento. Entretanto, com a implementação do sistema “Empresa Fácil”, a Prefeitura alega que precisa deferir a consulta prévia para fazer a fiscalização após a emissão do alvará, permitindo com que muitas funcionem mesmo sem o pátio.
A administração municipal também afirma que todas as empresas que não possuem pátios adequados foram notificadas, e uma nova operação de fiscalização está em andamento na região.
“Há vários fatores em jogo, como a falta de organização nas operações. A quebra de equipamento em um terminal pode prejudicar o funcionamento de vários outros. É necessário analisar caso a caso”, esclareceu o secretário de urbanismo.
Atílio Fontana
A situação da Avenida Senador Atílio Fontana, marcada por obras inacabadas e filas de caminhões, também foi abordada pelo JB Litoral e destacada pelo secretário de Urbanismo.
“Nós precisamos organizar os congestionamentos nas vias. Existe uma lei que precisa ser cumprida. Os terminais devem oferecer espaço interno para os caminhões, e não transformar as vias de acesso em locais de estacionamento”, enfatizou.
O secretário de Segurança, Francisco Nóbrega, destacou que a Guarda Civil Municipal (GCM) tem atuado na fiscalização, resultando na redução do número de notificações em comparação com o ano passado.
“Sempre ressaltamos a importância de aproximar a GCM da população, e isso tem sido feito com os caminhoneiros. Em números, as notificações caíram mais da metade em relação a 2024. A Guarda trabalha diariamente para agilizar a fluidez do trânsito na Atílio Fontana e na área portuária”, explicou.
Envolvimento do setor privado
Para o diretor de Assuntos Portuários da Aciap, Fábio Jorge, a parceria entre setores público e privado será fundamental para solucionar o problema.
“Temos uma grande dificuldade com caminhões parados nas ruas e acessos deficientes, com sinalização precária. As ações que o prefeito Adriano está implementando, junto com o secretário Guto, as empresas e os caminhoneiros, vão no caminho certo”, avaliou.
O gestor da Delta Porto Armazenagem e consultor da BRFértil Fertilizantes, Leandro Klaus, também destacou a importância da reunião.
“Os caminhoneiros precisam dos terminais, assim como os terminais precisam dos caminhoneiros. Ter um canal de diálogo único com a Prefeitura é positivo. Paranaguá tem uma estrutura urbana fragmentada, não foi planejada. Precisamos pensar em planejamento, e isso dá trabalho. Fazer gestão pública aqui é um desafio, e corrigir problemas antigos sai ainda mais caro. Mas queremos ajudar a Prefeitura”, finalizou.


