O caso teve grande repercussão e foi acompanhado pelo JB Litoral, desde o início de 2025, quando uma máquina de raio-x pertencente ao município de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi localizada, em funcionamento, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Matinhos. O esquema, investigado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), apontou que um outro equipamento, doado pelo Governo do Estado a Matinhos, estava sendo usado em uma clínica particular de Almirante Tamandaré, também na RMC.

A partir dessa investigação, uma sequência de irregularidades cometidas pela mesma empresa (Maxi Clinic), prestadora de serviços em todos esses municípios, começou a vir à tona. Como resultado, o inquérito da Polícia Civil indiciou os dois proprietários da empresa e dois servidores municipais, em fevereiro deste ano.
“Identificamos a prática de um esquema que envolveu duas vertentes criminosas: a apropriação indevida de patrimônio público de alto valor e a burla aos procedimentos licitatórios, mediante simulação de situação emergencial e fraude em cotações de preços”, explicou, à época, o delegado Thiago Fachel.
Sobre o desvio patrimonial, a PCPR verificou que o equipamento de raio-X foi retirado do hospital sob o pretexto de manutenção emergencial em 2024, durante a madrugada, em data não especificada. Em seguida, a máquina foi encaminhada à clínica privada dos investigados, onde foi encontrada em pleno funcionamento. Paralelamente, outro equipamento, pertencente a Rio Branco do Sul, foi instalado na UPA de Matinhos, com a supressão de todos os identificadores de patrimônio.
Conforme apuração do JB Litoral, os indiciados viraram réus em um processo que, agora, quatro meses após a conclusão do inquérito, segue em segredo de justiça.
“A denúncia foi aceita em 18 de fevereiro deste ano e, até o momento, não houve uma sentença final”, afirmou a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
POPULAÇÃO DECIDE DOAR RAIO-X
Com a descoberta das irregularidades, a Prefeitura de Rio Branco do Sul recebeu autorização da Justiça para recuperar o aparelho de raio-x que estava em uso na UPA de Matinhos, que seguiu em funcionamento. Mas a então prefeita da cidade metropolitana, Karime Fayad (MDB), divulgou um vídeo, em maio do ano passado, no qual informou que o custo estimado para desmontar e transportar o aparelho seria de R$ 11 mil. Além disso, havia a possibilidade de o equipamento ser danificado durante o trajeto.
Ainda segundo Karime, se fosse leiloado, o valor de mercado seria de, aproximadamente, R$ 28 mil. Descontados os R$ 11 mil necessários para transporte, restariam cerca de R$ 17 mil aos cofres públicos. Por outro lado, o aparelho continuava atendendo à população de Matinhos, com cerca de 6 mil exames mensais. Diante desse cenário, Fayad deixou a população de Rio Branco do Sul decidir, lançando uma enquete, em suas redes sociais, para definir a doação do raio-x para Matinhos.
O resultado foi a manutenção do equipamento no município do Litoral. Para formalizar a doação, Karime Fayad esteve em Matinhos, antes de se afastar da Prefeitura para se tornar pré-candidata a deputada federal.
“Eu vim aqui hoje na cidade de Matinhos entregar nosso raio-x, com o termo de doação. E quem está doando o raio-x é o povo de Rio Branco do Sul, os vereadores que aprovaram a lei de doação. A gente finaliza essa história, que foi horrível, de uma maneira muito bonita, demonstrando, acima de tudo, solidariedade”, declarou.
O prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora (PL), recebeu o equipamento e destacou a importância do gesto para quem precisa de atendimento na cidade.
“Matinhos agradece, do fundo do coração, pelo presentão aqui. Esse raio-x vai ajudar muito a nossa população, o turista, o veranista e as pessoas de Rio Branco do Sul que também vêm para cá”, disse.