Servidores da fábrica estavam sendo usados como vigias no Porto Seguro

Mesmo de posse de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Paraná (MPPR), a Prefeitura desde o dia 10 deste mês vinha usando servidores lotados na Fábrica de Artefatos de Cimento como vigias de sete casas inacabadas no conjunto residencial construído aos moradores do Canal da Anhaia em Paranaguá.
Uma denúncia anônima enviada ao JB informou que o diretor da Fábrica, Adalberto Efigênio da Silva, conhecido por Beco, estava deslocando servidores para fazerem reparos finais em sete casas que ainda não estão concluídas. Porém, além dos reparos, uma equipe de servidores vinha atuando como vigias para evitar invasão e furto de materiais nestas residências. Na sexta-feira (13) quando a denúncia chegou ao JB, cinco servidores estavam escalados para atuarem como vigias a partir das 17 horas nas casas no Porto Seguro, onde amanheceriam no local. Através da coluna Doa a quem Doer do Portal do JB a denúncia foi divulgada nas redes sociais com a informação de que seria checada sua veracidade. Poucos minutos depois de exposta na rede social, a denúncia foi confirmada por um parente, através de mensagem no site do JB. Passada uma hora da notícia na rede, o parente que confirmou a denúncia disse que o secretário cancelou a escala, dispensou os cinco homens e que enviaria três guardas municipais para o local.
A reportagem foi até o conjunto de casas, pouco depois das 22 horas e constatou que não havia ninguém cuidando, inclusive guardas municipais. Um vizinho das casas inacabadas disse que uma viatura da Guarda Civil Municipal havia passado há poucos minutos fazendo uma ronda no local.
Questionadas pelo JB do motivo pelo qual os servidores que atuam na Fábrica de Cimento estavam sendo enviados ao Porto Seguro para atuarem como vigias, a Prefeitura não confirmou e tampouco desmentiu a informação. Em nota, a Prefeitura admitiu que os servidores que atuam na Fábrica foram até o bairro Porto Seguro para fazerem pequenos reparos nas sete casas. Questionada ainda se existe histórico de invasão no conjunto e se esta situação não caracteriza desvio de função a Prefeitura limitou-se a dizer que “até a entrega das casas guardas civis municipais fazem rondas periodicamente na região para coibir qualquer ação de delinqüentes”.
