Editorial: O dia em que Paranaguá deu adeus a parte de sua História


Por Redação

Um gigante, imponente, baluarte da educação de milhares de parnanguaras. O maior de Paranaguá não era “apenas” um colégio: era arte, era história, era parte insubstituível da vida da cidade, palco de cenas de várias gerações, muitas vezes das mesmas famílias.

INSTITUTO COM VISITA DO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO – Foto Maria Heiffer JB Litoral
Agora, é aguardar as investigações e torcer para que seja possível uma restauração capaz de reproduzir, ao menos, uma sombra do que foi o nosso Instituto de Educação Doutor Caetano Munhoz Rocha. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

Em pleno Sábado de Aleluia, dia santo de luto e reflexão para os cristãos, essas gerações viram, sem acreditar, o quase centenário Instituto de Educação Doutor Caetano Munhoz Rocha ser tomado pelas chamas. As imagens, em diversos formatos e ângulos, rapidamente se espalharam pelas redes sociais. Veículos de imprensa locais e da capital repercutiram o ocorrido.

Mas, além de triste, o incêndio que consumiu capítulos inteiros da história pode ter exposto muito mais do que o “esqueleto” do Instituto: não estamos preparados para preservar o nosso patrimônio. Se a causa do fogo tiver sido falha elétrica, uma vez que o Governo admitiu que já havia planejamento de restauro, o que levou à não detecção do risco?

Na ocasião, em 2 de setembro de 2018, o fogo tomou conta do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, destruindo quase a totalidade do acervo histórico e científico construído ao longo de 200 anos, que abrangia cerca de 20 milhões de itens catalogados. O edifício histórico que abrigava o Museu, antiga residência oficial dos imperadores do Brasil, foi gravemente danificado, com rachaduras, desabamento da cobertura e queda de lajes internas, sepultando parte da história nacional.

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Mas se engana quem pensa que apenas nós, paranaenses e brasileiros, somos negligentes com o nosso patrimônio. Sete meses após as trágicas cenas no Rio de Janeiro, em 15 de abril de 2019, a Catedral de Notre-Dame, um dos templos católicos mais famosos do mundo, foi atingida por um incêndio em Paris, capital da França.

Por horas, a catedral de 850 anos ficou em chamas, até que o teto e sua icônica torre central desabaram. O mundo lamentou a destruição de séculos de história. A causa? Um provável cigarro mal apagado por operários que atuavam na restauração do templo.

Esses não foram os primeiros e, infelizmente, não serão os últimos incêndios a roubarem das gerações futuras o direito e a rica experiência de conhecer o passado. Resta a esperança de que, assim como nas tragédias aéreas, cada um desses acontecimentos sirva para que a sociedade aprenda e se aperfeiçoe no sentido de prevenir. Chorar sobre o leite derramado nada adianta. O que adianta é agir para que ele não caia novamente.

Agora, é aguardar as investigações e torcer para que seja possível uma restauração capaz de reproduzir, ao menos, uma sombra do que foi o nosso Instituto de Educação Doutor Caetano Munhoz Rocha.

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