A ficha corrida de Milton dos Santos: das ações na Justiça a um acidente fatal


Por Brayan Valêncio Publicado 08/08/2025 às 16h41

O acidente de trânsito na PR-407, que resultou nas mortes de Peterson e Gisele da Silveira, colocou em evidência o nome de Milton dos Santos. Ex-vereador de Matinhos, ele se apresentou à delegacia de Paranaguá na última quarta-feira (6), onde assumiu a direção da caminhonete envolvida na colisão. Milton dos Santos foi indiciado por homicídio culposo e por dirigir com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada. O inquérito sobre as mortes do casal tramita sob segredo de justiça. Mas, as acusações da Polícia Civil se somam a um histórico judicial de mais de 20 anos, registrado nos tribunais.

Matinhos Vereador Miltinho Câmara de Vereadores Sessão de cassação de Milton Ribeiro Foto Diogo MOnteiro JB Litoral (4)
Miltinho é réu em 19 processos. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

A análise de seu histórico judicial e político revela que o acidente ocorreu em meio a uma trajetória marcada por conflitos. Milton dos Santos, conhecido como Miltinho, tem uma ficha com processos que incluem dívidas, disputas por propriedades, embates com o poder público e acusações de violência.

Histórico judicial com mais de duas décadas

Uma pesquisa nos registros judiciais públicos realizada pelo JB Litoral mostra que Milton dos Santos figura como réu em 19 processos. A maioria deles está em tramitação nas comarcas do Litoral do Paraná. Desses, 11 ainda estão em andamento, em fases diversas, incluindo instrução processual e cumprimento de sentença.

É importante ressaltar que existem ações em segredo de justiça, o que restringe o acesso público aos detalhes. A ação referente às mortes na PR-407, por exemplo, está sob sigilo judicial. A cassação de sua CNH foi confirmada por fontes policiais.

A cronologia das ações na Justiça

As ações judiciais contra Milton dos Santos começam em 2005, com um caso de Reintegração/Manutenção de Posse, movido por Maria Luci Nowak Pinheiro. O registro mais recente é de 2024, também um Requerimento de Reintegração de Posse, desta vez pela Silva Administradora de Bens e Imóveis Ltda. A recorrência de questões financeiras e de propriedade é um ponto presente nos processos ao longo das duas décadas.

Os registros mostram que Milton dos Santos é réu em diversas ações de Execução de Título Extrajudicial e Cumprimento de Sentença. Credores incluem pessoas físicas e empresas.

Entre os processos, destacam-se ações movidas por Roberto Fregonese (caso de cheque)  e Luis Carlos Berberí (locação de imóvel); uma ação da Ideal Assessoria Empresarial, por falta de pagamento de serviços; um processo de 2017 da Rivieira Comércio de Tintas, por “Rescisão do contrato e devolução do dinheiro”; e em 2021, Camilo Fabio Deoracki e Joice Miranda da Silva entraram com dois processos contra ele: um de Procedimento do Juizado Especial Cível e uma Ação Monitória, ambos por “Obrigação de Fazer”.

Disputas de propriedade e embargos de terceiro

Além das dívidas, os litígios envolvendo posse de imóveis são recorrentes. A primeira ação registrada nesse campo é a de 2005 e a mais recente, a de 2024, ambas de Reintegração de Posse.

Em pelo menos dois processos de 2020, uma mulher identificada como Raquel Chamano entrou com Embargos de Terceiro Cível, uma ação para proteger bens de quem não é parte do processo, mas que foram penhorados indevidamente. Ela buscou na justiça a proteção de bens que, segundo ela, foram incluídos em penhoras relacionadas às dívidas de Milton dos Santos.

Conflitos com o poder público e histórico de violência

A trajetória de Milton dos Santos também registra embates com o poder público. Ele foi autor de dois Mandados de Segurança Cível contra a Câmara Municipal de Vereadores de Matinhos, em 2022 e 2023, mas desistiu de ambos. Além disso, ele é réu em uma Interpelação movida pelo Município de Matinhos por “Direitos da Personalidade” em 2024, dando a entender que Milton possa ter difamado, caluniado e divulgado indevidamente informações que prejudiquem a imagem da prefeitura ou de seus serviços.

Em 2022, Milton dos Santos foi cassado por unanimidade, após ter proferido ofensas pessoais a colegas parlamentares. O fato gerou repercussão e protestos de grupos de mulheres em frente à Câmara.

Fora da política, seus registros policiais incluem acusações graves como lesão corporal, ameaça, violência doméstica e desobediência, com processos relacionados à Lei Maria da Penha. Mais recentemente, em 2024, ele foi acusado de ameaçar um comunicador com uma arma durante um debate eleitoral promovido pelo JB.

O inquérito de homicídio culposo, a CNH cassada, o histórico de dívidas, os litígios por propriedade, a cassação política e o histórico de acusações de violência são alguns dos fatos públicos que compõem a trajetória de Milton dos Santos. A investigação policial agora se debruça sobre a vida de um homem cuja trajetória é um registro público de atritos e conflitos políticos e econômicos.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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