A Polícia Civil de Paranaguá investiga o grave acidente ocorrido na noite de domingo (3), no km 3 da PR-407, na região do Jardim Paraná. Um casal morreu após ser atingido por uma caminhonete Nissan Frontier enquanto trafegavam pela rodovia de bicicleta. As vítimas foram identificadas como Peterson da Silveira, de 46 anos, e Gisele do Valle Lopes da Silveira, de 33, moradores do bairro e proprietários de uma padaria local.

Após o impacto, o veículo capotou e parou em um barranco. Os ocupantes da caminhonete foram socorridos e encaminhados ao Hospital Regional do Litoral com ferimentos graves e moderados.
Na tarde desta terça-feira (5), o ex-vereador de Matinhos, Milton dos Santos, conhecido como Miltinho, se apresentou à delegacia como sendo o condutor da caminhonete no momento do acidente. Em depoimento, ele alegou que estava consciente, mas disse acreditar ter colidido com uma motocicleta. De acordo com a delegada da Polícia Civil, Maluhá Soares, responsável pelo caso, essa informação não é confirmada pelas investigações iniciais.
Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, a delegada falou sobre o caso. “O motorista afirma que uma moto entrou na frente dele, o que teria provocado o capotamento. Após o acidente, ele teria saído do local em busca de ajuda. No entanto, até agora não há indícios da participação de uma motocicleta na ocorrência. As evidências apontam para a colisão com a bicicleta em que estava o casal”.
Ainda segundo a delegada, o inquérito foi instaurado para apurar o crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor. A polícia também investiga se o condutor ingeriu bebida alcoólica antes de dirigir, já que há relatos de que ele teria passado por um restaurante pouco antes do acidente.
Milton foi indiciado por homicídio culposo e por dirigir com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada. De acordo com Maluhá, imagens de câmeras de segurança da rodovia e de comércios próximos estão sendo analisadas, e outras testemunhas ainda serão ouvidas nos próximos dias.
O que diz a defesa do ex-vereador
Em entrevista ao JB Litoral, o advogado André Wolff, responsável pela defesa de Miltinho, afirmou que seu cliente estava lúcido no momento do acidente, e que deixou o local em busca de ajuda, acreditando inicialmente que o irmão estivesse ferido ou morto.
“Ele passou o final da tarde com o irmão e um amigo em um pesque-pague em Paranaguá. Não consumiu bebida alcoólica por ser diabético, mas os outros dois beberam, por isso ele dirigia. Próximo a um viaduto, ele disse ter visto uma moto e tentou desviar. Após o impacto, perdeu o controle do carro e capotou”, relatou o advogado.
Segundo o advogado, após o capotamento, Miltinho saiu do veículo confuso e acreditando que o corpo caído próximo à caminhonete era de seu irmão. Sem encontrar o celular, que permanece desaparecido, ele procurou ajuda em estabelecimentos da região, até conseguir apoio em uma igreja.
“Mais tarde, ele conseguiu uma carona até Paranaguá, ainda muito abalado. Só ficou sabendo do falecimento do casal por volta das 23h, quando um amigo retornou ao local e trouxe a notícia. Ele está extremamente triste, não dorme há dias e se colocou à disposição da família para qualquer necessidade, inclusive em relação ao seguro do veículo”, disse o advogado.
Wolff também afirmou que imagens de comércios da região devem ser requisitadas pela delegacia para confirmar a trajetória e as ações de Miltinho após o acidente. Quanto aos outros ocupantes da caminhonete, o advogado explicou que o irmão do ex-vereador estava no banco de trás e cochilava no momento da colisão, tendo recuperado a memória apenas no hospital.
O outro passageiro, que ficou ferido com mais gravidade, seria um amigo da família, funcionário da Prefeitura de Matinhos.
Histórico de polêmicas e processos de Miltinho
Com uma passagem polêmica pela Câmara Municipal de Matinhos, Miltinho Ribeiro acumula episódios de controvérsia e um histórico criminal. Documentos obtidos pelo JB Litoral revelam que o ex-vereador já respondeu a processos por lesão corporal, ameaça, violência doméstica, desacato e desobediência — vários deles relacionados à Lei Maria da Penha.
Entre os registros consta uma ocorrência de 2016 por lesão corporal envolvendo violência doméstica, além de um caso de descumprimento de medida protetiva registrado em 2021. Alguns dos processos ainda estão em tramitação.
Além das ocorrências policiais, o ex-vereador foi cassado em 2022 após ofensas gravadas contra colegas parlamentares, entre elas, a vereadora Nívea Gurski (PSD), chamada por ele de “vagabunda”. A gravação gerou forte repercussão e protestos de grupos de mulheres em frente à Câmara. A cassação foi aprovada por unanimidade.
Outro ponto que marcou sua atuação política foi a denúncia contra a empresa IPM Sistemas Ltda, contratada pela Prefeitura de Matinhos. Miltinho alegou que a empresa cometeu erros em cobranças de IPTU, o que teria gerado prejuízo aos cofres públicos. Mesmo após as críticas, o contrato com a empresa foi renovado.
Em 2024, ele também se envolveu em uma confusão durante um debate eleitoral promovido pelo JB Litoral e pela Band Litoral. Segundo o comunicador Samyr Assad, Miltinho teria se aproximado dele com uma arma em punho nas imediações da UFPR Litoral. A Polícia Militar foi acionada. Miltinho negou estar armado e alegou que o objeto em questão era uma garrafa de refrigerante, afirmando ainda que registrou boletim contra Assad por ameaças anteriores.
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