Imagens mostram agressões envolvendo policiais presos por investigação de tortura no Litoral


Por Redação Publicado 02/07/2026 às 10h34

Imagens obtidas durante as investigações da Operação Hubris mostram um homem sendo agredido com pedaços de madeira, socos e chutes por dois policiais militares presos preventivamente na última segunda-feira (29), em Pontal do Paraná. Os agentes são investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), por suspeitas de tortura, extorsão, sequestro e outros crimes. [Vídeo no final da reportagem].

TORTURA PM

As gravações fazem parte das provas reunidas pelo Gaeco ao longo da investigação, que teve início na Operação Sanctus, deflagrada em janeiro deste ano. Segundo o Ministério Público, os vídeos mostram uma das vítimas sendo espancada durante uma abordagem policial relacionada a uma ocorrência de invasão de domicílio. Nas imagens, o homem aparece encolhido no chão enquanto é atingido por golpes e ameaçado pelos agentes.

De acordo com o MPPR, posteriormente a mesma vítima teria voltado a sofrer agressões, desta vez na sede da 5ª Companhia da Polícia Militar, em Pontal do Paraná. Para os investigadores, a ocorrência de violência dentro de uma unidade policial, na presença de outros militares e de civis, demonstra que os investigados agiam sem receio de fiscalização ou responsabilização.

Mensagens reforçaram as investigações

Além das gravações, a investigação reuniu mensagens extraídas dos celulares apreendidos dos policiais. Conforme o Gaeco, um dos investigados relatou à companheira que estava “espancando quatro pessoas no meio do mato” e, em seguida, escreveu que eles estavam “quebrando o braço e os dedos deles”. As conversas passaram a integrar o conjunto de provas apresentado à Justiça Militar.

As investigações também apontam que uma das vítimas passou a sofrer extorsão após as agressões. Segundo o depoimento prestado ao Ministério Público, ela passou a receber cobranças quinzenais de até R$ 3 mil em troca da própria segurança e da de seus familiares.

Prisões

Os dois policiais militares foram presos preventivamente durante a Operação Hubris, deflagrada pelo Núcleo de Paranaguá do Gaeco. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar e cumpridas com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Segundo o MPPR, parte das condutas investigadas já foi objeto de denúncia criminal, recebida pelo Poder Judiciário.

O que diz a PM

Em nota, a Polícia Militar do Paraná informou que prestou apoio à operação por meio da Corregedoria-Geral e confirmou que os dois policiais permanecem presos e afastados das funções.

“A PMPR reafirma seu compromisso permanente com a legalidade, a moralidade, a ética e a transparência, destacando que não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais e os valores institucionais”, informou a corporação.

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