Nucria de Paranaguá registra 21 prisões de janeiro a abril; nove dos casos são de estupro de vulnerável


Por Gabriela Perecin Publicado 08/06/2026 às 14h54

O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) de Paranaguá realizou 91 prisões entre 2023 e 27 de abril de 2026, segundo dados divulgados pela Polícia Civil do Paraná durante a campanha Maio Laranja. A mobilização, realizada no mês passado, é voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Do total de detenções, 50 foram relacionadas ao crime de estupro de vulnerável.

DELEGACIA CIDADA PARANAGUA – FOTO ALINE CARDOSO JB LITORAL (1)
Denúncias podem ser realizadas pelo Disque 100, Conselho Tutelar ou diretamente na Delegacia Cidadã de Paranaguá. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

Segundo a corporação, os números refletem a intensificação das ações da unidade nos últimos anos. Em 2023, foram registradas sete prisões, sendo três por estupro de vulnerável. Já em 2024, o total foi quase cinco vezes maior, chegando a 33 prisões, das quais 20 foram relacionadas a esse crime.

Em 2025, o núcleo contabilizou 30 prisões, sendo 18 por estupro de vulnerável. Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a unidade já realizou 21 prisões, nove delas relacionadas a casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Ao divulgar o balanço, a Polícia Civil destacou que cada prisão representa uma medida de proteção às vítimas e contribui para retirar agressores de circulação. A instituição também reforçou a importância das denúncias.

Mandados acompanham crescimento dos registros

O delegado do Nucria Paranaguá, Emmanuel Brandão, falou com o JB Litoral. Ele explicou que o elevado número de denúncias desse tipo de violência gera mais inquéritos, processos e, consequentemente, condenações. Além disso, a pena prevista para o crime, de 10 a 18 anos de detenção, faz com que as condenações sejam cumpridas em regime fechado, resultando na expedição dos mandados. Já crimes como ameaça, maus-tratos e lesão corporal possuem penas menores, que frequentemente permitem medidas alternativas ao encarceramento.

delegado emmanuel brandao foto nucria paranagua
O delegado do Nucria de Paranaguá, Emmanuel Brandão, destacou que as denúncias aumentam após as ações do Maio Laranja. Foto: Divulgação/Nucria Paranaguá

Segundo Brandão, o aumento dos registros é resultado de diferentes fatores. “A grande maioria desses casos são antigos, em que a vítima só se sentiu confortável para denunciar agora”, destacou.

O delegado também chama atenção para o crescimento dos crimes praticados na internet. “Está havendo muitos casos de estupro virtual, de pessoas que se aproximam dos jovens pela internet e passam a fazer chantagens e ameaças para que enviem vídeos com teor erótico”, relatou.

Ao mesmo tempo, ele aponta que houve avanços na atuação policial. “Estamos dando maior celeridade aos inquéritos policiais, o que faz com que os processos andem mais rápido e sejam expedidos mais mandados de prisão para cumprimento de pena”, afirmou, ressaltando que o reforço no efetivo e estrutura do Núcleo contribuíram para esse resultado.

Pessoas que têm a confiança das vítimas

O perfil dos autores de estupro de vulnerável foge da imagem associada ao criminoso. “São homens mais velhos que têm algum tipo de vínculo com a vítima, seja padrasto, avô, pai, tio, primo ou até mesmo vizinho”, alertou Emmanuel Brandão.

Ele também destaca que, justamente por serem pessoas próximas e socialmente bem-vistas, os abusos costumam permanecer ocultos por longos períodos. “Geralmente é aquela pessoa que todo mundo gosta, que não levanta nenhuma suspeita e que conta muito com o silêncio da vítima. Isso faz com que o crime se perpetue por vários anos”, observou.

Ações preventivas e campanhas encorajam denúncias

Além da repressão aos crimes, o Nucria tem investido em ações preventivas. Neste ano, equipes do Núcleo já estiveram em cerca de 30 escolas promovendo palestras e orientações. “A gente fala sobre as formas de violência, como denunciar e diz, principalmente, que a palavra da vítima tem valor e deve ser considerada”, reforçou Brandão.

O trabalho também envolve professores, pedagogos e assistentes sociais. “Queremos que eles estejam preparados para acolher o relato da vítima e encaminhar a situação da forma adequada”, explicou.

As ações do Maio Laranja também têm impacto direto no aumento das denúncias. “A partir de meados de maio e início de junho há um aumento dos registros justamente por causa das campanhas educativas realizadas nas escolas. Muitos relatam que só encontraram coragem para denunciar depois de assistir a uma atividade do Maio Laranja”, disse o delegado.

Falta de testemunhas dificulta investigações

Entre os principais desafios enfrentados pelo Nucria em Paranaguá está a ausência de testemunhas. “A maioria dos crimes é cometida na clandestinidade, geralmente dentro do ambiente doméstico, em situações em que estão presentes somente a vítima e o agressor”, relatou.

Por isso, segundo ele, a investigação busca reunir elementos que reforcem o relato da vítima. “É importante ouvir pessoas a quem ela contou o que estava vivenciando, porque esses relatos ajudam a dar sustentação à palavra da vítima”, concluiu.

As denúncias podem ser feitas diretamente na Delegacia Cidadã (Rua Domingos Peneda, 2.850, Vila São Vicente, nas imediações do Aeroparque), no Conselho Tutelar (41 98422-5979) ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Se o crime acabou de ocorrer, a Polícia Militar (190) ou a Guarda Civil Municipal (153) devem ser acionadas imediatamente.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *