Paranaguá está entre as 30 cidades mais violentas do Brasil; Estado e Município contestam cenário atual


Por Maisy Pires Publicado 27/05/2026 às 16h32

Paranaguá aparece como a única cidade do Paraná entre os 30 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de homicídios estimados em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta terça-feira (26).

SEGURANÇA PARANAGUA
Segurança Pública de Paranaguá, Francisco Leudomar Nobrega dos Santos, afirmou que o estudo reflete uma realidade anterior à queda recente dos homicídios no município. Foto: arquivo

O levantamento analisou os 5.570 municípios brasileiros com informações válidas sobre homicídios em 2024. O ranking considera apenas as 336 cidades do país com mais de 100 mil habitantes.

De acordo com o estudo, Paranaguá ocupa a 26ª posição nacional, com taxa estimada de 50,7 homicídios por 100 mil habitantes. O Atlas aponta 74 homicídios oficialmente registrados e mais dois chamados “homicídios ocultos”, totalizando 76 homicídios estimados no ano.

Na prática, isso significa que, proporcionalmente ao tamanho da população, Paranaguá registrou um dos maiores índices de mortes violentas do país entre cidades de grande porte. A taxa é mais que o dobro da média nacional, que ficou em 23,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2024.

O Atlas da Violência utiliza dados da área da saúde e uma metodologia que inclui os chamados “homicídios ocultos”, casos inicialmente registrados como mortes violentas sem causa definida.

SESP destaca redução nos índices

Após a divulgação do levantamento, o JB Litoral entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP), que destacou, por meio de nota, que os dados apresentados pelo Atlas da Violência são referentes a 2024 e utilizam informações consolidadas da área da saúde.

Segundo a pasta, os números mais recentes do Ministério da Justiça e da própria SESP apontam um cenário diferente no Paraná. “Os dados oficiais mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da própria SESP mostram que o Estado está no menor patamar de homicídios da série histórica”, informou.

A Secretaria afirmou, ainda, que 2024 foi o melhor ano já registrado no Estado em números absolutos e que 2025 voltou a apresentar redução. “Em 2025, a taxa chegou a 9,9 homicídios por 100 mil habitantes”, destacou a nota.

De acordo com a SESP, a queda também foi registrada em Paranaguá. “Os homicídios passaram de 70 casos em 2023 para 65 em 2024 e 43 em 2025, indicando queda contínua no período”. A pasta ressaltou ainda que os dados utilizados pelo Atlas diferem dos registros policiais mais recentes. “O Atlas da Violência 2026 é uma referência nacional importante, mas utiliza dados consolidados da área da saúde referentes a 2024”, explicou.

Segundo a Secretaria, os números do Ministério da Justiça são construídos a partir de “registros policiais, investigação, perícia e consolidação das forças de segurança”, permitindo uma leitura mais atualizada da realidade criminal.

A SESP também destacou que o Paraná aparece em situação melhor que a média nacional no próprio Atlas da Violência e afirmou que segue atuando nos municípios com maior pressão criminal, “com integração entre as forças de segurança, inteligência, investigação e reforço operacional”.

Secretário questiona impacto do ranking

O JB Litoral também entrou em contato com o secretário municipal de Segurança Pública de Paranaguá, Francisco Leudomar Nobrega dos Santos, que afirmou que o estudo reflete uma realidade anterior à queda recente dos homicídios no município.

“Esses números acabam sendo ruins porque não mostram que houve uma redução de mais de 40% nos homicídios da nossa cidade”, afirmou. Segundo Nobrega, Paranaguá viveu o período mais crítico em 2022, quando ultrapassou 70 homicídios. Desde então, os índices vêm caindo gradativamente.

O secretário também comentou sobre a metodologia utilizada pelo Atlas da Violência, especialmente em relação aos chamados “homicídios ocultos”. “Eles colocaram 74 homicídios em 2024 e utilizam alguns critérios específicos. Isso acaba prejudicando a imagem da cidade, porque hoje a situação é diferente daquela realidade do passado”, disse.

Nobrega destacou ainda que grande parte dos homicídios registrados em Paranaguá está ligada ao tráfico de drogas. “A gente não pode afirmar uma porcentagem exata, mas o que observamos no dia a dia é que a grande maioria dos casos envolve tráfico”.

Apesar do cenário apontado no levantamento, o secretário destacou a atuação conjunta entre Guarda Civil Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil, além do uso de tecnologias de monitoramento. “Hoje a inteligência age muito rápido com a muralha digital e o compartilhamento de informações. Isso ajuda na identificação e localização dos envolvidos”, explicou.


Sobre

Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, com pós-graduação em Comunicação e Oratória, atua há mais de 10 anos na área, com experiência em portais, televisão, rádio e assessoria de imprensa. Atualmente, é editora-chefe do JB Litoral, onde lidera a produção de conteúdo com foco em informação de qualidade e responsabilidade.

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