PF e autoridades italianas desarticulam rede internacional de narcotráfico e lavagem de dinheiro


Por Redação Publicado 10/12/2024 às 09h54

Nesta terça-feira (10), a Polícia Federal deflagrou a Operação Mafiusi, resultado da colaboração entre as autoridades brasileiras e italianas, incluindo a Polícia Federal do Brasil, o Ministério Público Federal, a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Guarda Civil Espanhola.

Segundo informações da Comunicação Social da PF no Paraná, as investigações contaram também com o apoio da Eurojust, Europol e Interpol. Foram realizadas operações conjuntas na data de hoje tanto no Brasil quanto na Itália, resultando em prisões em ambos os países e desmantelando dois grupos criminosos interligados responsáveis pelo tráfico de grandes quantidades de cocaína da América do Sul para a Europa. As investigações revelaram uma rede complexa que operava principalmente por meio do porto de Paranaguá e por aeronaves privadas.

A PF ressalta que o trabalho é fruto de uma Equipe Conjunta de Investigação estabelecida entre Brasil e Itália, constituída após a prisão de dois membros da máfia italiana em Praia Grande/SP em 2019. Desde então, iniciou-se uma cooperação jurídica e policial internacional entre os dois países, especificamente entre o Ministério Público de Turim – Diretoria Antimáfia, os Carabinieri Italianos do Raggruppamento Operativo Speciale (ROS), o Comandante Provincial de Turim, a Polícia Federal do Brasil através do Grupo Especial de Investigações Sensíveis do Paraná e o Ministério Público Federal do Brasil. Essa colaboração culminou nas operações conjuntas realizadas nesta terça-feira.

As operações realizadas hoje são um desdobramento da Operação Retis, que já havia desarticulado organizações criminosas responsáveis pela logística do tráfico de drogas no porto de Paranaguá. Essas redes eram encarregadas de todo o aparato necessário para enviar cocaína da América do Sul para a Europa, utilizando esse ponto estratégico.

Durante a operação, foi identificado que os traficantes que contratavam essa logística eram indivíduos de São Paulo, ligados a facções criminosas originárias daquele estado, além de membros de uma organização mafiosa italiana atuando no Brasil, responsáveis pela intermediação na compra e envio da droga para o continente europeu.

A Operação Mafiusi aprofunda as investigações sobre o núcleo de indivíduos provenientes do estado de São Paulo, associados aos mafiosos italianos e que forneciam os carregamentos de cocaína enviados à Europa através da logística mantida em Paranaguá pela Organização Criminosa da Operação Retis.

As investigações também revelaram que, além do tráfico de drogas, o grupo estava envolvido em um complexo esquema de lavagem de dinheiro, movimentando bilhões de reais entre empresas e contas bancárias de fachada e adquirindo bens por meio de transações fraudulentas. Durante o período investigativo entre 2018 e 2022, a movimentação financeira dos investigados alcançou aproximadamente R$ 2 bilhões.

As diligências concluíram que o núcleo investigado fazia parte de uma organização criminosa internacional dedicada ao tráfico de grandes quantidades de cocaína da América do Sul para a Europa. O porto de Paranaguá era o principal ponto de saída e o porto de Valência, na Espanha, o ponto de chegada. A droga era transportada principalmente pelo método “rip on – rip off”, oculta em contêineres com cargas como cerâmica, louça sanitária ou madeira. Além do transporte marítimo, a organização também utilizava aeronaves privadas para enviar cocaína à Bélgica, onde membros retiravam a droga antes da fiscalização nos aeroportos.

Na data de hoje, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva no Brasil e um mandado na Espanha; além disso, 31 mandados de busca e apreensão foram executados em endereços localizados nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Roraima.

Medidas patrimoniais foram decretadas para sequestrar imóveis e bloquear bens e valores existentes nas contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados, totalizando um valor estimado em R$ 126 milhões.

A PF ressalta que essa ação conjunta entre os órgãos brasileiros e italianos reforça a importância da cooperação internacional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. O sucesso da operação é um marco no enfrentamento das redes transnacionais envolvidas no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro. As prisões e medidas patrimoniais realizadas devem impactar significativamente as atividades dessas organizações criminosas, enfraquecendo suas estruturas financeiras e operacionais.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *