Gaeco cumpre mandados contra vereador Nei da Pesca em investigação por rachadinha


Por Thais Skodowski Publicado 10/06/2025 às 16h38

Nesta terça-feira (10), o Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu dois mandados de busca e apreensão no escritório e no gabinete do vereador Nei da Pesca (Novo), de Pontal do Paraná.

Nei da Pesca (Novo) afirma que é vítima de extorsão por ex-assessor. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
Nei da Pesca (Novo) afirma que é vítima de extorsão por ex-assessor. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

As medidas fazem parte da Operação Sordida Nummos, que apura a possível prática do crime de “rachadinha” (art. 316 do Código Penal). Os mandados foram expedidos pela Vara Criminal de Pontal do Paraná. Durante a ação, foram apreendidos celulares e documentos do vereador.

Rachadinha

No final de abril, o JB Litoral revelou a denúncia do ex-assessor parlamentar Bruno Hortêncio, que afirmou que o vereador exigia parte de seu salário e do vale-alimentação. Segundo ele, o parlamentar ainda o incentivava a realizar cursos com o objetivo de justificar o recebimento de diárias, que, posteriormente, deveriam ser compartilhadas com o vereador.

À época, Nei da Pesca afirmou ser vítima de um esquema de extorsão, criado pelo ex-assessor.

O que diz os envolvidos

Procurado pela reportagem, o vereador Nei da Pesca disse estar “tranquilo” com a investigação e afirmou que a operação será importante para comprovar sua inocência. Ele também mandou uma nota.

“O Vereador Nei reitera que recebeu com serenidade a ação das autoridades e colaborou integralmente com o cumprimento da medida judicial, disponibilizando todos os documentos e informações solicitados.

É importante frisar que a investigação ainda está em fase inicial e que o parlamentar não foi indiciado ou acusado formalmente de qualquer crime. O vereador confia plenamente na Justiça e reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições.

Por fim, a defesa jurídica do parlamentar acompanhará atentamente o andamento do procedimento investigatório, certos de que todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno e de que a verdade prevalecerá”.

Já Bruno Hortêncio declarou esperar que a Justiça seja feita, pois “não quis fazer parte de um esquema sujo”.

Confira a descrição dos áudios vazados atribuídos a Nei da Pesca

“Lógico que na Câmara tem todo um esquema, então tem que pegar pessoas que entendam o esquema da Câmara”.

“É, o vereador ele precisa juntar dinheiro, ele precisa comprar cesta básica, ele precisa … É o jogo, é o jogo. Entendeu?”.

“Você tem que chegar lá, tem que falar: “Ó, nós precisamos fazer um curso. Nós precisamos comprar cesta básica, nós vamos comprar isso. Nós precisamos guardar dinheiro durante quatro anos. Você chegar numa campanha é 100 e 150 pau”.

“Falei: “Ah, aqui tem o cara que vai lá, o cara tem que fazer curso. Ó, preciso que você faça esse ano, esse mês tem que fazer dois cursos para mim. Você tem que fazer o curso, você tem que abrir uma conta e ir pondo o dinheiro. Quando chegar na campanha, você tem que ter lá no mínimo 150 na conta”.

“Para você começar uma campanha durante um ano, fazer uma campanha, aí você tem que ter durante esses quatro anos apoio de deputado, com cesta básica, remédio, tipo tem o cara do remédio, o cara do remédio eu vou ter que pagar aí 1500”.

“Então, tudo é um sistema entendeu? Aí você tem que pegar as pessoas certas. Eu não posso pegar qualquer um. O cara fala: ‘Ah, mas eu quero pegar os três contos e o cartão também é meu, quatro contos e acabou’. Ah, beleza, vou te dar os quatro contos, mas daqui um mês eu vou te mandar embora, porque se tu for desse jeito contigo, daqui quatro anos eu não vou ser eleito, nem tu e nem eu. Você tá entendendo? Infelizmente. É, aí ah, chegou o 13º. Tá, 13º eu te dou, você divide comigo, mas é tudo dividido“.

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