Proposta de desconto salarial para vereadores faltosos já foi discutida em Paranaguá; Adriano Ramos foi o autor do texto


Por Brayan Valêncio
PRIMEIRA SESSÃO ORDINARIA CAMARA DE VEREADORES ADRIANO RAMOS PREFEITOPARANAGUA 03-02-2025 FOTO MATHEUS POLI (19)
Adriano Ramos já tentava, enquanto vereador, punir parlamentares faltosos. Foto: Matheus Poli/JB Litoral

A recente polêmica envolvendo a ausência prolongada do vereador Irineu Cruz (União Brasil), sem que houvesse desconto em seu salário, reacendeu a discussão sobre um tema já tratado no Legislativo de Paranaguá: a criação de regras mais rígidas para o controle de presença e a aplicação de penalidades financeiras aos vereadores que faltarem às sessões plenárias.

Mas, apesar da movimentação atual para que uma regra seja definida, lá em 2017, o atual prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), então vereador, apresentou uma proposta que buscava justamente disciplinar esse tipo de situação. A ideia era alterar o regimento interno da Câmara para tornar mais criteriosa a contabilização da presença dos parlamentares e abrir espaço para descontos salariais nos casos de ausência irregular.

A proposta de Adriano Ramos

Adriano Ramos foi autor da Emenda 0016-2019, apresentada ao Projeto de Resolução nº 429/2017, que propunha modificar a forma de comprovação da presença dos vereadores. Pelo texto sugerido, para ser considerado presente e fazer jus ao salário integral, o vereador deveria:

Caso qualquer uma dessas exigências não fosse cumprida, o vereador poderia ter sua ausência registrada e, assim, haveria fundamento para aplicação de descontos na remuneração mensal.

Segundo Adriano Ramos, a medida visava fortalecer a responsabilidade dos parlamentares com a atividade legislativa, garantindo maior transparência no uso dos recursos públicos.

Votação e rejeição da proposta

Apesar de ter protocolado o texto em 2017, a proposta só foi levada à votação em plenário durante a sessão de 10 de junho de 2019. Naquela sessão, a maioria dos vereadores votou contra o texto.

O resultado foi de ampla rejeição, já que apenas os vereadores Carlos Fangueiro (PSD) e Francisco Leudomar Nobrega dos Santos (Avante), votaram a favor. O próprio Adriano Ramos se absteve naquela ocasião.

Já outros 15 vereadores votaram contra. Entre eles estão Eduardo Francisco Costa de Oliveira (Podemos), Fabio dos Santos (PSDB) e Luiz de Sá Maranhão Neto (PL), que são os únicos vereadores daquela legislatura a continuar na Câmara Municipal.

1/3 O novo presidente da Câmara, Dr. Adalberto, é o autor da proposta que pode punir faltas sem justificativas. Foto: Matheus Poli/JB Litoral
2/3 Luizinho Maranhão é um dos três vereadores que votaram contra a proposta de Adriano Ramos em 2019. Foto: Matheus Poli/JB Litoral
3/3 Edu foi colega de Câmara de Adriano Ramos e votou contra o projeto que punia faltas. Foto: Matheus Poli/JB Litoral

Em entrevista ao JB Litoral, o hoje prefeito Adriano Ramos justificou que seu voto aparece como abstenção porque houve um problema naquela ocasião. “Não computou meu voto porque eles encerraram a votação pela discussão acirrada, não me permitindo o voto favorável. Não estávamos na Câmara, mas sim na Paranaguá Previdência, de forma provisória, porque o forro da Câmara tinha desabado”, relembrou o gestor.

Vale ressaltar que a rejeição da proposta impediu a implementação de uma norma que permitiria o desconto automático de salário para vereadores que não cumprissem integralmente a jornada das sessões plenárias.

Agora, após quase seis anos da rejeição da proposta original, Adriano Ramos celebrou as mudanças que, para ele, trazem mais transparência para o poder público. “Lutei tanto para que a proposta fosse discutida pelo plenário e aprovada porque os vereadores dariam um belo exemplo como funcionários comprometidos com o trabalho e com a cidade, como deve ser. Hoje, fico satisfeito de ver que, mesmo passado alguns anos, uma proposta semelhante retorna ao plenário, possibilitando aos vereadores desta legislatura aprovarem este texto que eu considero de extrema importância”.

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