90 anos em fatos: da inauguração aos recordes internacionais do Porto de Paranaguá
A história do Porto de Paranaguá está ligada diretamente com a fundação, crescimento e desenvolvimento do município. Considerada uma das primeiras costas brasileiras exploradas pelos colonizadores, os espaços para atracação no Litoral do Paraná remontam ao Brasil Colônia e foi se desenvolvendo em paralelo com os fatos históricos que marcavam o país.
Inaugurado em 17 de março de 1935, o chamado Porto Dom Pedro II recebeu o veleiro Almirante Saldanha, que foi o primeiro navio-escola da Marinha do Brasil a atracar em Paranaguá. Naquela época, o cais tinha 400 metros de extensão e oito metros de calado.

Um ano depois, a obra de dragagem inicial ocorreu. Também foi em 1936 que o vapor cargueiro britânico SS Somme, o primeiro navio estrangeiro, desembarcou no litoral paranaense.
Apesar de Paranaguá ser reconhecida como cidade portuária desde o século XVIII, foi com a chegada do porto que o impacto econômico, e também o grande destaque no mercado nacional, deslanchou. Em 1947, com a necessidade de aumentar os trabalhos, ocorreu a primeira ampliação: houve um aumento de 270 metros de extensão no cais comercial. Também foi nesse ano que a Administração do Porto de Paranaguá (APP) foi instituída.

Uma década depois, o porto voltou a aumentar de tamanho. Em 1955 o cais já era três vezes maior do que o projeto original, com 1.170 metros. Neste período, a importação e exportação de veículos e peças começaram a ganhar força.
Em 1957, o Estado do Paraná e o Paraguai firmaram um acordo para que o país vizinho ocupasse uma área exclusiva do Porto de Paranaguá. Com a inauguração da Ponte da Amizade, oito anos depois, o trânsito que cruza todo o estado ganhou ainda mais agilidade.
Em 1963, o empreendimento, que era controlado pela superintendência do porto, bateu o recorde de um milhão de toneladas movimentadas. A partir daí, o Porto de Paranaguá passou a ser ainda mais estratégico devido a ligação com países fronteiriços e, também, devido a inauguração da Rodovia do Café, que facilitou o tráfego do interior até o Litoral.
Já em plena expansão, foi em 1965 que o Porto de Paranaguá se consolidou como o maior exportador de café do mundo, com seis milhões de sacas embarcadas naquele ano. Em 1969, a rodovia que liga a capital à Paranaguá foi inaugurada. Com isso, do extremo oeste ao porto, havia uma rodovia federal facilitando a viagem e ampliando ainda mais a importância do Porto de Paranaguá enquanto polo sulamericano de distribuição de alimentos e outros produtos.

De 1971 para frente, o crescimento foi frequente de acordo com a necessidade e destaque que o Porto de Paranaguá passou a receber, com números cada vez maiores de importações e exportações. Neste período houve a criação da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), que unificou as gestões dos dois portos.
O Corredor de Exportações chega ao Porto de Paranaguá em 1973, com 516 metros de cais, moega, correias, dois shiploaders e quatro silos horizontais, ampliando ainda mais a capacidade produtiva. Além disso, o oleoduto da Petrobras, que vai de Araucária ao porto também passou a operar dois anos depois.

Em 1976, uma outra obra ganhou destaque e mudou as possibilidades portuárias. Foi necessário abrir o Canal da Galheta, que fica ao sul da Ilha do Mel. Esse canal alcançou 16 metros de profundidade média. Antes disso, o porto contava apenas com o Canal Sueste, que contorna a Ilha do Mel.

Quatro anos depois, em 1980, o primeiro pátio de triagem saiu do papel. A ideia era que a região recebesse os caminhões graneleiros. Até hoje as classificações dos graneis vegetais são realizadas no pátio, o que dá celeridade a todo o processo.

Em 1998 foi inaugurado o Terminal de Contêineres (TCP), após uma série de alterações, como a iniciação da atividade da Guarda Portuária e a inauguração do centro administrativo do Porto de Paranaguá, chamado de Palácio Taguaré.

Foi no início dos anos 2000 que o Porto de Paranaguá passou a ser reconhecido como o segundo maior do Brasil. Neste momento, as atividades estavam em sua grande maioria já privatizadas. Apenas 20% da atuação não vinha do setor privado. Em 2007, o porto já era o maior exportador de grãos da América Latina.
Em 2011 começou uma grande reformulação do complexo, com obras em berços de atracação, sistemas de defensas, dragagem, balizamento e diversas outras melhorias. O objetivo era ampliar o investimento, assegurando maior capacidade produtiva, além de recuperar uma estrutura tão antiga e planejada no século passado.
Foi há 13 anos que a empresa pública Portos do Paraná saiu do papel. Isso porque antes a administração ocorria por meio de uma autarquia, ou seja, a administração dos portos de Paranaguá e Antonina acontecia de forma autônoma. Mas, a partir de 2013, os dois polos de atividade portuária passaram a ficar sob o guarda-chuva da Secretaria de Infraestrutura e Logística, além de terem um conselho administrativo e uma diretoria executiva.
Em 2018, durante o último ano da gestão do governador Beto Richa (PSDB), o porto tinha 3.331 metros de cais. Também foi neste ano que o Canal da Galheta passou a alcançar 16 metros, após uma das mais importantes dragagens da história.
Desde 2019 a Portos do Paraná gerou R$ 1,6 bilhão de recursos privados após uma série de áreas arrendadas por licitações. E, em 2023, os navios de cruzeiros também ganharam a oportunidade de parar em Paranaguá, o que ampliou o alcance turístico de toda a região.

No ano passado, já no segundo mandato de Ratinho Junior (PSD), a estrutura atingiu cinco quilômetros de extensão de cais, com 24 berços de atracação e também bateu recordes, como a liderança na exportação de sojas e a grande movimentação de contêineres, além de ter superado recordes na movimentação de cargas e de ter sido eleita cinco vezes seguidas como a melhor gestão portuária do Brasil.
Em meio aos bons resultados, a Portos do Paraná contabiliza, em 2025, cerca de 5 mil pessoas trabalhando diretamente para o Porto de Paranaguá, mas quando calculado a circulação, o número pode chegar às 15 mil pessoas passando pela região diariamente. Com isso, cerca de 55% dos empregos municipais são gerados pelo Porto em Paranaguá. Já em Antonina, a estimativa vai de 70% a 80% da população local.

Esse número tende a crescer, pois, no final de 2025, o novo Moegão deve ser inaugurado, aumentando em 63% a capacidade de descarregamento, passando para 900 vagões por dia. Ou seja, não há Paranaguá e Antonina sem os portos: quase tudo chega e parte dali, desde impostos para a gestão pública até salários para os cidadãos.
