De recepcionista à empresária do ramo de fertilizantes: “nunca tinha feito e amei”
Empresa que armazena e transporta fertilizantes começou com quatro funcionários, em 2019; hoje já são quase 200 e negócios estão aquecidos
O ano era 2009 e Fernanda Matoso de Oliveira, então com 28 anos, começava um emprego novo, em uma empresa do ramo de fertilizantes. O convite veio de forma inusitada, em pleno carnaval.

“Eu estava de folga do meu emprego, porque era carnaval. Lá, eu era recepcionista de uma Comissária de Despacho. Foi quando minha amiga me chamou para ser faturista na empresa em que ela trabalhava. Comecei a ajudá-la no sábado de carnaval e gostei bastante, pois nunca tinha feito e amei. Trabalhei o Carnaval inteiro e só voltei na minha antiga empresa na Quarta-Feira de Cinzas para pedir demissão”, contou Fernanda, ao JB Litoral.
Agora, aos 43 anos, ela é empresária e, junto de dois sócios, são responsáveis pelo FAZ Group. O grupo é composto por duas empresas. Uma delas, a FAZ, movimenta exclusivamente fertilizantes a granel. Foi com ela que o grupo começou, quando Fernanda e os sócios agarraram uma chance que surgiu em 2019.
DE QUATRO A 200 FUNCIONÁRIOS EM MENOS DE 6 ANOS
Lembram que a Fernanda pediu as contas e foi trabalhar com a amiga na empresa do ramo de fertilizantes lá em 2009? Pois é, foi ali que começou uma década de intenso aprendizado para ela.
“Eu passei por todos os setores. Comecei no faturamento, depois fui para o estoque, todas as áreas. Por último, fiquei no planejamento, onde fazia todo o planejamento da planta, de embarques, tudo que ia receber de navio, a carga que iria sair. E em todos os setores que eu passava, me destacava. Ensinava para os demais e era remanejada para as outras áreas. Isso foi bem importante para a minha carreira”, relembrou.

Depois de 10 anos, em 2019, a empresa mudou de cidade e fechou as portas em Paranaguá. Fernanda foi a última a sair, mas viu no fim um recomeço. Mais do que isso, uma oportunidade de empreender.
“Começamos do zero. Nos unimos os três, eu do administrativo, o segundo sócio da parte operacional e o terceiro do setor comercial. Ensinei para eles como deveria ser o processo. Tínhamos os clientes, sabíamos de toda a operação, então decidimos continuar, dar sequência com o armazém. Encaramos o desafio e deu certo”, disse a empresária.
A FAZ fica na retroárea, a 1 km do Porto, na Av. Ayrton Senna da Silva. No começo (e com os pés no chão), a empresa tinha apenas quatro funcionários. Mas logo os negócios prosperaram e, em 2022, mais uma oportunidade: adquirir uma empresa de movimentação de contêineres, que fica mais distante do porto, mas que seria fundamental para expandir as atividades da empresa. Mais uma vez, a resposta foi sim.
AMPLIANDO O LEQUE
A segunda empresa em que Fernanda apostou, além de movimentar fertilizantes, também armazena e transporta cargas gerais, tudo em contêineres. Em um terreno mais amplo, mas sem a infraestrutura da retroárea, os sócios enxergaram o potencial e investiram na AEC33, localizada na Estrada Velha de Alexandra, a 12 km do porto.
“Lá só tinha os armazéns enlonados e era tudo no chão batido. Então, fizemos muitas mudanças, muitas melhorias, entre elas, colocamos piso em tudo. Também aumentamos os armazéns, estruturamos as portarias e as balanças no portal de entrada”, detalhou.
Com os investimentos e a ampliação de negociações, o grupo, que começou empregando quatro pessoas, já conta com quase 200 funcionários. O FAZ Group tem 185 mil toneladas de capacidade estática de armazenamento somando as duas plantas; pode movimentar 3 mil contêineres por mês; receber mais de 600 mil toneladas de fertilizantes ao ano e comporta a circulação de 150 caminhões por dia, nas duas unidades.

AINDA MINORIA, MAS COM ESPAÇO PARA TODOS
Fernanda também contou à reportagem como é trabalhar há 15 anos em uma área ainda tão dominada por homens.
“Eu vejo assim, que a dificuldade era mais minha e não deles, porque eles sempre me respeitaram muito. Todos os homens, desde clientes até funcionários e os meus sócios. Acho que o preconceito, infelizmente, foi mais meu e eu tive que combater isso. Acredito que quando a mulher se posiciona os comportamentos mudam”, defendeu a empresária, que sempre conciliou a vida pessoal, em que é mãe de dois filhos, de 24 e 22 anos, do primeiro relacionamento, e do caçula de 3 aninhos, do atual casamento.
“Ser mãe novamente depois de tantos anos me permitiu viver a maternidade de uma forma mais madura e está sendo muito bom. Saio da empresa e consigo virar a chave e vivenciar meu lado mãe, esposa e dona de casa. Tudo tem seu momento”, afirmou.

RECADO ÀS MULHERES
Para as mulheres que têm a intenção de ingressar no mundo dos negócios portuários, Fernanda deixou um conselho.
“O começo não é fácil. A mensagem que deixo é a de que as pessoas aguentem o processo, que não é fácil, não é do dia para a noite, é uma entrega diária, é todo dia mais um pouco e um pouco melhor. Você entregando o seu melhor todos os dias, uma hora você vai ser reconhecida, vai chegar aonde quer. E também sempre estudando, procurando informações da área em que você quer atuar, dominando aquilo que se propôs a fazer”, finalizou a empresária.
