Dia do Portuário: contribuições e avanços para o desenvolvimento econômico e eficiência portuária em Paranaguá, Paraná e Brasil


Por Luiza Rampelotti Publicado 28/01/2024 às 18h08 Atualizado 06/02/2024 às 15h24
|||||||

O último domingo, 28 de janeiro, foi um dia especial para homenagear aqueles que desempenham um papel fundamental na engrenagem que movimenta a economia de Paranaguá, do Paraná e do Brasil: os trabalhadores portuários. São eles que, diariamente, dedicam suas vidas ao funcionamento eficiente dos portos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e para o comércio internacional.

Os trabalhadores portuários estão envolvidos em uma variedade de funções, incluindo operações de carga e descarga, manuseio de contêineres, guindaste, controle aduaneiro, segurança portuária, praticagem e outras atividades relacionadas.

Paranaguá é a segunda cidade com mais trabalhadores portuários no Brasil, empregando mais de 4.100 profissionais registrados, representando 11,3% da força de trabalho local, segundo dados do Ministério do Trabalho. Luiz Fernando Garcia, diretor presidente da Portos do Paraná, ressalta o impacto econômico desse grupo.

Este grupo, sozinho, injeta mais de R$ 231 milhões, todos os anos, na economia local. Fora os trabalhadores que atuam na atividade e não são registrados como portuários, mas como operadores de máquinas, engenheiros e motoristas, por exemplo. Em nome da diretoria executiva da Portos do Paraná, agradeço àqueles que dedicam suas vidas ao trabalho no porto e que empenham seus esforços para consolidar, cada vez mais, os portos de Paranaguá e Antonina como referência em qualidade e eficiência. A dedicação dos trabalhadores portuários, somada aos investimentos em qualificação, tecnologia e infraestrutura, são fundamentais para o desenvolvimento do estado e do Brasil”, diz Garcia.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, parabenizou os trabalhadores portuários pela data comemorativa. Foto: Marcelo Andrade


Portuários são todos que fazem o porto avançar”, diz seu Alceu

O amor que tenho pelo porto de Paranaguá é gigantesco. Tudo que vivi na minha vida, o porto sempre esteve ao meu lado. É a minha segunda casa“, afirma Alceu Vaz Pinto do Nascimento, que começou sua jornada no porto de Paranaguá em 1975, quando passou no concurso da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA, atual Portos do Paraná) como conferente de capatazias, aos 18 anos.

Com quase 50 anos de dedicação ao mesmo (e único) emprego, ele destaca a importância do porto em sua vida e como as mudanças ao longo dos anos foram positivas, especialmente em termos de tecnologia e consciência ambiental.

Com quase 50 anos de dedicação ao mesmo (e único) emprego, seu Alceu destaca a importância do porto em sua vida. Foto: JB Litoral

Quando passei no concurso, tive a sensação de que minha vida mudaria, e mudou. Todos os dias agradeço o privilégio de desempenhar minhas funções no porto de Paranaguá”, conta.

Com 67 anos, Alceu planeja trabalhar por mais oito, mas já tem se preocupado com o momento da despedida. “Ainda não me sinto preparada para sair. Durante a pandemia, quando ficamos sem trabalhar, refleti sobre o significado da aposentadoria e percebi o quanto o porto é fundamental em minha vida”, diz.

O portuário testemunhou, ao longo dos anos, as notáveis transformações no porto de Paranaguá. Mudanças positivas, segundo ele, como a evolução tecnológica e a transição de operador portuário para autoridade portuária, que marcaram uma melhoria significativa na qualidade da empresa. “Além disso, hoje o porto tem um compromisso ambiental robusto e uma consciência notável”, destaca.

Alceu relembra que, antigamente, todo o processo era realizado manualmente, com pilhas de papel, manifestos e ordens de embarque. “Atualmente, vivenciamos uma era de automação, onde as operações são completamente informatizadas. O avanço tecnológico contribuiu para a eficiência operacional do porto”, avalia.

Sobre todos os avanços que fazem o porto de Paranaguá bater recordes anuais e ser premiado, o trabalhador faz questão de ressaltar que os resultados positivos são alcançados graças à dedicação de diversos profissionais, desde os concursados até os trabalhadores portuários avulsos, terceirizados, operadores portuários, agências, práticos, rebocadores, entre outros. “Todos são portuários e, de maneira única, fundamentais para o progresso contínuo deste importante ponto logístico, demonstrando que o sucesso do porto é resultado do esforço coletivo de uma comunidade portuária comprometida”, afirma.

Sou apaixonado pelas atividades portuárias”, conta seu Nivaldo

Nivaldo Domanski dos Santos também é portuário concursado e, este ano, celebra meio século de dedicação ao setor, onde atua como assistente técnico administrativo. “Tudo teve início em 1974, quando prestei concurso para a APPA e fui aprovado, aos 18 anos. Fui convocado para assumir diversas responsabilidades. Logo de início, ocorria a transição do pessoal estatutário para o regime CLT, e não havia profissionais especializados nesse processo. Acompanhei de perto, elaborando fichas funcionais, realizando cadastros, efetuando pagamentos de INSS e fundo de garantia”, relembra.

Hoje, com 69 anos, seu Nivaldo destaca que, desde sua entrada, em 1974, testemunhou significativas transformações no porto parnanguara. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Ao longo dos anos, ele atuou em diversas áreas e desempenhou variadas funções na Administração do Porto de Paranaguá. “Já trabalhei na área de cadastro de funcionários, na divisão de recursos humanos, na divisão de serviços gerais, nos departamentos administrativos, financeiros, de projetos e de compras. Além disso, exerci a presidência do arrendamento e liderei a comissão de licitação por um extenso período”, conta.

Hoje, com 69 anos, Nivaldo destaca que, desde sua entrada, testemunhou significativas transformações. “Houve a expansão do cais, dragagem para melhorar o acesso, possibilitando a atracação de navios maiores em Paranaguá. Os próprios navios passaram por modificações e modernizações, assim como a administração, com a criação do OGMO e aquisição de novos equipamentos”, comenta.

Ele, que se denomina um apaixonado pelas atividades portuárias, conta que a paixão cresceu à medida que as conhecia melhor. “Em 2024, desejo que o Dia dos Portuários seja celebrado com felicidade, companheirismo e uma visão promissora para o futuro”, diz.

O Dia do Portuário é o dia da minha vida”, diz seu Abílio, TPA aos 73 anos


A história do porto é contada também por Abílio Coelho Neto, trabalhador portuário avulso que atua como conferente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga nos Portos do Estado do Paraná desde 1969; hoje ele tem 73 anos e continua trabalhando. Ele relembra os tempos em que o porto era recordista em carregamento de café e madeira, destacando as mudanças significativas na carga e descarga com a chegada da tecnologia e a especialização em operações de contêineres.

Abílio reflete sobre as transformações ao longo de seus 55 anos de trabalho. “Nas décadas de 1970 a 2000, predominava a carga geral, demandando a manipulação e envolvendo centenas de trabalhadores na operação. Contudo, com o avanço da tecnologia e a chegada da modernidade, os navios se tornaram maiores, e a maioria das cargas passou a ser embarcada e desembarcada em contêineres. Essa mudança resultou em redução de custos, menos trabalhadores envolvidos, aumento da velocidade nas operações, diminuição de danos e independência das condições climáticas”, conta.

Seu Abílio é trabalhador portuário avulso e atua como conferente do Sindicato dos Conferentes desde 1969. Foto: Arquivo pessoal


Enquanto há mais de meio século atrás os trabalhadores portuários avulsos tinham uma grande expressão na força de trabalho portuária, hoje, Abílio afirma que os TPAs representam menos de um terço do contingente passado, devido à diminuição da mão de obra. Contudo, ele destaca sua gratidão pela oportunidade de continuar desempenhando sua função.

Sou muito grato a Deus por ter me acompanhado ao longo desses 55 anos de trabalho em um ambiente constantemente desafiador. Tenho muita alegria por ter criador meus três filhos, proporcionado educação e saúde, testemunhando o crescimento dos meus netos, tudo graças ao meu trabalho como portuário. O Dia do Portuário é, para mim, o dia da minha vida, sendo o porto minha segunda casa”, se emociona.

O porto também é lugar de mulher


Já Sônia Aparecida Silva atua como operadora líder na operadora portuária Pasa Paraná Operações Portuárias S/A. Ela conta que apesar da experiência consolidada em diversos terminais, foi apenas na PASA que encontrou o espaço propício para ser reconhecida e prosperar profissionalmente.

Apesar de estarmos imersos no século 21, há uma persistente discriminação enfrentada pelas mulheres no mercado de trabalho. Em minhas passagens por outras empresas, me dediquei a aprimorar minhas habilidades por meio de cursos, porém, lamentavelmente, não obtive o reconhecimento e enfrentei dificuldades para competir em igualdade no cenário predominantemente masculino. Na Pasa, contudo, fui reconhecida com a oportunidade de crescer profissionalmente”, afirma.

Já Sônia atua como operadora líder na operadora portuária Pasa Paraná Operações Portuárias S/A, onde trabalha há 10 anos. Foto: Rafael Pinheiro/JB Litoral

Sua jornada na empresa começou na portaria, mas logo avançou para a balança e, posteriormente, ascendeu à posição de operadora de máquinas. Atualmente, como operadora líder, Sônia exibe uma década de dedicação à empresa e, consequentemente, ao porto de Paranaguá.

Comemorar o Dia do Portuário trabalhando na Pasa é mais do que uma celebração para mim; é a realização de uma jornada de 10 anos, marcada por superações e conquistas. Na empresa, encontrei não apenas um local de trabalho, mas um espaço onde meu talento é reconhecido, e onde posso inspirar outras mulheres a trilharem caminhos de sucesso no mercado portuário. Estou grata por fazer parte dessa equipe e por contribuir para o crescimento do nosso porto“, finaliza.