Dia do Trabalhador Portuário: conquistas e desafios daqueles que fazem dos portos paranaenses o que são
Nilson Viana, 75 anos, tem uma longa carreira portuária. Ele respira a profissão há 54 anos. Ingressou na, então, Administração dos Portos Paranaguá e Antonina (APPA) em 1970, na Seção de Conferentes. Profissional empenhado em sempre evoluir, foi assumindo novos desafios ao longo das décadas. Participou ativamente de processos que marcaram a história dos terminais paranaenses, como a substituição do Livro de Registro para entrada e saída de mercadorias dos armazéns da APPA pelo sistema de fichas de entrada e saída de mercadorias, além da elaboração do primeiro Regulamento de Operação e Atracação de Navios. Seu Nilson, que mora em Paranaguá desde os 8 anos de idade, foi crescendo junto ao porto; construiu a família e continuou se capacitando, obtendo o bacharelado em Administração e Comércio Exterior. É um dos portuários veteranos em atividade e conta, com orgulho, as muitas transformações do porto.

“As mudanças foram imensas: de movimentação de mercadorias com carga geral — representada pela importação e exportação de sacaria, madeira, tambores, produtos manufaturados e semimanufaturados, sal, fertilizantes —, que exigiam uma fundamental participação da mão de obra laborativa, à inauguração do complexo Corredor de Exportação, com a abertura da BR-277 e a expansão do cultivo de milho e soja no oeste paranaense”, relata Nilson, em conversa com o JB Litoral.

O portuário também conta que outro salto no desenvolvimento começou há 26 anos, com o arrendamento de áreas.
“O arrendamento de áreas para instalação de um terminal de contêiner, em 1999, propiciou a inserção de Paranaguá no mercado mundial desse importante segmento do mercado internacional”, pontua o profissional comprometido, casado, pai de duas filhas, duas enteadas e avô de sete netos, que comemora, nesta terça-feira (28), mais um Dia do Trabalhador Portuário.
HISTÓRIA E PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
A data (28 de janeiro) faz alusão à abertura dos portos brasileiros para as nações amigas, em 1808, com a assinatura da Carta Régia pelo rei de Portugal D. João VI. O fato aconteceu dias após a família real portuguesa chegar ao Brasil em decorrência da invasão napoleônica.
É a partir desse instrumento que os portos brasileiros são abertos para o comércio exterior. Antes disso, a atividade portuária restringia-se à relação comercial entre Brasil e Portugal.

Para marcar a data nos portos paranaenses, a Portos do Paraná vai promover o 1º Family Day em homenagem aos portuários que atuam nas mais diversas funções, seja no cais, nas áreas administrativas ou operacionais.
Durante a ação, os profissionais poderão trazer seus familiares para uma visita ao cais no próximo sábado (1º de fevereiro).
“É um orgulho para os portos mais eficientes do Brasil contar com os portuários mais capacitados, que fazem de Paranaguá e Antonina referências nacionais. Por isso, temos que comemorar este dia e exaltar esses trabalhadores que atuam 24 horas contribuindo para o desenvolvimento do estado e do país”, diz o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia.
A Portos do Paraná irá disponibilizar quatro saídas de ônibus de turismo para a visita guiada à faixa portuária. Dessa forma, os portuários poderão mostrar aos familiares os locais onde atuam, desde o berço 201 até o 219, por onde passam as mais variadas cargas.
CERTIFICADOS
Já o Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário (OGMO – Paranaguá) fará, nesta terça-feira (28), a entrega dos certificados aos TPAs (Trabalhadores Portuários Avulsos) do Programa TPA Essencial do mês.
“No dia 28 de janeiro comemoramos o Dia do Trabalhador Portuário. Essa data representa a importância do trabalhador portuário, seja da área administrativa, seja operacional, para o crescimento e economia do país. Hoje, os portos brasileiros são responsáveis por mais de 95% das exportações brasileiras, e isso tudo é graças ao empenho e dedicação de todos os trabalhadores e trabalhadoras portuários. Por isso, nós do OGMO parabenizamos e agradecemos a todos eles”, ressalta Shana Bertol, diretora-executiva da entidade.
CONQUISTAS E ANSEIOS
O analista portuário e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Portuários (Sintraport), Rodrigo Vanhoni, também falou ao JB Litoral. Ele ressalta a participação da categoria no crescimento do porto.
“Ano após ano nosso porto é citado por quebrar recordes. Como trabalhador portuário, esses avanços no segmento são motivos de orgulho para a categoria, pois reflete toda a dedicação que temos com o nosso porto”, diz o líder dos trabalhadores, que tem 18 anos de carreira.
“Entretanto, queremos que os avanços também sejam refletidos para o trabalhador, que é um dos principais responsáveis por todo esse sucesso. Se batemos quase 67 milhões de toneladas movimentadas é porque houve portuários saindo das suas casas e fazendo esse recorde acontecer. Merecemos salários justos e que não ameacem nossos empregos. Queremos equidade de gênero em todas as áreas do trabalho portuário, desde a liderança ao operacional. Queremos que lembrem que sem o trabalhador o porto não seria o que é hoje”, defende Vanhoni.
O presidente do Sintraport reforçou, ainda, a importância dos trabalhadores portuários para a economia da região.
“Somos nós, trabalhadores portuários, que movimentamos a economia local. Quem mais gera e deixa dinheiro na cidade é o trabalhador portuário. Quando temos salários dignos, gastamos aqui, movimentamos o comércio, investimos na comunidade e contribuímos para o crescimento de toda a região. Juntos, somos capazes de superar qualquer obstáculo e construir um amanhã mais justo e digno para todos”, finaliza Rodrigo.
Cerca de 1.500 trabalhadores portuários estão na ativa, atualmente, nos portos de Paranaguá e Antonina.
