Dia do Trabalhador Portuário: conquistas e desafios daqueles que fazem dos portos paranaenses o que são


Por Flávia Barros

Nilson Viana, 75 anos, tem uma longa carreira portuária. Ele respira a profissão há 54 anos. Ingressou na, então, Administração dos Portos Paranaguá e Antonina (APPA) em 1970, na Seção de Conferentes. Profissional empenhado em sempre evoluir, foi assumindo novos desafios ao longo das décadas. Participou ativamente de processos que marcaram a história dos terminais paranaenses, como a substituição do Livro de Registro para entrada e saída de mercadorias dos armazéns da APPA pelo sistema de fichas de entrada e saída de mercadorias, além da elaboração do primeiro Regulamento de Operação e Atracação de Navios. Seu Nilson, que mora em Paranaguá desde os 8 anos de idade, foi crescendo junto ao porto; construiu a família e continuou se capacitando, obtendo o bacharelado em Administração e Comércio Exterior. É um dos portuários veteranos em atividade e conta, com orgulho, as muitas transformações do porto.   

Nilson Viana, chefe de gabinete da superintendência, começou a trabalhar no porto com 20 anos, quando só havia 11 berços (hoje são 17 berços, além de um píer para inflamáveis e outro para líquidos)
Nilson tem 75 anos e sua vida se mistura à história do Porto de Paranaguá há mais de 5 décadas. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

“As mudanças foram imensas: de movimentação de mercadorias com carga geral — representada pela importação e exportação de sacaria, madeira, tambores, produtos manufaturados e semimanufaturados, sal, fertilizantes —, que exigiam uma fundamental participação da mão de obra laborativa, à inauguração do complexo Corredor de Exportação, com a abertura da BR-277 e a expansão do cultivo de milho e soja no oeste paranaense”, relata Nilson, em conversa com o JB Litoral.

Nilson Viana, trabalhador portuário há quase 55 anos, com a esposa, as duas filhas e as duas enteadas. Foto: Arquivo pessoal

O portuário também conta que outro salto no desenvolvimento começou há 26 anos, com o arrendamento de áreas.

O arrendamento de áreas para instalação de um terminal de contêiner, em 1999, propiciou a inserção de Paranaguá no mercado mundial desse importante segmento do mercado internacional”, pontua o profissional comprometido, casado, pai de duas filhas, duas enteadas e avô de sete netos, que comemora, nesta terça-feira (28), mais um Dia do Trabalhador Portuário.

HISTÓRIA E PROGRAMAÇÃO ESPECIAL

A data (28 de janeiro) faz alusão à abertura dos portos brasileiros para as nações amigas, em 1808, com a assinatura da Carta Régia pelo rei de Portugal D. João VI. O fato aconteceu dias após a família real portuguesa chegar ao Brasil em decorrência da invasão napoleônica.

É a partir desse instrumento que os portos brasileiros são abertos para o comércio exterior. Antes disso, a atividade portuária restringia-se à relação comercial entre Brasil e Portugal.

A Portos do Paraná fechou o ano de 2024 com a maior movimentação de cargas da sua história, com o recorde de 66.769.001 toneladas. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Para marcar a data nos portos paranaenses, a Portos do Paraná vai promover o 1º Family Day em homenagem aos portuários que atuam nas mais diversas funções, seja no cais, nas áreas administrativas ou operacionais.

Durante a ação, os profissionais poderão trazer seus familiares para uma visita ao cais no próximo sábado (1º de fevereiro).

É um orgulho para os portos mais eficientes do Brasil contar com os portuários mais capacitados, que fazem de Paranaguá e Antonina referências nacionais. Por isso, temos que comemorar este dia e exaltar esses trabalhadores que atuam 24 horas contribuindo para o desenvolvimento do estado e do país”, diz o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia.

A Portos do Paraná irá disponibilizar quatro saídas de ônibus de turismo para a visita guiada à faixa portuária. Dessa forma, os portuários poderão mostrar aos familiares os locais onde atuam, desde o berço 201 até o 219, por onde passam as mais variadas cargas.

CERTIFICADOS

Já o Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário (OGMO – Paranaguá) fará, nesta terça-feira (28), a entrega dos certificados aos TPAs (Trabalhadores Portuários Avulsos) do Programa TPA Essencial do mês.

No dia 28 de janeiro comemoramos o Dia do Trabalhador Portuário. Essa data representa a importância do trabalhador portuário, seja da área administrativa, seja operacional, para o crescimento e economia do país. Hoje, os portos brasileiros são responsáveis por mais de 95% das exportações brasileiras, e isso tudo é graças ao empenho e dedicação de todos os trabalhadores e trabalhadoras portuários. Por isso, nós do OGMO parabenizamos e agradecemos a todos eles”, ressalta Shana Bertol, diretora-executiva da entidade.

CONQUISTAS E ANSEIOS

O analista portuário e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Portuários (Sintraport), Rodrigo Vanhoni, também falou ao JB Litoral. Ele ressalta a participação da categoria no crescimento do porto.

Ano após ano nosso porto é citado por quebrar recordes. Como trabalhador portuário, esses avanços no segmento são motivos de orgulho para a categoria, pois reflete toda a dedicação que temos com o nosso porto”, diz o líder dos trabalhadores, que tem 18 anos de carreira.

Entretanto, queremos que os avanços também sejam refletidos para o trabalhador, que é um dos principais responsáveis por todo esse sucesso. Se batemos quase 67 milhões de toneladas movimentadas é porque houve portuários saindo das suas casas e fazendo esse recorde acontecer. Merecemos salários justos e que não ameacem nossos empregos. Queremos equidade de gênero em todas as áreas do trabalho portuário, desde a liderança ao operacional. Queremos que lembrem que sem o trabalhador o porto não seria o que é hoje”, defende Vanhoni.

O presidente do Sintraport reforçou, ainda, a importância dos trabalhadores portuários para a economia da região.

Somos nós, trabalhadores portuários, que movimentamos a economia local. Quem mais gera e deixa dinheiro na cidade é o trabalhador portuário. Quando temos salários dignos, gastamos aqui, movimentamos o comércio, investimos na comunidade e contribuímos para o crescimento de toda a região. Juntos, somos capazes de superar qualquer obstáculo e construir um amanhã mais justo e digno para todos”, finaliza Rodrigo.

Cerca de 1.500 trabalhadores portuários estão na ativa, atualmente, nos portos de Paranaguá e Antonina.

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