Em discussão há uma década, porto privado de Pontal do Paraná pode ter motivado rodada de negócios em viagem internacional

Subiu para três o número de terrenos a serem desapropriados na área onde será instalado o Terminal, no balneário Pontal do Sul


Por Redação

Neste sábado (18) completou um mês que o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), esteve em Genebra, na Suíça, onde se reuniu com Ammar Kanaan, CEO da Terminal Investment Limited (TiL), braço de terminais de contêineres do grupo Mediterranean Shipping Company (MSC), líder mundial no transporte marítimo de contêineres.

Sem detalhes confirmados, o encontro levanta questionamentos sobre o futuro do Terminal de Uso Privado (TUP) e seus impactos na região.

O governador viajou acompanhado pelo, então, secretário de Infraestrutura e Logística e atual pré-candidato ao Governo no Estado, Sandro Alex, e diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. De acordo com o Executivo Estadual, a ideia da ida da comitiva à Suíça foi buscar uma parceria, firmada por meio da TiL, para potenciais novos investimentos logísticos de grande escala no Paraná.

É com muita alegria que estou visitando a MSC, que é a maior empresa do mundo na área de logística de navios e é uma das maiores empresas, através da TiL, que é a maior gestora de transporte e logística de contêineres. E, hoje, aqui assinando uma grande parceria, com o olhar para o Paraná. A MSC, através da TiL, passa a olhar o Paraná como talvez o maior projeto da América Latina para que eles possam se instalar e investir. E para nós é um motivo de muito orgulho, já que o Paraná se transformou na central logística da América do Sul”, declarou o governador, à época.

Governador Carlos Massa Ratinho Junior durante reunião em Genebra, na Suíça, com Ammar Kanaan, CEO da Terminal Investment Limited (TiL), braço da MSC, líder mundial no transporte de contêineres.

Também sem dar detalhes de como será essa parceria entre a empresa internacional e o Governo do Paraná, o diretor-executivo da TiL acenou positivamente para a concretização do negócio.

Vamos analisar com muita atenção as oportunidades logísticas no Paraná. Esperamos trabalhar com a autoridade portuária e com o seu governo para concretizar isso”, disse Ammar Kanaan.

A reunião com a maior empresa global de transporte de contêineres, com uma frota de mais de mil embarcações, levantou a possibilidade de que a TiL tenha relação com a instalação do Terminal de Uso Privado (TUP) no balneário Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.

O encontro aconteceu em 18 de março, cinco dias após ser publicado no Diário Oficial do Estado o decreto 12.992, que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área de 450.549 m² pertencente à empresa Balneária Pontal do Sul. O terreno destina-se à implantação do TUP, devendo a Seil dar andamento ao processo, e é a terceira área a ser declarada de utilidade pública com a mesma finalidade, no período de sete meses.

1/3 Área com mais de 450 mil m² é a terceira a ser declarada de utilidade pública desde agosto do ano passado. Foto: Reprodução
2/3 Em agosto de 2025, outro decreto, o 10.862, também declarou as áreas da Odebrecht e da Techint como de utilidade pública, para fins de desapropriação e instalação do TUP. Foto: Reprodução
3/3 TUP integra o projeto denominado Faixa de Infraestrutura, em discussão há mais de 10 anos. Foto: Reprodução

O terminal faz parte do projeto chamado Faixa de Infraestrutura, cujo eixo central é a construção de uma rodovia paralela à PR-412, que dará acesso a Pontal do Sul, partindo de um entroncamento com a PR-407. A via ligará os dois pontos da cidade, em seus 20 km de extensão, mas também servirá de acesso ao TUP.

Leia também: Terrenos da Techint e Odebrecht serão desapropriados para instalação de porto privado, em Pontal do Paraná

DESAPROPRIAÇÕES PARA A INSTALAÇÃO

A instalação do TUP foi autorizada pelo Governo Federal há mais de 10 anos, em 2015, com previsão para entrar em operação em 2017. Mas o projeto esbarrou em trâmites judiciais relativos à execução da Faixa de Infraestrutura. Já naquela época, o investimento previsto era de, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão, e o terminal ocuparia um espaço superior e 600 mil m². No local, um pátio de 450 mil m², foi planejado para abrigar a maior área para depósito de contêineres do país.

Em outubro do ano passado, o JB Litoral retomou o assunto e trouxe que o Governo atuava na reemissão da Licença Prévia para a construção da nova via e para a implantação de um canal de macrodrenagem. Além disso, noticiou que a Administração Estadual declarou de Utilidade Pública duas áreas que irão compor o TUP, passo fundamental para viabilizar a desapropriação dos terrenos onde funcionavam, até então, as empresas Odebrecht Engenharia & Construção e Techint Engenharia e Construção.

O avanço só foi possível porque o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) acatou o recurso apresentado pelo Executivo Estadual e liberou a continuidade do processo de licenciamento ambiental, em que passaram a ser considerados válidos o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), permitindo que o Governo possa trabalhar na reemissão da Licença Prévia para a construção da nova via.

PRESENÇA EM OUTROS PORTOS

Em abril de 2024, o Governo Federal firmou com a TiL um termo aditivo para estender o contrato de arrendamento no Porto de Santos, no valor de R$ 4 bilhões (R$ 2 bilhões já investidos e outros R$ 2 bilhões referentes ao aditivo). BTP arrendado com a APM Terminals – que é da Maersk – Contrato de Arrendamento DP nº 24/2001.

A empresa também tem investimentos em outros dois terminais brasileiros, um em Santa Catarina e outro no Rio de Janeiro: Portonave, em Navegantes (Terminal de Uso Privado 100% TIL) e Multi-Rio, no Porto do Rio de Janeiro (arrendado com o Multiterminais).

O ex-secretário Sandro Alex, assim como a assessoria de imprensa da Seil, foram procurados para esclarecer se o encontro na Suíça, em 18 de março, tratou do TUP de Pontal do Paraná. O pré-candidato a governador não se manifestou e a pasta afirmou que assuntos relacionados à viagem deveriam ser informados pela Portos do Paraná.

O JB Litoral também pediu informações à gerência de comunicação da empresa pública por duas vezes e não obteve retorno.

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