Gigante da agroindústria paranaense vai investir R$ 3 bilhões em construção de porto em SC
Fundada em 1970, em Campo Mourão, Centro-Oeste do Paraná, a Coamo (Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda.), maior cooperativa agroindustrial da América Latina, vai investir R$ 3 bilhões para a construção de um porto em Itapoá, Santa Catarina (SC). O anúncio foi feito há pouco mais de um mês, em 25 de agosto, quando representantes da cooperativa se reuniram com o governador do estado vizinho, Jorginho Mello (PL).

De acordo com informações divulgadas pelo governo catarinense, o porto da Coamo será o 8º da unidade Federativa e a previsão é de que o terminal comece a operar em menos de 5 anos, no início de 2030. A área de 43 hectares, que vai contar com três berços de atracação, tem a estimativa de movimentar 11 milhões de toneladas por ano.
“Eu não tenho dúvida de que será um passo gigantesco para Santa Catarina. Nós vamos para o oitavo porto. Veja bem o tamanho que nós somos e a quantidade de portos. Somos o campeão do Brasil. É um grande investimento, uma transformação somando com a baía da Babitonga, que nós vamos dragar lá em São Francisco [do Sul]. Isso é um corredor de importação e, principalmente, de exportação”, afirmou o governador Jorginho Mello, após o anúncio.
Por que não no Paraná?
Ainda conforme publicação da imprensa oficial catarinense, a Coamo já opera no Porto de Paranaguá, “mas sofre com frequentes filas para escoar a produção de grãos como soja, milho e trigo, fruto do trabalho de 32 mil cooperados” e que o ambiente de negócios de Santa Catarina teria sido fundamental para a escolha do local para a instalação do novo espaço, que vai contar com terminais de GLP, granéis, líquidos combustíveis e fertilizantes.
“Esse é um sonho dos nossos produtores. Nós já temos dois terminais em Paranaguá, onde escoamos quase 5 milhões de toneladas por ano. É o maior exportador do Paraná e a maior empresa do Paraná também. E sentimos a necessidade dessa expansão, porque tem negócios que realmente a gente não consegue fazer”, explicou ao governo vizinho o presidente executivo da cooperativa, Airton Galinari.
O executivo também mencionou que iniciativas do governo vizinho foram importantes para a escolha, tais como duplicações de rodovias estaduais.
“Aqui é um projeto diferente, que já estamos trabalhando há quase 10 anos. E os projetos que estão em andamento em SC, de duplicação das rodovias, daria essa malha de atendimento, que é fundamental para que a gente possa ter esse escoamento, já que esse terminal pode movimentar até mil caminhões por dia. Então, isso nos motiva realmente a escolher Itapoá para esse grande investimento”, completou Galinari.

Geração de empregos
Para a construção do porto da Coamo, a previsão é de que sejam contratados 2 mil trabalhadores para a fase de obras. Já para operar a estrutura depois de pronta, a perspectiva é gerar 1.000 vagas de empregos. O terminal da cooperativa paranaense, mas que também expandiu seus negócios e tem unidades nos estados de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, será instalado ao lado do Porto de Itapoá, que foi o primeiro porto de uso totalmente privado do Brasil, com atividades iniciadas em 2011.
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Itapoá x Coamo
Apesar da proximidade geográfica, os portos não serão concorrentes. Isso porque o porto da Coamo será graneleiro e o de Itapoá é um terminal de contêineres. Com 14 anos em atuação, completados em agosto, o Porto de Itapoá acumula um volume expressivo de cargas movimentadas.
“Tivemos uma movimentação, até agora, de 10 milhões de TEUs [um TEU representa o volume de um contêiner padrão de 20 pés de comprimento, 8 pés de largura e 8 pés de altura]. Então, somos o segundo maior do Brasil em contêineres”, disse ao JB Litoral o terminal privado, por meio de sua assessoria de imprensa.
A reportagem também procurou a Coamo para esclarecer os motivos que levaram à construção do terminal em Santa Catarina e não no Paraná, por exemplo, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto a manifestações sobre o assunto.
