Luiz Fernando comemora a conquista das metas traçadas no início da gestão e já prepara despedida

Diretor-presidente da Portos do Paraná completa cinco anos no cargo, colhendo os resultados do que planejou em 2019


Por Redação Publicado 17/03/2024 às 14h32
Luiz Fernando: momento de colher os frutos do trabalho dos últimos anos. Crédito: Cláudio Neves/APPA
Luiz Fernando: momento de colher os frutos do trabalho dos últimos anos. Foto: Cláudio Neves/APPA

Dos 89 anos comemorados pelo porto de Paranaguá, apenas cinco anos – o que representa menos de 6% desse tempo todo – teve o comando de Luiz Fernando Garcia da Silva, mas esse período foi suficiente para sair da estagnação e entrar numa fase de grandes obras, que pararam lá na década de 90. Esse era o propósito declarado. Quando assumiu o cargo de diretor-presidente da empresa pública Portos do Paraná, em janeiro de 2019, ele se comprometeu a regularizar as áreas arrendadas, fazer novos leilões e inaugurar uma etapa de mudanças estruturais que pudessem ampliar a capacidade operacional.

Cinco anos depois, Luiz Fernando vê quase todos os objetivos alcançados. Durante as celebrações do aniversário do porto, o diretor-presidente comemora o início das obras do Moegão – aquele, que muita gente não sabia se sairia do papel – e a previsão de leiloar, em breve, as últimas três áreas para dar por concluída a regularização de todos os espaços.

Recebemos o último grande investimento no final da década de 90, ou seja, uma obra de 50 anos que teve um grande suporte de investimento no final de 90, que nos sustenta até hoje, 24 anos depois. É uma infraestrutura que, obviamente, quando foi instalada ou pensada, não se pensava nos próximos dois anos e sim nesse longo prazo”, lembrou Luiz Fernando, ao receber a equipe do JB Litoral em uma das salas de reunião do estande da Portos do Paraná, na Intermodal South America, em São Paulo.

Essa lógica de pensar estrategicamente, mirando no futuro, norteou os planos para o Moegão. Com a obra que modificará o sistema de chegada de trens ao porto e agilizará o descarregamento, a ideia é saltar das atuais 5 milhões de toneladas por ano para 24 milhões de toneladas recebidas por ferrovia na área leste. “Toda obra de infraestrutura deve pensar não só no agora, mas olhando para os próximos 30 anos”, afirma. “Um exemplo: o corredor de exportação hoje. Dos 65 milhões de toneladas que a gente fez, 24 milhões passaram pelo nosso corredor de exportação, de uma infraestrutura desenvolvida na década de 70.”

Avanços perceptíveis

O passo que permitiu que todos os demais fossem dados começou ainda antes da posse de Luiz Fernando, mas foi concluído durante a sua gestão, em 2019, quando a Portos do Paraná conquistou a autonomia administrativa, sendo o primeiro do país nessa situação. Foi isso que permitiu que projetos de obras e processos licitatórios deixassem de ser tocados em Brasília – juntamente com todos os outros portos do país – e passassem a ser conduzidos em Paranaguá, agilizando as liberações.

Com a independência conquistada é que foi possível buscar o financiamento de R$ 600 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). “É a maior obra portuária do país e pela primeira vez na história o BNDES financia uma obra pública portuária”, destaca Luiz Fernando.

A execução do projeto começou no mês passado e a previsão é de que seja concluída em dois anos. A autonomia também viabilizou que os arrendamentos fossem realizados de forma mais rápida.

Fizemos, desde o início da gestão, cinco leilões. Não tinha nenhum no Paraná havia 20 anos e nós retomamos os leilões em 2019. Cinco áreas já foram leiloadas e os últimos três já encaminhados”, anunciou. A previsão é de que todo os processos sejam finalizados até o segundo semestre de 2025.

Todo esse foco na modernização administrativa rendeu reconhecimento para Paranaguá. “Nos últimos quatro anos, nós ganhamos o prêmio como a melhor gestão portuária. O Ministério de Portos faz um ranking com 17 critérios objetivos. Nos últimos anos estamos alcançando a nota 10. Estamos gabaritando em tudo e sendo reconhecidos.”

Relação porto-cidade

Para além do porto, também a cidade está em celebração, impactada por toda a movimentação econômica. Metade da população está empregada direta ou indiretamente na atividade portuária. “As áreas do porto são controladas, então podemos quantificar. São 20 mil pessoas e 5 mil veículos entrando todo dia na faixa portuária. Isso nos dá uma responsabilidade imensa de fazer com que tudo funcione com precisão.”

Luiz Fernando afirmou que tem buscado o estreitamento da relação do porto com a cidade. Um exemplo é a corrida, que aconteceu em 2023 pela primeira vez, e agora até se tornou lei municipal. “Todo ano, no primeiro semestre, o porto tem que fazer essa atividade. Bacana, né? Foi uma receptividade muito grande”, relatou.

O diretor-presidente ainda aposta que as obras do Moegão vão ser fundamentais para melhorar a relação com a cidade. “Vai diminuir a paralisação de vias causada por manobras dos trens. Agora, teremos uma condição de agregar mais capacidade, mas também de diminuir esse conflito porque, por vezes, uma manobra de trem demora 15 minutos, mas, no seu extremo, já chegou a uma hora.” A obra deve influir também na fluidez do trânsito de caminhões, parados durante o descarregamento da carga ferroviária.

Safra e planos

Mesmo com condições climáticas adversas, os números do cenário agrícola não apontam para quedas na circulação em Paranaguá. Segundo Luiz Fernando, os dados de 2024 são até maiores do que na safra anterior. “Podemos afirmar que o nosso movimento está 20% maior do que nos dois primeiros meses do ano passado.”

Tudo isso leva a acreditar que as quantidades movimentadas até dezembro podem bater os recordes de 2023. Com seus 5 quilômetros de cais, o porto de Paranaguá embarcou ou desembarcou 65 milhões de toneladas, enquanto o maior do país, o de Santos, em 20 quilômetros de cais, movimentou 170 milhões.

Se você fizer uma correlação por metro de cais, a nossa exigência é muito mais alta. Então, todo ano é um desafio para que tenhamos uma fluidez muito intensa e uma organização nessa chegada dos caminhões, porque ainda 80% de todo o nosso volume é movimentado pelos caminhões.”

O executivo afirma que, como o ambiente é muito competitivo, qualquer deslize pode fazer com que o cliente escolha mudar de porto. “Qualquer falha nossa leva o cliente a escolher outro lugar. A partir do momento que ficar caro ou ele não encontrar outras vantagens competitivas comerciais pode ir para fora do Paraná. É simples assim“, resume.

Luiz Fernando espera continuar colocando os planos em prática, mas sabe que tem um prazo limite para a atuação. O posto de diretor-presidente só pode ser ocupado por até oito anos. Assim, ele já se prepara para dar o trabalho por concluído, executando nos próximos três anos os objetivos traçados quando entrou no cargo. Dessa forma, quando o porto estiver comemorando 92 anos, em 2027, Luiz Fernando vai assistir ao que ajudou a construir.

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Fonte: JB Litoral

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