Moegão venceu dois prazos de entrega e obra já custa quase R$ 687 milhões; saiba para quando é a nova previsão de conclusão


Por Redação

Considerada a maior obra pública portuária em execução no Brasil, o Moegão é um sistema de recebimento de grãos no Porto de Paranaguá, executado pelo Governo do Estado, por meio da Portos do Paraná, com financiamento de recursos próprios e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Moegão venceu dois prazos de entrega e obra já custa quase R$ 687 milhões; saiba para quando é a nova previsão de conclusão
Expectativa é de que a obra seja entregue ainda neste semestre. Foto: Claudio Neves/ Portos do Paraná

O nome vem de “moega”, equipamento em formato de funil utilizado para direcionar grãos. Como se trata de uma versão ampliada, a estrutura em Paranaguá recebeu o nome no aumentativo. O projeto vai centralizar o recebimento de grãos de 11 terminais em um único local.

O objetivo, como já anunciado pela Portos do Paraná, é melhorar a logística do porto, aumentando o uso do transporte ferroviário de 20% para 50%. A expectativa é que essa mudança reduza custos, o tempo de espera e a emissão de poluentes. O Moegão também deve diminuir conflitos de tráfego na cidade causados pelas conhecidas manobras dos vagões.

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Mas, segundo a Portos do Paraná, a obra chegou 80,29% de conclusão em dezembro de 2025, mesmo mês em que deveria ter sido entregue. Além do atraso, a obra já custa R$ 686 milhões, 14,6% a mais do que o previsto inicialmente. Desses recursos, R$ 592 milhões (R$ 592.754.671,65) foram aplicados na etapa das moegas e transportadores, e outros cerca de R$ 60 milhões (R$ 60.623.958.55) na estrutura de acesso rodoferroviário. O contrato inicial teve, ainda, duas prorrogações para a entrega.

Projeto mostra como ficará o Moegão após finalizado. Foto: Claudio Neves/Divulgação

Mais caro e sem previsão oficial de entrega

O JB Litoral questionou a empresa pública Portos do Paraná sobre a nova possível data de entrega do Moegão, assim como informações sobre os testes de funcionamento da estrutura que foram anunciados para este mês de março, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

O responsável pela execução das obras é o Consórcio Tucumann – TMSA – ZORTEA – ENGELUZ. Já foram realizados dois termos aditivos com o consórcio. O primeiro em janeiro de 2025, quando foi feita a alteração do projeto básico, sem acréscimo de custo.
O segundo termo aditivo, assinado em agosto do mesmo ano, prorrogou o contrato por mais 150 dias, a partir de 15 de agosto de 2025, com previsão de término da obra em 12 de janeiro de 2026.

O contrato também contou com um termo de apostilamento, assinado em maio de 2025, com acréscimo de R$ 33.341.587,83 no valor da obra. Com isso, a construção do Moegão chegou a R$ 686.720.218,03 milhões.

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4/6 Em dezembro de 2025, foram concluídos 87% da parte civil (estrutura física), 85,24% da mecânica e 57,81% da parte elétrica. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
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Interligação dos terminais com a estrutura

De acordo com informações divulgadas anteriormente, a Portos do Paraná afirmou que, quando entrar em operação, o projeto terá capacidade para receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo aos terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex).

Atualmente, cerca de 550 vagões são descarregados diariamente nos terminais de exportação. A obra permitirá que esse processo seja padronizado em um único ponto de descarga, com a possibilidade de ampliar a movimentação para 900 vagões por dia.

Os granéis vegetais seguirão por correias transportadoras até 11 terminais interligados ao sistema, que integram o corredor de exportação e, depois, seguem para os navios.

Impacto para os terminais

Um desses terminais é o da Cotriguaçu, que irá investir cerca de R$ 30 milhões na interligação com o Moegão.

“Seremos o primeiro terminal a se interligar, já estamos com a obra contratada. A gente chama, no linguajar técnico, de espetar as nossas linhas ao eixo para poder trazer a carga para dentro do terminal”, disse o gerente-geral do Terminal Portuário da Cotriguaçu, Rodrigo Buffara Farah Coelho, integrante do Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

A expectativa dos terminais é aumentar a capacidade de descarga ferroviária. “Agora, a pressa é de cada terminal para interligar, pois o único modo de descarregar vagão no corredor de exportação será através do Moegão. A interligação está em fase avançada de contratação”, afirmou Rodrigo.

Em nota, a Rocha Terminais Portuários e Logística considerou a implantação um avanço importante para a eficiência logística do Porto de Paranaguá. Para a empresa, o sistema centralizado de descarga ferroviária tem o potencial de tornar as operações mais eficientes e de contribuir com a relação porto-cidade.

“A Rocha Terminais Portuários e Logística é apoiadora deste projeto desde a sua concepção. Agora, com as obras em fase avançada, segue comprometida com seu êxito e acreditando na sua importância para a modernização do complexo logístico do Porto de Paranaguá”, disse a empresa.

Vai melhorar o trânsito em Paranaguá?

Com o Moegão, as composições férreas não precisarão mais entrar nos armazéns para descarregar. Com isso, a expectativa é que deixem de ocorrer as manobras que atrasam a rotina da população. O número de cruzamentos com interrupções nas vias de acesso à área portuária deve cair de 16 para cinco, de acordo com a Portos do Paraná.

Procurada pelo JB Litoral, a Rumo Logística, empresa responsável pela malha de ferrovias do Paraná, não explicou se haverá novos investimentos devido ao aumento da utilização da malha ferroviária e nem sobre os locais da cidade onde essas intercessões serão mantidas. No entanto, evidenciou a importância da obra para a logística.

“De forma geral, quando concluído, o Moegão trará mais fluidez ao fluxo ferroviário no porto, bem como mais agilidade e eficiência à operação logística, além de reduzir conflitos entre os modais ferroviário e rodoviário nas operações de descarga”, disse a Rumo.

A superintendente municipal de Trânsito em Paranaguá, Gisele Tavares, disse que o aumento do transporte de cargas por ferrovia é importante para a logística do Porto, porém trará impactos na mobilidade urbana do município. Segundo ela, existem acessos a bairros que dependem de passagem de nível e o aumento da circulação de trens pode ampliar o tempo de bloqueio dessas vias.

“Diante disso, o município entende que serão necessárias obras estruturais, não só por parte da concessionária, mas como por parte do Governo, como viadutos ou trincheiras para garantir a segurança viária e manter o acesso adequado aos bairros”, afirmou Gisele.

FAEP defende investimento

O técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Nilson Hanke Camargo, também faz parte do Conselho da Autoridade Portuária como visitante permanente. Ele defende o investimento, principalmente quanto ao aumento da utilização do modal ferroviário.

“Estamos vendo que é importantíssimo esse investimento e vai dar uma melhorada significativa no descarregamento ferroviário. Hoje, não temos número suficiente de vagões para descer a serra. Precisaríamos ter um número de vagões suficiente para dar vazão a toda a produtividade que nós temos, toda a produção que nós temos que levar para o porto”, afirmou Nilson. “Uma parte do que vai por caminhão, hoje, será transferida para o trem”, completou.

Sobre as condições das ferrovias atualmente e se esse aumento da utilização do modal demandaria mais investimentos, Nilson acredita que o ideal seria uma nova via ferroviária entre Curitiba e Paranaguá.

“É o que todos nós imaginamos que precisa ser feito. Mas como isso é uma coisa difícil de acontecer, pois precisaria de um investimento muito grande, qualquer melhoria que se faça hoje é bem-vinda”, declarou Nilson. O representante da FAEP acrescentou que a expectativa é de que o Moegão seja entregue no primeiro semestre deste ano.

Empresa é responsável por outras obras no Porto de Paranaguá

A mesma empresa que executa as obras do Moegão, a Tucumann – Engenharia e Empreendimentos Ltda, é responsável por mais dois serviços no Porto de Paranaguá, de acordo com informações divulgadas no site da Portos do Paraná. Um para fabricação e montagem das passarelas metálicas entre dolphins (estruturas fixas, independentes da linha de cais, utilizadas para amarração e atracação de navios) no berço 219 – no valor de cerca de R$ 4,8 milhões.

O segundo serviço sob responsabilidade da Tucumann é a elaboração de projetos executivos e a realização de obras de recuperação estrutural em 80 metros do cais do Porto de Paranaguá, para atender a requisitos ambientais e de saúde ocupacional, no valor aproximado de R$ 18,6 milhões.

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