“Não temos mais sossego, privacidade e segurança”: famílias da Vila Alboitt protestam devido a impactos causados por obras de terminal portuário


Por Redação

De um lado, áreas já desafetadas pela Prefeitura de Paranaguá; de outro, a Cattalini Terminais Marítimos, que executa as obras de expansão do seu Centro de Tancagem, com a construção de mais 14 tanques de armazenagem de granéis líquidos. No meio, moradores da Vila Alboitt, que alegam estar sendo prejudicados desde o início das obras, no fim do ano passado.

Obras de expansão do Centro de Tancagem da Cattalini são alvo de reclamação de moradores da Vila Alboitt. Foto: Reprodução
Obras de expansão do Centro de Tancagem da Cattalini são alvo de reclamação de moradores da Vila Alboitt. Foto: Reprodução

Rachaduras, vidros quebrados, crianças assustadas com o barulho e os tremores causados pelo maquinário pesado — muitas vezes logo cedo, por volta das 7h —, além da água que escoa do canteiro de obras e dos banheiros instalados para os trabalhadores, invadindo ruas e até casas na Avenida Coronel Santa Rita, na Estrada Velha do Rocio e em vias adjacentes. Esses são alguns dos transtornos relatados por moradores que procuraram o JB Litoral.

Flávia da Silva Dias, 41 anos, mora no bairro desde que nasceu. Atualmente, vive com o marido e os dois filhos do casal, de 4 e 2 anos. “Nunca tive problemas com a minha casa até o final de dezembro de 2025 e início de janeiro de 2026, quando começaram as obras. Simultaneamente, surgiram vazamentos intensos no telhado, causando diversos prejuízos, como perda de móveis, vidros caindo do vitrô e rachaduras nas paredes”, relatou Flávia.

De janeiro para cá, não temos mais sossego, privacidade e segurança. Meus filhos de 4 e 2 anos ficam assustados com a força da trepidação, pois é intenso! Queremos paz e segurança para todos os moradores. Exigimos qualidade de vida, dormir tranquilos, sem medo de que algo ruim possa acontecer em cima de nossas cabeças“, completou a moradora.

1/4 Incomodados com os transtornos, moradores protestaram e cobraram providências em frente às obras, no último dia 14. Foto: Divulgação
2/4 De acordo com moradores, além do barulho, poluição e trepidação, as ruas do entorno agora ficam alagadas por causa das obras. Foto: Divulgação
3/4 Moradores relatam problemas graves e cobram providências das autoridades. O caso levanta questionamentos e já mobiliza órgãos responsáveis. Foto: Divulgação
4/4 Relatos de transtornos, prejuízos e insegurança colocam a comunidade em alerta. A população pede soluções e acompanhamento do caso. Foto: Divulgação

PROTESTO E APOIO

Flávia estava entre os moradores que protestaram em frente às obras, no último dia 14. Eles alegam que cerca de 30 famílias estão sendo prejudicadas, todas com suas residências regularizadas, a exemplo da moradora de 68 anos, que mora na Rua Wismar Alves, mas prefere não se identificar.

Estou passando por uma luta muito grande. Pago imposto, tenho escritura e essa firma está construindo tanques de álcool em frente à minha casa. Vão cortar todas as árvores que plantamos. Ficamos nesse barulho, nessa tremedeira, queremos que algo seja feito”, lamentou a idosa.

Moradores pediram ajuda ao vereador Péke Bocudo, que divulgou o caso em suas redes sociais e intermediou uma reunião entre os envolvidos. Foto: Divulgação

Apelo reforçado por outra moradora antiga da Vila Alboitt, Marlene Cardozo, que vive há 66 anos no bairro. “Moro com meus filhos, que têm problemas de saúde. Prometeram nos tirar daqui e estamos no meio da bomba. Estamos vivendo com esse barulho. Não tem ninguém para nos ajudar, por isso estamos pedindo ajuda de vocês. As casas estão tremendo com o impacto da construção, que está a menos de 100 metros. A poluição no ar causa rinite e alergia na pele! Os moradores pedem socorro”, falou a moradora.

Antes de protestarem, um grupo procurou o vereador Marcelo Péke (Republicanos), que chegou a intermediar uma reunião entre os moradores e a Cattalini, no mês de fevereiro.

Como vereador, eu não tenho a prerrogativa de que a empresa compre os imóveis ou indenize os moradores. Mas, conversei com a gerência da empresa e fiz essa ponte entre a Cattalini e a comunidade. Na reunião, ficou acordado que a empresa se disponibilizaria a conceder o aluguel social por um ano aos moradores que moram mais próximo da obra, e após o término das obras, se houvesse danos nas casas, a empresa arcaria com os reparos”, disse Péke ao JB Litoral.

No entanto, segundo o parlamentar, o impasse permanece, uma vez que as liberações necessárias para as obras foram concedidas e não há um consenso entre os moradores sobre quais seriam as alternativas para a solução do problema.

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POSICIONAMENTO DA EMPRESA

Em resposta ao pedido de informações do JB Litoral, a Cattalini Terminais afirmou que realiza “monitoramento e controle contínuo dos possíveis efeitos decorrentes das obras de expansão, com o objetivo de minimizar quaisquer impactos à comunidade do entorno, cumprindo todas as normas e exigências legais para as atividades”.

Sobre o que foi tratado na reunião intermediada pelo vereador, a empresa alegou que a situação de cada família será analisada.

A empresa reforça que está atenta às manifestações dos moradores, inclusive recebendo-os para reuniões de alinhamento. Em conjunto com a Defesa Civil, a Cattalini realizará atendimentos individualizados para compreender cada situação e avaliar as necessidades específicas das famílias, incluindo possibilidade de adoção do aluguel solidário”, completou a nota enviada à reportagem.

Os moradores da Vila Alboitt também procuraram o Ministério Público e solicitaram a realização de fiscalização no canteiro de obras. O registro da Notícia de Fato foi feito no dia 6 de março e está sob análise da 2ª Promotoria do MP.

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