Obras do Moegão alcançam 23% de execução; galerias transportadoras começam a ser instaladas


Por Flávia Barros
Cada um dos 54 módulos que compõem as galerias pesa 38 toneladas e tem 25 metros de comprimento. Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná
1/4 Cada um dos 54 módulos que compõem as galerias pesa 38 toneladas e tem 25 metros de comprimento. Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná
2/4 O sistema terá capacidade para o descarregamento simultâneo de 180 vagões em três linhas independentes. Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná
3/4 Obra orçada em quase R$ 600 milhões deve ficar pronta até o final do ano. Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná
4/4 O primeiro de um total de 54 módulos que irão compor as galerias foi içado em 6 de fevereiro. Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Dois meses após serem vistoriadas pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) e o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho (Republicanos), as obras do Moegão chegam a um marco importante. No último dia 6, foi içado o primeiro módulo das galerias transportadoras que farão a movimentação de grãos do Moegão até os terminais portuários interligados ao sistema. Com 38 toneladas e 25 metros de comprimento, a “gigante” é a primeira de 54 unidades que, juntas, formarão 1,7 km de galerias. O interior de cada módulo conta com três esteiras transportadoras de grãos vegetais, com capacidade de 2.000 toneladas por hora, cada uma.

O içamento da galeria metálica é um marco, pois iniciamos a parte aérea do Moegão. Até agora, estávamos trabalhando com a montagem das estruturas no chão. Já concluímos 50% da parte de fundação, blocos e estaqueamento das moegas”, explicou a coordenadora de projetos do consórcio Moegão, Caterina Veronese.

E como em uma orquestra, onde cada músico desempenha um papel único ao conduzir seu instrumento, a instalação da primeira unidade da galeria foi planejada e executada com maestria. Os dois guindastes usados no içamento do módulo foram posicionados um dia antes da operação, seguindo as coordenadas do projeto. Os equipamentos receberam contrapesos de 40 e 50 toneladas cada, para garantir equilíbrio na montagem. Com as cintas de amarração, os guindastes conduziram o módulo até o alto dos pórticos pré-moldados, realizando a instalação com precisão.

PRIMEIRO DO BRASIL

Considerada a maior obra pública portuária do País, o Moegão recebe investimento de quase R$ 600 milhões e tem como foco o aumento da produtividade portuária, a redução de cruzamentos ferroviários em Paranaguá (dos atuais 16 para cinco) e a integração entre os operadores portuários e o cais. Atualmente, 23% da obra já foi concluída, e a expectativa é que seja entregue até o final deste ano. Ao todo, 353 funcionários trabalham na construção.

Estamos revolucionando a maneira de receber as cargas de grãos pela ferrovia, pois este sistema que centraliza o recebimento ferroviário não existe em outro porto no Brasil. A instalação do primeiro módulo de galerias marca o início de uma nova etapa extremamente importante da construção”, afirmou o diretor de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná, Victor Kengo.

Com área total de quase 600 mil metros quadrados, o Moegão terá capacidade para descarregar simultaneamente até 180 vagões, em três linhas independentes. Foto: Divulgação

COMO VAI FUNCIONAR

O acesso ferroviário ao Porto de Paranaguá será adequado para a operação do sistema Moegão. A carga será descarregada dos vagões, caindo nos funis do subsolo e transportada por correias aos elevadores de canecas, de onde a carga será elevada para as linhas de correias transportadoras aéreas, que se interligarão aos terminais portuários.

Os grãos serão recebidos nos terminais e, na sequência, a carga será enviada aos navios pelo corredor de exportação. Com o novo modelo de descarga, a expectativa é aumentar em 63% a capacidade ferroviária, passando de 550 para 900 vagões por dia.

Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, além do ganho em eficiência, o Moegão também deve gerar uma economia de 30% nos custos de transporte. A redução dos impactos ambientais é mais uma vantagem, com a diminuição da emissão de gás carbônico (CO2) em 73%.

As obras do Moegão avançaram muito. Em menos de um ano teremos uma operação de mais de R$ 500 milhões entregue, trazendo benefícios à comunidade, reduzindo de 16 para 5 as interferências no trânsito na cidade, com emissão de menos CO2 e podendo, junto com a PAR 14, PAR 15 e PAR 25, fazer com que esse corredor de exportação passe de 1,5 mil toneladas para 4 mil toneladas carregadas por hora”, disse.

PRIMEIRA FASE

A área onde a estrutura está sendo instalada tem cerca de 600 mil metros quadrados, o suficiente para o descarregamento simultâneo de 180 vagões em três linhas independentes.

Além da moega exclusiva e reestruturação dos acessos dos terminais, a obra envolve essas novas galerias que estão em execução para levar os produtos descarregados até os terminais logísticos da área portuária. O projeto básico durou dois anos para ser concluído. Ele foi realizado pela Rumo e doado ao Governo do Estado.

A contratação dos R$ 600 milhões contempla a execução da Fase 1 do empreendimento, que compreende a moega ferroviária composta por três linhas de recebimento de grãos com capacidade para descarga simultânea de três vagões cada; 1,7 km de galerias para transportadores de correia; e 4,8 km de correias transportadoras totalmente enclausuradas com capacidade de projeto de 2000 t/h (correias de 54”), para transporte do produto descarregado na Moega Ferroviária diretamente nos terminais logísticos da área portuária.

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