Anunciado em dezembro de 2025, com previsão de implementação no início de 2026, o Plano de Cargos e Salários (PCS) ainda não saiu do papel. Trabalhadores da Portos do Paraná veem o primeiro trimestre terminar sem que a medida se torne realidade.

O PCS está entre as mudanças apontadas pelo projeto de governança e reestruturação da Portos do Paraná, desenvolvido pelo Instituto Publix para o Desenvolvimento da Gestão Pública S/S Ltda., cujo relatório final foi entregue em 31 de agosto de 2021.
A consultoria foi contratada pela empresa pública em julho de 2020 para desenvolver o projeto denominado “Orgulho de Ser Portos do Paraná”. Além da ênfase no modelo de governança e no alinhamento da estrutura organizacional e dos processos, o projeto também atuou na modelagem do Plano de Cargos e Salários e do Programa de Demissão Incentivada. O valor do contrato foi de R$ 2.020.000,00, com duração de um ano. O documento recebeu um aditivo de prazo, estendendo-se até novembro de 2021.
“Temos, agora, a responsabilidade de colocar esse projeto em prática. Há muitas coisas que já estamos vendo, que já estão acontecendo, outras não dependem só da equipe interna. É importante que a gente tome consciência, e estamos aqui representados por todos os setores para pegar esse trabalho e implantar conforme o planejado”, declarou, à época, o então diretor Administrativo e Financeiro da Portos do Paraná, Daniel Romanowski.
LONGO CAMINHO
Mas, segundo fontes ligadas aos trabalhadores, até setembro de 2023 o PCS não havia avançado e, com um indicativo de greve por parte dos portuários, foi autorizada a criação de uma Comissão Interna com o intuito de discutir os aspectos relativos à implementação do plano. No entanto, mesmo após a entrega do relatório, já no final de 2024, a Portos do Paraná teria criado mais uma comissão, que levou alguns meses até enviar o documento final para a aprovação do Executivo Estadual.
Um longo caminho que, em tese, teria sido concluído em 19 de dezembro de 2025, quando o PCS foi assinado por representantes do Governo do Estado, da presidência da Portos do Paraná e do sindicato dos trabalhadores. Neste dia, a empresa pública divulgou que a proposta foi concretizada após estudos realizados por uma consultoria especializada, em conjunto com comissões internas, respeitando a capacidade financeira da instituição.
“A Portos do Paraná e o Governo do Paraná trabalham não apenas para melhorar as condições operacionais do porto, mas também olhando para aqueles que fazem o porto acontecer. Havia uma luta de quase três décadas por um plano de cargos e salários modernos. Com isso, criamos uma perspectiva de uma vida profissional longa. Depois de muito estudo, conseguimos chegar a este dia e entregamos hoje aos funcionários esse projeto concluído”, destacou o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia.
O QUE MUDA
Pelo projeto aprovado no Conselho de Administração (Consad), alguns grupos de empregados terão readequação salarial, enquanto todos os demais concursados garantirão progressão horizontal, com acréscimos anuais e quinquenais, após a realização de avaliação. Também haverá gratificação por titulação acima da exigida para o cargo, desde que o diploma tenha sido obtido após 2020.
Ainda na solenidade de assinatura do novo PCS, foi informado que a implantação do plano teria início já no começo de 2026, com o chamamento individual de todos os contemplados para a assinatura do termo de aceitação, mas não é o que tem acontecido. O JB Litoral foi procurado por trabalhadores que afirmam que o cenário permanece o mesmo, sem que o PCS tenha sido implementado.
A reportagem procurou a Portos do Paraná para saber o que falta para que os trabalhadores comecem a ser chamados e aguarda retorno.