Pouco mais de um ano após anunciar recorde de movimentação em 2024, o Porto Ponta do Félix, em Antonina, integrante do Grupo FTSPar, entrou para a lista das companhias abertas consideradas inadimplentes pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Isso significa que o porto não está em dia com as exigências do processo de transparência da autarquia federal.

As 19 companhias não enviam, há no mínimo três meses, pelo menos um dos seguintes documentos periódicos:
- Formulário de Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP);
- Formulário de Informações Trimestrais (ITR);
- Formulário de Referência (FRE).
No documento, a SEP alerta investidores e o público em geral sobre a importância de considerarem essas informações em suas relações com as companhias citadas ou em suas decisões de investimento, uma vez que, de acordo com o art. 57 da Resolução CVM 80, “a SEP deve suspender o registro de emissor de valores mobiliários caso um emissor descumpra, por período superior a 12 meses, suas obrigações periódicas, nos termos estabelecidos por esta Resolução”, afirma a autarquia no texto divulgado há um mês.
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Para o investidor, a ausência desses documentos funciona como “andar no escuro”. Sem o ITR ou o DFP, por exemplo, não se sabe a real saúde financeira da empresa, seu nível de endividamento ou a capacidade de geração de caixa em um momento de juros sensíveis.
Na lista, além do Porto Ponta do Félix S/A, constam outras 18 companhias abertas que não apresentaram, até 5 de março de 2026, os documentos com vencimento de entrega anterior a 5 de dezembro de 2025, entre elas seis em estágio de Recuperação Judicial:
- 2W Ecobank S/A; Bombril S/A; Cia Tecidos Santanense; Paranapanema S/A; a telefônica Oi S/A.; Rossi Residencial S.A. e a têxtil Teka Tecelagem Kuehnrich S/A.
As demais são: Ambipar Participações e Empreendimentos S.A; Arandu Investimentos S.A; Auzza Securitizadora S/A; BRB Banco de Brasilia S/A;
Cia Industrial Schlosser S/A; Environmental ESG Participações S/A; Hospital Care Caledonia S/A; K-Infra Rodovia do Aço S/A; Natura & CO Holding S/A; Refinaria Pet Manguinhos S/A; e Sequoia Logística e Transportes S/A.
Não fazem parte da lista as companhias que estejam, segundo o cadastro da CVM, em situação de falência ou liquidação, bem como aquelas que estão com o registro suspenso, nos termos da Resolução CVM 80.
DO RECORDE À LISTA DE ALERTA FINANCEIRO
A inclusão do Porto Ponta do Félix na lista é um sinal de alerta, mas não gera punição às companhias citadas neste estágio, o que só ocorre caso haja o descumprimento das obrigações por 12 meses ou mais, com a cassação do emissor de valores mobiliários. A medida faz com que as empresas fiquem impedidas de seguir negociando na bolsa.
A “lista de inadimplentes” foi divulgada um ano e dois meses após o Ponta do Félix anunciar, em janeiro de 2025, que movimentou 2 milhões de toneladas ao longo de 2024, um aumento de quase 50% em relação a 2023.
Fertilizantes a granel, produtos em big bags, açúcar VHP a granel, açúcar ensacado, malte, pellets de madeira, trigo e farelo de soja estão na lista dos produtos movimentados que alavancaram o crescimento anunciado à época.
Ainda segundo relatório divulgado pela companhia, em 2024, os investimentos totalizaram R$ 15,9 milhões, “direcionados principalmente para obras de expansão, construção de armazéns para fertilizantes, aquisição de equipamentos de informática, maquinários, infraestrutura e aprimoramento dos sistemas de segurança”, afirmou o porto no relatório divulgado há um ano, em 14 de abril de 2025.
Fontes ligadas à movimentação do terminal, que preferiram não ter a identidade revelada, afirmam que as dificuldades financeiras já acarretaram cortes de postos de trabalho e geram incertezas sobre a manutenção dos empregos atuais.
Procurado pelo JB Litoral, o Porto Ponta do Félix não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.