Puxada pelas exportações, movimentação geral dos portos paranaenses cresce 4% de janeiro a julho

Soja em grão, farelo de soja, milho e açúcar. Eles são as estrelas dos granéis sólidos, responsáveis pela maior parte da carga embarcada para exportação pelo porto de Paranaguá. E foi justamente o índice de exportação dos granéis sólidos que mais se destacou no balanço geral de movimentação portuária, de janeiro a julho deste ano.
O levantamento divulgado pela empresa pública Portos do Paraná, na última quarta-feira (16), dá conta que a movimentação nos portos de Paranaguá e Antonina chegou a 36.060.696 de toneladas no período, o que representa crescimento de 4% nas operações portuárias, em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram movimentadas 34.576.652 de toneladas.
Para se ter uma ideia da importância dos granéis sólidos no resultado do acumulado, o segmento teve alta de 16% nos primeiros sete meses do ano, com 17.192.572 toneladas, enquanto no mesmo período anterior foram 14.734.867. Os responsáveis pelo sucesso:
- De soja em grão foram 8.478.722 toneladas (+15%);
- O farelo de soja somou 3.787.035 toneladas (+9%);
- O milho, 2.585.082 toneladas (+21%);
- E o açúcar a granel, 2.238.920 toneladas (+28%).
China é a maior importadora de soja em grão. Holanda, França e Coreia do Sul estão entre os países que mais importam farelo de soja pelos portos paranaenses. E o milho sai daqui, tendo como destinos principais o Irã, Japão e Coreia do Sul.
Aumento também nos granéis vegetais e líquidos
Segundo a Portos do Paraná, somente no Corredor Leste de Exportação do porto de Paranaguá foram movimentadas 12.975.534 toneladas de granéis vegetais, o maior volume já registrado pelo complexo e um novo registro histórico, mantendo-o entre as lideranças do país na exportação do segmento. A marca anterior era de 2020, com 12.924.748 de toneladas embarcadas de janeiro a julho.
“Os números demonstram uma alta considerável nas exportações de todos os produtos desse segmento no porto de Paranaguá. Esse aumento permitiu que marcas históricas fossem superadas”, destaca o diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.
Os granéis líquidos também se destacaram, com alta de 21%. A movimentação foi de 5.534.343 toneladas, frente às 4.576.695 registradas em 2022. Os principais líquidos exportados foram derivados de petróleo e óleos vegetais. Já a exportação de veículos cresceu 12%, com 34.855 veículos embarcados.
De acordo com a empresa pública, os bons números dos segmentos citados foram registrados mesmo com as condições climáticas adversas no mês de julho. A métrica é bastante utilizada no setor porque inviabiliza algumas operações de embarque e desembarque de granéis sólidos. No último mês, dos 31 dias, o período de paralisação provocado pela chuva chegou a 8,4 dias, quase o dobro do mesmo período em 2022, quando as operações portuárias ficaram paralisadas por 4,3 dias.
Além disso, os portos paranaenses registraram 1.468 atracações de janeiro a julho. O número é 5% maior em relação às 1.400 manobras executadas no mesmo período do ano anterior. Já a movimentação de caminhões no Pátio de Triagem chegou a 291.442 no período, número 14% superior aos 255.909 veículos que passaram pela classificação de grãos nos sete primeiros meses de 2022.
Para manter o crescimento
No mesmo dia em que saiu o balanço portuário paranaense, foi divulgado em Brasília que os três estados do Sul pediram ao Ministério da Agricultura para alterar os seus calendários de plantio da soja, delimitado pela pasta. Um parecer técnico encaminhado pelos estados defende que estabelecer um período de 100 dias consecutivos para a semeadura é uma medida arriscada, diante das variações climáticas e de condições de solo para o plantio e que é necessário aumentar a janela por uma questão fitossanitária.
No Paraná, que é o segundo maior produtor de soja do país, a janela desta safra ficou 43 dias mais curta em relação à temporada passada, trazendo impactos como crescimento de focos de ferrugem. A sugestão dada pelo estado foi de que o Ministério retome o calendário da safra passada, com autorização para plantio entre 11 de setembro e 31 de janeiro. Porém, o governo estadual afirma que é pioneiro na adoção de práticas de controle da ferrugem e que o pedido de uma janela mais elástica não vai interferir nos cuidados a serem tomados.
