Secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários ressalta o protagonismo do Porto Dom Pedro ll: “um ativo de todos os brasileiros”

Profundo conhecedor do Porto de Paranaguá, o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), Alex Sandro de Ávila, conversou com o JB Litoral e fez uma análise da importância do porto paranaense nos cenários regional e nacional. Ávila, que é parnanguara, pontuou o que faz o Porto Dom Pedro ll ser único.
JB Litoral – Como o senhor avalia o Porto de Paranaguá no contexto nacional? Em quais aspectos ele se diferencia dos demais?
Alex Ávila – O Porto de Paranaguá é um ativo de todos os parnanguaras, todos os paranaenses e, porque não, de todos os brasileiros. Estamos falando do maior exportador de soja de nosso país. Nos últimos anos, há uma discussão muito relevante sobre um tema que contempla todos nós, que é a segurança alimentar. É muito comum ver esse tema ser tratado em fóruns onde se fala de infraestrutura, fornecimento de alimentos e faz-se uma conexão com o futuro. E, quando se trata do tema de logística para transportar alimentos de um lado do mundo para várias outras partes, o Porto de Paranaguá se destaca. Isso é indiscutível. Temos sim outros portos em nosso país que se destacam pela relevância em muitos aspectos, mas o Porto de Paranaguá possui peculiaridades que lhes são muito específicas, e isso é fruto de todos os anos de participação do porto na balança comercial do Brasil. Quando analisamos os dados e vemos que os portos paranaenses estão destacados na liderança em movimentação de cargas como fertilizantes, soja, proteína animal, e percebemos que todos esses produtos são parte de uma cadeia que trata de alimentos, percebemos a relevância que nosso porto
possui a nível mundial.
JB Litoral – E no cenário regional, qual a importância do Porto de Paranaguá para a região Sul do país?
Alex Ávila – O contexto portuário de nosso país, se olharmos o mapa do Brasil, é muito bem definido. Temos um contexto no Arco Sul do País, e temos um contexto no Arco Norte. Para facilitar, vamos deixar nossa análise somente nestas duas macrorregiões. Os portos do arco Sul do Brasil já são muito bem consolidados e têm muito bem definidas as suas especialidades, já os portos da região Norte estão em pleno desenvolvimento.
Considerando a análise de separar o país em duas regiões; na região Sul temos os portos do Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, portos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Hoje, esses portos são os principais canais de movimentação de cargas como minério de ferro (boa parte acontece por Itaguaí, no RJ), cereais (Santos, Paranaguá, portos de SC e do RS) e fertilizantes – toda a região Sul recebe os principais volumes, sendo que Paranaguá lidera a movimentação nacional de descarga de fertilizantes.
Com esse cenário, podemos considerar que os nossos portos, já com desenvolvimento avançado, no caso do Arco Sul do País, têm mais representatividade em movimentação de cargas e carregam a maior fatia dessa relevância. Por outro lado, o maior potencial disponível (áreas greenfields) está localizado na região Norte e Nordeste.
E, nesse cenário todo, Paranaguá tem vanguarda em muitos aspectos. É o maior movimentador de soja, fertilizantes, proteínas (congelados) e foi o primeiro a conquistar a autonomia de gestão com a delegação de competências. Então, é natural que o porto sirva de bom modelo e exemplo para os demais.

JB Litoral – O Moegão pode ficar pronto até o final deste ano, segundo o cronograma de obras. Como o senhor avalia os investimentos que fortalecem o modal ferroviário integrado ao porto para o transporte de cargas?
Alex Ávila – O modal ferroviário é algo que o Governo Federal incentiva o desenvolvimento. Tanto que nos modelos de arrendamentos que estamos desenvolvendo, sempre que possível, buscamos fomentar a utilização do modal ferroviário, pois há muitos benefícios: menos poluição ao meio ambiente, menor custo logístico e mais assertividade na programação das chegadas e saídas de cargas.
O projeto do Moegão é o maior investimento público em infraestrutura ferroviária portuária em andamento, e já serve como um “case” para nossas discussões na Secretaria de Portos. A iniciativa é muito boa, tem aderência ao planejamento de expansão do Porto. Os projetos com os novos arrendamentos são outra conexão desse projeto. Com novos ativos para aumentar a capacidade do porto para movimentação de cargas, é necessária a modernização de sua infraestrutura de recepção de produtos, pois tudo precisa estar devidamente alinhado para performar de forma adequada e atender aos grandes volumes que o porto já recebe, e irá continuar recebendo ao longo dos anos. Pois, à medida que o porto está investindo e modernizando o modo de transporte ferroviário, é natural que os terminais conectados ao Corredor de Exportação acompanhem essa modernização e melhorias, e também devem fazer aprimoramentos.
Todo o conjunto é muito benéfico para toda a cadeia logística, em especial do agronegócio. Como eu já disse várias vezes, o Porto de Paranaguá é uma ferramenta de extrema importância para o escoamento da safra agrícola de nosso país, e serve para contribuir com a chegada de alimentos para vários locais no mundo.
JB Litoral – Projetos e investimentos do Governo Federal para o segmento: tem algo previsto?
Alex Ávila – Para poder responder de forma adequada esse tema, preciso voltar um pouco no tempo. Desde o início da atual gestão no MPOR, o ministro Silvio Costa Filho nos cobra muito o planejamento das ações, e também o cumprimento dos cronogramas. Na pasta de Portos temos um tema muito interessante a todos que se envolvem, de alguma forma, com a infraestrutura. No caso, me refiro aos leilões portuários para podermos aumentar a capacidade de nossos portos, e também elevar o nível de serviço portuário de nosso País. Isso não representa apenas o reflexo dentro de casa, mas também tem muita relação com nossa atratividade a nível internacional.
Digo isso tudo porque temos, considerando o início de 2023 até fim de 2026, uma carteira de 60 leilões as serem feitos. Essa é a nossa intenção e a nossa agenda. Dos 60, já entregamos 18, temos ainda 42 para serem realizados, e iremos dedicar toda nossa energia e empenho para entregar essas 42 oportunidades ao mercado privado.
Esse ano faremos 21 e em 2026 teremos mais 21 leilões. Para abril já temos agenda. Estamos com quatro leilões marcados para serem feitos em 30 de abril e estamos avaliando se cabe incluir mais uma área para fazer um lote com cinco projetos para os privados apresentarem suas propostas.
Um fato que foi muito debatido em nosso planejamento no MPOR é como atender e preparar nossos portos para dar cumprimento à agenda do agronegócio. E, por conta disso, quando analisar nossa carteira, é perceptível o destaque para esse segmento, mas digo isso a nível de cadeia logística: 33% de nossos leilões são dedicados ao agronegócio. São projetos para granéis de exportação e também importação (no caso das importações tanto de cereais quanto de trigo, malte, cevada e fertilizantes).
Quando conseguirmos concluir todos esses leilões, estaremos preparando nossos portos para dar atendimento aos volumes que estão sendo projetados para os próximos anos. Naturalmente, isso não é uma solução definitiva, e o setor terá suas ferramentas de planejamento constantemente atualizadas e continuará trazendo novas oportunidades para expandir as capacidades de infraestrutura portuária. Mas, com toda certeza, o que se leiloa hoje é muito importante, e começa a apresentar resultados, conforme os privados forem avançando com os investimentos, no curto e médio prazo, e contribui muito para a melhorias e elevação do nível de serviço de nossos portos.
