Obras anexas ao Hospital Regional do Litoral seguem paralisadas e passarão por nova licitação


Por Gabriela Perecin Publicado 29/09/2025 às 16h31

Duas obras aguardadas para melhorar o serviço de saúde em Paranaguá estão paralisadas por problemas apresentados durante a execução dos serviços: a Maternidade Maria de Lourdes Elias Nunes e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Ambas as construções e readequações estão anexas ao Hospital Regional do Litoral (HRL), referência para os sete municípios da região.

Obras da Maternidade e do AME foram anunciadas em abril de 2022. Foto: FUNEAS
Obras da Maternidade e do AME foram anunciadas em abril de 2022. Foto: FUNEAS

As estruturas foram anunciadas em abril de 2022 pelo Governo do Estado do Paraná. Para a maternidade, estavam previstos 23 leitos de enfermaria e 5 quartos de pré e pós-parto, equipados para receber e acompanhar a gestante. O projeto da reforma da maternidade totaliza 1.685 m² de área construída.

Já para a construção do Ambulatório Médico de Especialidades do Litoral (AME), na antiga Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, o projeto inicial contava com 15 consultórios, Núcleo de Fisioterapia e área administrativa. A expectativa do Governo do Estado é de realizar 10,4 mil atendimentos especializados no litoral paranaense.

Maternidade

Contrato com a empresa responsável pelas obras da maternidade do HRL foi encerrado em agosto de 2025. Foto: Funeas
Contrato com a empresa responsável pelas obras da maternidade do HRL foi encerrado em agosto de 2025. Foto: Funeas

A empresa contratada para a ampliação e adequação da Maternidade Maria de Lourdes Elias Nunes foi a Matt Construtora de Obras LTDA. O valor inicial foi de R$ 6.990.136,30, em agosto de 2023 e, devido aos aditivos referentes aos serviços, a empresa teve o contrato encerrado em agosto de 2025, recebendo R$ 8.659.624,81 no total.

As obras de construção da maternidade tiveram três aditivos contratuais. O primeiro foi em 18 de março de 2024, no valor de R$ 323.887,27 para custeio de material e mão de obra. O segundo aditivo ocorreu em 27 de junho de 2024, que autoriza a prorrogação do prazo de execução do contrato pelo prazo de 300 dias, sem acréscimo de valores. O terceiro e último termo aditivo no contrato com a empresa é de 30 de julho de 2024, no valor de R$ 1.345.601,24, totalizando 19% de acréscimo total do valor da obra em questão.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio da Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas), informou os motivos que levaram ao encerramento do contrato com a empresa responsável pelas obras da maternidade do HRL.

“Durante a execução, a contratada recebeu diversas notificações por falhas técnicas, problemas na execução e descumprimento de prazos. Os pagamentos foram realizados dentro da legalidade, com base nas medições dos serviços efetivamente prestados”, informou a Sesa.

Devido ao não cumprimento das obrigações contratuais e do cronograma, a obra foi paralisada. A Secretaria também destacou que as equipes técnicas da Funeas estão finalizando o diagnóstico do saldo da obra, com atualização do projeto e das planilhas orçamentárias. A intenção é publicar um novo edital de licitação, após esse levantamento, para contratar outra empresa para continuar a obra. “Atualmente, a obra está em fase final”, declarou a Sesa.

Ambulatório Médico

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Um novo edital de licitação também deve ser publicado para a conclusão do AME. Foto: FUNEAS

Quanto ao AME, a Sesa, ainda por meio da Funeas, informou que a empresa contratada inicialmente para a ampliação e readequação do espaço não atendeu às obrigações contratuais e ao cronograma previsto. Por isso, os serviços também foram paralisados. “Com o término da vigência contratual, a Sesa instaurou os procedimentos administrativos cabíveis para formalização da rescisão”, divulgou a pasta.

Conforme a Secretaria, assim como as reformas da maternidade, as equipes técnicas estão concluindo o diagnóstico do saldo de obra, com atualização do projeto e das planilhas orçamentárias referentes à construção do AME. Um novo edital de licitação também deve ser publicado para a conclusão dos serviços.

O contrato para as obras de ampliação e adequação do Ambulatório Médico de Especialidades também foi finalizado em 24 de agosto de 2025, pela mesma empresa responsável pela maternidade. O valor contratado inicialmente foi de R$ 6.961.105,21 e a empresa deixou os serviços recebendo, no total, R$ 8.032.565,19, devido aos aditivos.

O primeiro termo aditivo do contrato para construção do AME foi assinado em 20 de março de 2024, com acréscimo de R$ 612.723,85 para pagamento de material e mão de obra. O segundo termo aditivo data de 30 de julho de 2024, no valor de R$ 458.736,13, com a mesma justificativa.

Com isso, no acumulado das duas obras foram aplicados mais de R$ 16 milhões em recursos públicos no período de dois anos (agosto de 2023 a agosto de 2025) e as obras não foram entregues à população.

O JB Litoral questionou a Sesa se haverá alguma penalidade para a empresa pelo não cumprimento do contrato, mas a Secretaria não respondeu até o fechamento desta edição.

Outras obras no Paraná

A Matt Construtora de Obras LTDA. é responsável por outras obras no Paraná pelo Governo do Estado. Entre elas, a construção do Colégio Estadual Interventor Manoel Ribas, no município de Santo Antônio do Sudoeste (contrato firmado em 2025 com investimento inicial de mais de R$ 12 milhões) e, ainda, a execução de obra do bloco 3 da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná), em Campo Mourão (contrato de 2024 com aplicação de mais de R$ 1 milhão de recursos públicos).

Ministério Público acompanha o caso

Em julho deste ano, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Paraná (MPPR), Francisco Zanicotti, esteve no Hospital Regional acompanhado de promotores e de representantes da Sesa, além de secretários e secretárias municipais de Saúde dos municípios do Litoral.

Um dos assuntos abordados foi a demora para a entrega da obra da maternidade. O procurador ressaltou, na ocasião, que a maternidade estava quase pronta e que seria entregue dentro de três meses, prazo que se encerraria em outubro.

O Ministério Público do Paraná, por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Paranaguá, enviou uma nota ao JB Litoral explicando que acompanha o tema, tanto da perspectiva da saúde pública como da tutela do patrimônio público, por meio da instauração de procedimento administrativo (MPPR-0103.22.000454-5) e também do envio de recomendação administrativa expedida pela Promotoria de Justiça.

Obras finalizadas

Na última terça-feira (23), o Governo do Paraná divulgou que concluiu, somente este ano, 52 obras de construções e reformas de novos serviços de saúde em 44 municípios do Estado. Os investimentos, somados, passam de R$ 40 milhões entre Unidades de Saúde, Pronto Atendimento, serviços em prédios do Samu e hospitais. Outras 700 obras estão em andamento, segundo o Executivo Estadual.

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