Sismmap contrata mulher para realizar diária e se surpreende com história

por Jéssica Fernandes
08/03/2021 19:12 (Última atualização: 3 dias atrás)

Sabe aquelas histórias que merecem ser compartilhadas? Então, foi isso que o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Paranaguá (Sismmap) pensou ao conhecer um pouco mais sobre a Helen Relinds Otto Florscuk, de 51 anos.

Helen trabalha como diarista e realiza serviços de construção civil. A sua história chamou a atenção das servidoras do Sismmap, que a chamam de “Pereirão”, e elas resolveram usar o seu exemplo de vida para homenagear todas as mulheres neste dia 8 de março.

Luta e conquistas

Após casar muito jovem, com 16 anos, Helen, que atualmente mora no distrito de Alexandra, em Paranaguá, foi morar em Mato Grosso do Sul, onde teve dois filhos e se tornou dona de casa.

Porém, alguns anos depois, acabou se divorciando. “Eu não sabia fazer nada e meu ex-marido não queria pagar pensão. Para não passar necessidade, resolvi fazer jardinagem. Comecei na vizinhança, cobrando pouco, pois não sabia cobrar”.

Segundo ela, seu serviço começou a ser reconhecido. “Comecei a trabalhar para juízes, dentistas”. Ao negar um trabalho por falta de ferramentas e conhecimentos técnicos, seus clientes começaram a lhe ajudar. “Um juiz comprou as ferramentas, outro um curso de jardinagem. Me pagaram cursos de pintura, pedreira, eletricista, encanamento. Tudo para que eu pudesse continuar trabalhando para eles”, diz.

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Ela ressalta que fazia de tudo um pouco e assim ficou por oito anos realizando serviços para juízes, promotores e suas famílias. “Quando eu comecei não sabia dirigir e fazia tudo de bicicleta. Amarrava minhas ferramentas e andava por quilômetros, chegava em casa tarde da noite e super cansada. Tempos depois consegui tirar minha carteira e comprei o meu primeiro carro, era usado, mas foi uma grande conquista”, conta, orgulhosa.

O trabalho não para

Com a morte do seu pai, que morava em Pontal do Sul, ela decidiu voltar para o Paraná. “Não quis mais ficar no Mato Grosso e fui morar em Curitiba. Fiz reparos no Jardim Botânico, acabamentos nos apartamentos do Minha Casa, Minha Vida, mas não aguentei o trânsito de lá e vim para Alexandra”.

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“Sempre priorizei a educação dos meus filhos”, diz. (Na foto: ela com a filha/arquivo pessoal)

Hoje, com 78 cursos profissionalizantes, Helen continua na área de construção civil e com o seu esforço paga a faculdade de medicina da filha. “Além dos serviços de construção, faço faxina, passo roupa, organizo casas, costuro, faço de tudo um pouco. Pois de pouquinho em pouquinho a gente faz muito. Pago parte da faculdade de medicina da minha filha que está no 4º ano, graças a Deus”, completa.

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