Cattalini no centro do esquema de lavagem de dinheiro: MP aponta desvio bilionário


Por Brayan Valêncio e Jessica de Holanda Publicado 30/08/2025 às 21h54 Atualizado 04/05/2026 às 16h27

Direito de Resposta da Cattalini (Lei 13.188/2015)

Informa-se que foi deferido o direito de resposta à CATTALINI TERMINAIS MARÍTIMOS S/A, inscrita no CNPJ nº 75.633.560/0001-82, por decisão proferida pelo Juiz de Direito Dr. Eduardo Ressetti Pinheiro Marques Vianna, da 2ª Vara Cível de Paranaguá/PR, junto aos autos de nº 0008479-88.2025.8.16.0129.

A resposta da empresa foi devidamente colacionada ao final da matéria jornalística, podendo também ser acessada clicando na imagem abaixo:

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A Cattalini Terminais Marítimos S.A., uma das maiores operadoras de terminais de líquidos da América Latina, tornou-se o centro de uma investigação sobre adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e organização criminosa no país. A decisão, assinada pelo juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo, autorizou mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e quebras de sigilo contra dezenas de investigados, incluindo a própria Cattalini.

Cattalini no centro do esquema de lavagem de dinheiro: MP aponta desvio bilionário
A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão envolvendo a Cattalini em investigação do Ministério Público sobre desvio bilionário. Foto: Divulgação

De acordo com o Ministério Público (MP), em documentos obtidos na íntegra pelo JB Litoral, o esquema desviava mais de 10 milhões de litros de metanol importado e desembarcado no terminal paranaense. Embora as notas fiscais indicassem que a carga seguiria para indústrias químicas em estados como Mato Grosso e Goiás, a investigação identificou que caminhões redirecionavam o produto para postos de combustíveis na Grande São Paulo, vinculados a grupos criminosos especializados em adulteração. O desvio incluía fraudes documentais sofisticadas para simular operações legais e camuflar a origem do metanol.

A rota do desvio

Interceptações telefônicas obtidas durante a “Operação Boyle” detalham a rotina de motoristas que, munidos de tickets de pesagem emitidos pelo terminal, retiravam o produto e descarregavam em estabelecimentos clandestinos, que funcionavam como pontos de mistura. Em um caso registrado nas denúncias, cargas destinadas oficialmente à empresa Mannabio, em Primavera do Leste (MT), foram descarregadas no Auto Posto Bixiga, localizado no centro de São Paulo.

Relatórios da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam que, em alguns postos investigados, até 50% da gasolina vendida continha metanol, percentual muito acima do limite legal de 0,5%. O uso da substância em níveis elevados compromete o funcionamento dos motores e está associado a riscos à saúde pública e ao meio ambiente, uma vez que sua liberação na queima de combustíveis pode atingir solos e corpos hídricos.

“Ao que tudo indica, os representados valiam-se de uma rede de pessoas físicas e jurídicas para o transporte de metanol, que era utilizado em desacordo com as normas legais e regulamentares, para fraudar combustível em prejuízo dos consumidores, demonstrando assim a gravidade extrema das condutas praticadas, que coloca em risco à saúde pública, o meio ambiente e a economia, em razão dos atos de lavagem praticados, além da corrupção de agentes públicos, a colocar em descrédito a integridade da própria Administração Pública”, diz a denúncia.

Além do metanol, a investigação identificou a movimentação de outros produtos químicos, como etanol industrial e solventes, que também eram redirecionados de forma irregular para estabelecimentos clandestinos, ampliando a escala do prejuízo econômico e o risco à saúde da população.

Relatório aponta irregularidades que somam bilhões em desvio. Foto: Ministério Púbico de São Paulo
Relatório aponta irregularidades que somam bilhões em desvio. Foto: Ministério Púbico de São Paulo

Estrutura empresarial e financeira

Para dar aparência de legalidade às operações, o relatório das autoridades diz que o grupo utilizava distribuidoras de fachada, emitia notas fiscais frias e movimentava valores por meio de instituições de pagamento alternativas. O BK Bank foi citado como peça central na ocultação de recursos: somente nesse sistema paralelo, foram movimentados R$ 68,9 milhões, segundo a Polícia Federal.

Só no Paraná, 46 postos de combustível de Curitiba e da Região Metropolitana foram alvos da investigação sobre adulteração na qualidade dos combustíveis ou na quantidade indicada na bomba. Não foi divulgado publicamente nenhuma investigação de irregularidade em postos localizados nas cidades do Litoral.

O esquema, segundo a investigação, envolvia importadoras e empresas do setor químico de diferentes estados, criando, nas palavras da Justiça, uma “complexa estrutura criminosa voltada a fraudar o mercado de combustíveis e blindar o patrimônio ilícito”. Em depoimentos, auditores fiscais destacaram que o padrão de fraude indicava planejamento estratégico e coordenação de diferentes núcleos da organização, desde motoristas até diretores de empresas intermediárias.

Decisão judicial e crimes imputados

A decisão judicial autorizou o bloqueio de bens, imóveis e valores de pessoas físicas e jurídicas envolvidas, como forma de evitar dilapidação patrimonial e garantir eventual reparação aos consumidores e ao Estado.

Entre os crimes investigados estão: organização criminosa; adulteração de combustível; crimes tributários; lavagem de capitais; estelionato; crimes ambientais; e crimes contra o consumidor.

O magistrado Guilherme Eduardo Martins Kellner ressaltou que, mesmo sem violência direta, o esquema provoca “grave dano coletivo, corrói a economia formal e compromete a credibilidade da administração pública”. O juiz enfatizou que a atuação criminosa evidencia a vulnerabilidade do setor de combustíveis e a necessidade de fiscalização rigorosa para prevenir que práticas semelhantes se repitam.

Próximos passos da investigação

Com a deflagração das medidas, bens dos investigados poderão ser leiloados em caso de condenação definitiva, revertendo recursos para reparação de danos coletivos. Obras de arte, imóveis, veículos e ativos de luxo estão entre os itens passíveis de confisco.

Apesar de ter tornado pública essa primeira etapa da operação, os processos e demais fases das investigações seguem em sigilo.

Procurada, a Cattalini Terminais Marítimos S.A. divulgou nota reforçando que colabora com as investigações, que seus serviços são restritos ao recebimento, armazenagem e expedição de granéis líquidos e que segue com as operações em normalidade.

Bem como foi determinada a publicação do seguinte direito de resposta:


A Cattalini Terminais Marítimos vem a público manifestar sua absoluta indignação
e repúdio à reportagem publicada pelo portal JB Litoral, no dia 30 de agosto de
2025, intitulada “Cattalini no centro do esquema de lavagem de dinheiro: MP
aponta desvio bilionário”, que de forma totalmente desvirtuada, tenta associar o
nome da Companhia a atividades criminosas e investigações das quais não faz
parte.

Lamenta-se não ter o veículo tomado a diligência básica do jornalismo de checar
os fatos e buscar esclarecer e informar-se com a Cattalini antes de editar e
publicar a matéria.

Reafirmamos com veemência:
A Cattalini Terminais não teve bens sequestrados, não teve seu sigilo quebrado,
tampouco é ou foi considerada “centro” de qualquer esquema ou de qualquer
operação policial ou do Ministério Público, conforme alegado de maneira leviana
na referida matéria.

A empresa não comercializa, importa, industrializa ou adquire quaisquer
produtos. Atua exclusivamente como terminal logístico, prestando serviços de
recebimento, armazenagem e expedição de granéis líquidos de titularidade e
responsabilidade de seus clientes, que são detentores legais do produto e
responsáveis por sua origem, destinação e conformidade com as legislações
vigentes.

Durante a operação conduzida por autoridades federais no dia 28 de agosto, a
Cattalini, na qualidade de elo importante da cadeia de abastecimento nacional do
metanol, colaborou integralmente, prestando todas as informações solicitadas
com absoluta transparência, como sempre fez ao longo de mais de quatro
décadas de atuação íntegra e comprometida com a legalidade, em estrita
conformidade com a regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), Receita Federal e demais órgãos governamentais.
A Cattalini não teve bens aprendidos ou de qualquer modo constritos, nem sigilo
quebrado, como errônea e apressada divulgação ao público na matéria em
questão.

As afirmações publicadas pelo JB Litoral são sensacionalistas, distorcidas,
inverídicas e prejudiciais à imagem de uma empresa que construiu sua trajetória
pautada pela ética, conformidade regulatória e respeito à legislação.
Reiteramos nosso compromisso com a verdade, com a legalidade e com a
sociedade, reafirmando que a Cattalini jamais compactuou ou compactuará com
qualquer conduta ilícita. Seguiremos atuando com seriedade e responsabilidade,
como o fazemos há 44 anos.

Cattalini Terminais Marítimos

Também disponível: Direito de Resposta da Cattalini (Lei 13.188/2015)

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Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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