Conselho Regional dos Secretários Municipais de Saúde defende mudança da regulação do SAMU para Curitiba
Posicionamento do CRESEMS foi divulgado após protestos dos profissionais do serviço na Câmara Municipal e postagem de presidente da Casa Legislativa
Desde o último mês de janeiro, o JB Litoral vem noticiando as mudanças realizadas desde que a nova diretoria do Cislipa (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná) assumiu o controle da entidade, entre elas a transferência da central de regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU Litoral –, que ainda funciona em Paranaguá, para Curitiba. Na prática, qualquer morador dos sete municípios da região que chamar o serviço pelo número 192 falará com um atendente que estará na capital.

A alteração, aprovada pela maioria dos Municípios que compõem o consórcio, acarretará no encerramento de postos de trabalho, uma vez que a central conta com profissionais como médicos especialistas em atendimentos de urgência e emergência, profissionais de enfermagem e radio-operadores. Colaboradores do SAMU que não concordam com a mudança protestaram na Câmara de Paranaguá, na última terça-feira (1º), onde foram recebidos por vereadores, munidos de faixas e cartazes.
“Há uma preocupação justificada de todos eles com relação à pretensão da Secretaria de Estado da Saúde de mudar a sede do centro de regulação, onde são feitas as triagens, os primeiros atendimentos para a população que precisa desse serviço do SAMU”, disse o presidente da Câmara, Adalberto Araújo (Republicanos).
“Agora você imagina, se fala: rua 33, Ilha dos Valadares. Será que a pessoa que tá lá [na capital] vai entender? A gente vai lutar, procurar deputados estaduais, conversar com prefeitos, com autoridades do próprio Estado para reverter essa situação”, completou.
CONSELHO DEFENDE MUDANÇA
Após a repercussão do protesto, o Conselho Regional de Secretarias Municipais de Saúde do Litoral do Paraná (CRESEMS Litoral) se posicionou por meio de nota. O documento é assinado pela presidente da entidade, que também é secretária de Saúde de Pontal do Paraná, Michele Straub. Segundo o texto, nenhuma atividade do SAMU será suspensa na região.
“Além disso, esclarecemos que a transferência da regulação atende a uma demanda de organização do próprio Sistema Único de Saúde. É inverídico afirmar que se trata apenas de uma questão de economia; trata-se, na verdade, de uma otimização dos recursos, ampliando ainda mais a oferta de serviços e implementando a política de saúde como deve ser: em rede”, afirma.
O COMSEMS também ressalta que, com a regulação sendo realizada em Curitiba, os cidadãos do Litoral passariam a ter acesso não apenas à estrutura de saúde disponível na região, mas também o acesso facilitado aos serviços de saúde da capital e da Região Metropolitana.
“Reforçamos que o argumento sobre a dificuldade de compreensão ou desconhecimento dos locais ou endereços dos usuários é uma realidade rotineira enfrentada pelas centrais de regulação em todo o Estado do Paraná e no Brasil. Além disso, a regulação de Curitiba atende 38 municípios de duas regiões de saúde (Metropolitana e União da Vitória), com diferentes condições e realidades geográficas, incluindo cidades de grande e pequeno porte, áreas rurais e locais afastados, entre outras”, defende Straub.
O documento garante, ainda, que o atendimento nos endereços será realizado pelas mesmas equipes do SAMU, que permanecerão em suas bases, com o conhecimento acumulado e local da região.
