Escola sexagenária está interditada e vereadores pedem que unidade não seja fechada, em Paranaguá
Localizada na esquina da Rua Dídio Costa, com a Avenida Bento Rocha, na Vila Portuária, ela faz parte da história de gerações de parnanguaras. Inaugurada em 1965, a situação da sexagenária Escola Municipal Professor Randolfo Arzua foi assunto debatido no plenário da Câmara de Paranaguá, no início da semana passada. Em sessão ordinária realizada no último dia 14, os vereadores aprovaram por unanimidade o Requerimento 99-2025, de autoria de Welington Frandji (PODE).

No documento, o parlamentar solicita o compromisso da Administração Municipal pelo não fechamento, no futuro, da Escola Municipal Prof. Randolfo Arzua.
“Ainda que seja necessária a transferência de endereço, considerando a caracterização do zoneamento”, diz o texto.
Preservar a história
Antes de ser colocado em votação, o requerimento foi defendido pelo autor e outros vereadores.
“Hoje, a escola está funcionando de forma provisória em outra unidade escolar, então, é um momento de pensarmos em preservar a história dessa escola que faz parte da formação da nossa sociedade, ao longo de seis décadas. Investir em educação é investir em uma sociedade justa e plena“, defendeu Welington Frandji.
Para a vereadora e ex-secretária municipal de Educação, Tenile Xavier (PSD), é fundamental preservar a história da instituição, porém, prezando pela segurança de alunos e servidores.
“É uma região em que a expansão de tanques, da parte industrial, está tomando conta. Acredito que o termo de não fechamento é em reconhecimento à história da escola, nem que ela vá funcionar em outro endereço, pois é uma escola que fará 60 anos na metade do ano. O meu voto favorável pelo não fechamento é para que possamos manter a história, os profissionais que ali trabalham, mas claro, a segurança de todos é prioridade”, destacou Tenile.
Já o vereador Edu (Eduardo Francisco – PODE) ressaltou ser insustentável manter a escola no mesmo local, devido à movimentação portuária e ao estado das instalações.
“A precariedade é tamanha que colocar qualquer aluno dentro do educandário, como ele está, é uma irresponsabilidade muito grande. Vossa excelência pede para o não fechamento, mas é insustentável manter as crianças naquele local”, disse.
“Mas nós poderíamos pensar em um lugar novo, como o que fica ao lado do CMEI da Vila Cruzeiro, ou o colégio Hugo Pereira Correia, que tem espaço suficiente para a construção de novas salas e mais estrutura. Nós já sabemos que a escola vai fechar. Construir uma nova lá é inviável pela localização, ali passam mais de 4 mil caminhões por dia”, completou Edu.

O que diz a Prefeitura
O JB Litoral conversou com a secretária de Educação de Paranaguá, Fabíola Soares Arcega. Segundo a responsável pela Secretaria de Educação e Ensino Integral (Semedi), a “Prefeitura de Paranaguá reafirma seu compromisso com a educação e com a segurança das crianças da rede municipal de ensino, e trata com seriedade e responsabilidade todas as ações relacionadas ao ensino infantil no Município.”
Fabíola detalhou que, em janeiro deste ano, a Semedi efetuou avaliação técnica completa das condições estruturais dos 75 estabelecimentos da rede municipal.
“Referente à situação da Escola Municipal Randolfo Arzua, pode-se contar com a colaboração da Defesa Civil. Com base nos laudos, que apontaram risco à segurança dos alunos em algumas unidades, a Prefeitura decidiu pela interdição dos prédios comprometidos — entre eles, a Escola Municipal Professor Randolfo Arzua, localizada na Vila Portuária.”
Segurança do local e realocação de estudantes
Ainda de acordo com a secretária de Educação, a escola segue fechada, com a segurança patrimonial sendo realizada por equipes da Guarda Civil Municipal (GCM).
“A estrutura, comprometida e sem manutenção apropriada há muitos anos, não oferece as condições necessárias, conforme a Defesa Civil. Portanto, requer solução definitiva e não apenas manutenção”, explicou Fabíola, sem detalhar se a escola será reconstruída no mesmo local ou em outro ponto da cidade.
O prédio interditado possui oito salas de aula, além de setores administrativos, cozinha, refeitório e cancha para a prática de esportes. Fabíola Arcega também contou ao JB Litoral que todos os equipamentos foram removidos da escola e, até a interdição, a unidade atendia 70 alunos que foram realocados para a Escola Municipal Hugo Pereira, situada no bairro vizinho, Porto dos Padres.
“Familiares e responsáveis dos alunos da Escola Randolfo Arzua que optaram por atendimento na escola em tempo integral foram direcionados à Escola Presidente Costa e Silva. Os que optaram pelo atendimento parcial foram alocados na Escola Hugo Pereira, assim como a equipe gestora, docentes e demais servidores”, detalhou.
O futuro da Randolfo Arzua
A secretária de Educação defendeu, ainda, que o modelo atual atende às necessidades dos alunos, neste momento.
“A Prefeitura, por meio da Semedi, segue em tratativas para implantar soluções que atendam às atuais necessidades e a expansão constante da rede. A Prefeitura também aguarda a conclusão de um estudo técnico, em andamento, que orientará a decisão quanto à reforma do prédio ou à transferência definitiva dos alunos para outras unidades da rede”, concluiu.

