Prefeitura de Antonina propõe extinguir cargos obsoletos e terceirizar atividades-meio


Por Flávia Barros Publicado 04/05/2025 às 11h16

Há poucas décadas, era comum fazer cursos de datilografia ou para operar centrais telefônicas. Antes disso, aprendia-se ofícios como o de calceteiro — profissional responsável por fazer calçadas de pedras portuguesas (petit-pavé) e calçamentos com paralelepípedos. Porém, com a evolução das tecnologias e o surgimento de novas demandas, algumas profissões acabaram sendo extintas.

Com pouca demanda, o cargo de calceteiro pode ser extinto e terceirizado, como propõe a Prefeitura para modernizar a gestão.
Com pouca demanda, o cargo de calceteiro pode ser extinto e terceirizado, como propõe a Prefeitura para modernizar a gestão. Foto: (Fotos: eB, 26-09-2019)

Na última semana, um Anteprojeto de Lei de autoria da Prefeitura de Antonina tem causado polêmica e sido alvo de postagens com notícias falsas a respeito do texto, nas redes sociais. De acordo com o documento, alguns postos efetivos do funcionalismo público serão extintos, conforme forem ficando vagos devido a aposentadoria ou pedido voluntário de desligamento do servidor público. Enquanto outros, que já estão vagos, serão “encerrados”, tais como carpinteiro, atendente de creche, encanador, mestre de obras, soldador e recepcionista.

A PROPOSTA

De acordo com o anteprojeto número 017/2025, ao qual o JB Litoral teve acesso, o objetivo é promover a racionalização da estrutura administrativa da Prefeitura Municipal de Antonina, mediante a extinção de cargos públicos de provimento efetivo atualmente obsoletos ou que deixaram de atender às demandas da Administração Pública contemporânea.

A medida está amparada nos princípios da eficiência, da economicidade, da razoabilidade e da supremacia do interesse público, consagrados na Constituição Federal de 1988, especialmente no art. 37, caput, e nos princípios do Direito Administrativo. A extinção de cargos vagos ou que se tornarão vagos ao longo do tempo permite à Administração adequar sua força de trabalho às necessidades reais do serviço público, evitando gastos desnecessários e otimizando a gestão de pessoal”, ressalta o texto.

O projeto também esclarece que para os cargos em que há servidores ocupando vagas, estes continuarão normalmente no trabalho e não terão prejuízo salarial e seguem com a garantia de plano de cargos e carreiras que o estatuto lhes assegura. Para os cargos em extinção, o Município deixará de realizar concurso público para estas funções cargos e, por isso, já se autoriza a terceirização destes cargos.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Diante das fake news propagadas nas redes sociais, de que a Prefeitura estaria acabando com os concursos públicos e passaria a apenas terceirizar mão de obra, a Administração Municipal se manifestou por meio de nota, divulgada na quinta-feira (1º). Segundo o posicionamento, a atual gestão já abriu dois Processos de Contratação Simplificada – Processo Seletivo Simplificado. O primeiro, na área da Educação, que contratou 20 professores e o segundo, no setor da Assistência social, em andamento e que objetiva contratar cuidadores, assistentes de cuidadores e mãe social, “atendendo assim os princípios da Administração Pública que estabelecem critérios para a contratação de pessoal”, destacou.

Além disso, é importante ressaltar que a equipe de transição da atual gestão, solicitou que o concurso público de n. 001/2022 fosse prorrogado, justamente com o intuito de convocar profissionais aprovados nele. Inclusive, está em trâmite na Câmara de Vereadores, Projeto de Lei que amplia o número de vagas dos cargos de Assistente Social, Psicólogo e Advogado, bem como o Poder Executivo pretende encaminhar Projeto que institui a guarda municipal, que será composta por servidores públicos aprovados em concurso público”, complementou a nota.

CARGOS OBSOLETOS E QUANDO TERCEIRIZAR

Ainda segundo a Prefeitura de Antonina, o que se discute no projeto que tramita na Câmara é a extinção de atividades como telefonista, por exemplo, que se tornaram obsoletas frente à inovação tecnológica.

“Ademais, a terceirização de atividades meio, como calceteiro, traz uma grande vantajosidade para a administração pública, pois, diante da modernização, a pavimentação por pedras irregulares se tornou cada vez mais incomum tendo em nosso município a demanda de manutenção, apenas”, explicou.

Portanto, os ocupantes dos cargos que serão postos em extinção não perderão seus cargos, permanecerão trabalhando, sem qualquer prejuízo de vantagens e progressões até a sua aposentadoria ou pedido de desligamento voluntário.

A extinção de cargos vagos ou que se tornarão vagos ao longo do tempo permite à Administração adequar sua força de trabalho às necessidades reais do serviço público, evitando gastos desnecessários e otimizando a gestão de pessoal. A Administração Pública Municipal se compromete com os princípios constitucionais da legalidade e eficiência, de maneira que abrirá concurso público para as atividades necessárias”, concluiu a nota.

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