Quem vai sentar na cadeira de Ratinho Junior em 2027?


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 27/07/2025 às 16h29

A eleição para governador do Paraná está só no calendário de 2026, mas a corrida já começou nos bastidores e também nos palanques improvisados por todo o estado. Com Ratinho Junior (PSD) impedido de disputar um terceiro mandato, o vácuo de poder abriu espaço para uma disputa antecipada e silenciosa, que vai ganhando forma a cada semana.

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Políticos se articulam para tentar suceder Ratinho Junior (Fotos: Divulgação)

Entre os nomes mais visíveis na largada está o secretário de Estado das Cidades, Guto Silva. De perfil técnico, mas com pegada política, ele tem apostado forte nas redes sociais e multiplicado sua presença em eventos públicos, principalmente no interior. Em vídeos bem produzidos e legendas milimetricamente escritas, Guto tenta colar sua imagem à do atual governo, mostrando resultados e obras entregues. Tem o selo de confiança de Ratinho e aparece como nome “do sistema”, com chancela do Palácio Iguaçu.

Correndo ao lado — ou talvez à frente, dependendo do dia — está o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), velho conhecido da política paranaense. Com trânsito livre entre prefeitos, deputados e caciques partidários, Curi também intensificou sua presença em agendas no interior e, discretamente, tem ampliado sua comunicação digital. Não tem o mesmo apelo midiático de Guto, mas compensa com estrutura, lealdades históricas e leitura afiada do cenário político, além das centenas de prefeitos que certamente caminhariam com ele em uma eventual campanha. Se entrar no páreo, é candidato forte.

Do outro lado da rua, quem também se movimenta é o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins. Em 2022, ele foi o candidato ao Senado pelo bolsonarismo no Paraná e chegou ao segundo lugar, com quase 1,7 milhões de votos. Na última semana, trocou o PL pelo partido Novo, em uma mudança que causou surpresa e ainda é digerida por parte da direita paranaense. A movimentação é vista como tentativa de independência e reposicionamento, já mirando o governo estadual, como expôs publicamente o jornalista em entrevistas recentes. Paulo tenta manter a base conservadora, mas também mira um eleitor mais liberal e cansado da polarização tradicional.

Quem adotou o discurso mais outsider até agora foi Requião Filho, que trocou o PT pelo PDT e assumiu publicamente uma postura crítica tanto a Ratinho Junior quanto a Lula e Bolsonaro. Com esse posicionamento “nem-nem”, ele tenta se apresentar como uma alternativa fora do eixo tradicional. É arriscado, mas pode funcionar se o clima eleitoral de 2026 for de rejeição generalizada aos blocos mais ideológicos. Filho do ex-governador Roberto Requião, que também agora faz parte das fileiras do PDT, ele carrega sobrenome conhecido, discurso afiado e uma base militante fiel, mas ainda restrita.

Enquanto isso, quem corre por fora com muito dinheiro e pouco barulho é Enio Verri, diretor-geral brasileiro de Itaipu. Ex-deputado federal e ex-presidente do PT estadual, ele tem distribuído investimentos em uma lista crescente de municípios do Paraná, principalmente por meio de convênios e repasses para obras estruturantes. A caneta cheia de Itaipu o transforma em um dos nomes mais poderosos do jogo. Se for candidato, ou se bancar alguém, terá influência. Mas, a resistência gritante ao PT no Paraná será um grande Calcanhar de Aquiles.

Já quem não está nada em silêncio é o do senador Sergio Moro (União Brasil). O ex-ministro da Justiça já deixou claro, mais de uma vez, que quer disputar o governo do Paraná. Sem pendências jurídicas no TSE, que tanto abalaram seu início de mandato em Brasília, e livre para concorrer, Moro tem pontuado na liderança das pesquisas e mantém alto nível de reconhecimento entre os eleitores. Com alguns acenos e críticas, como a audiência pública que discutiu a privatização da Celepar, o ex-juiz tem mantido presença firme nas pautas da direita paranaense, se reposicionando como voz “anticorrupção” e alternativa ao grupo de Ratinho. Com a indicação praticamente sacramentada, Moro já se mobilizar pelo interior e busca palaques que o permitam quebrar a hegemonia dos atuais mandatários. Que ele quer ser governador, isso já não é segredo pra ninguém.

E, claro, não dá pra deixar de lado o nome que também aparece muito nas pesquisas: Rafael Greca (PSD). O ex-prefeito de Curitiba já disse publicamente que “só não será candidato se não deixarem”. A fala, repetida em mais de uma entrevista, foi um recado claro: Greca está de olho no Palácio Iguaçu. Com a gestão da capital bem avaliada e tendo feito seu sucessor, além de força na classe política e apelo pessoal em parte do eleitorado, ele pode entrar no jogo em cima da hora, como gosta de fazer. A dúvida é se terá o apoio de Ratinho Junior. Em caso de virar um dissidente, já recebeu sinais de que o Progressistas, de Maria Victoria, Ricardo Barros e Cida Borghetti, estaria disposto a embarcar nessa empreitada.

No fim das contas, todos se movem olhando para a mesma cadeira: a que hoje é ocupada por Ratinho Junior, que tem dito pouco sobre 2026 aqui no estado, mas acompanha cada passo com atenção. Seu apoio será disputado como ouro.

A eleição está longe, mas as cartas já estão na mesa. Quem vai sentar na cadeira do Palácio Iguaçu daqui a dois anos? A resposta ainda está em aberto, mas os movimentos já começaram.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.