Mãe reage à negativa de atendimento na UPA de Matinhos e caso vai parar na polícia
Uma mãe relatou ao JB Litoral que a UPA de Matinhos negou atendimento prioritário ao filho autista, de 5 anos, que estava com o braço imobilizado por uma tala após uma fratura. Adilce Correia afirma ter sido agredida por profissionais ao pedir a realização do curativo no local. O caso terminou em confusão generalizada, interrupção do atendimento e registro de boletim de ocorrência pelas duas partes. Já na Unidade Básica, ela conta que foi bem atendida.

Na segunda-feira (27), a mãe Adilce Correia disse que procurou a UBS após o filho ter colocado um doce dentro da tala.
“Quando vi, resolvi ir no posto de saúde, mas falaram que a tala estava quebrada e que eu deveria procurar a UPA. Demoraram um pouco para atender, eu pedi para ser atendida na prioridade, porque ele é autista. A médica atendeu, falou que não ia mexer na tala porque ela não entendia disso e passou para o médico, que fez a gente ficar esperando mais de uma hora, e o Enzo fica só no colo. Ele nos atendeu e eu falei que tinha que limpar. Ele disse que não era o trabalho dele, que tinha que pedir para uma enfermeira”, contou.
Segundo ela, os dois foram procurar ajuda de uma enfermeira para realizar o atendimento. “Eu fui, peguei meu menino no colo, coloquei a tala no braço dele, comecei a segurar para ele não mexer o braço. Falei com duas enfermeiras, elas falaram que não podiam fazer nada, porque ele não escreveu nada ali para fazerem o curativo”.
A mãe voltou para a recepção para tentar ajuda, mas novamente não teve resposta. “Falaram para mim que o médico não ia me atender, falaram assim: ‘É melhor você ir embora, porque se você der um pio, vou te dar um soco na cara’. Eu respondi: ‘Não vou embora, você pode me dar dez socos’. Chamei uma amiga minha, que pediu para os guardas municipais ajudarem. A partir daí, eu me desregulei, não lembro de mais nada. Só sei que estou machucada aqui porque me bateram”, declarou.
Adilce relata que, assim como o filho, ela tem laudo para o Transtorno do Espectro Autista. Ela se diz indignada com o tratamento que recebeu. “Se fala alguma coisa para o funcionário público, você está desacatando. Mas, eles podem avançar, te bater, o médico pode mandar você ir procurar o particular?”, concluiu a mãe.
O que diz a Secretaria de Saúde de Matinhos
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Matinhos informou que, na noite de 27 de outubro de 2025, por volta das 18h, ocorreu um episódio de agressão física e verbal contra um médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
A Secretaria disse que houve também depredação de patrimônio público, o que resultou em interrupção temporária do atendimento e prejudicou o direito de outros pacientes que aguardavam por assistência médica. Desta forma, foi registrado Boletim de Ocorrência e acionamento das forças de segurança pelos profissionais que atuam na UPA.
“A direção da unidade e a Secretaria de Saúde prestaram todo o apoio ao profissional e reforçam que não serão tolerados atos de violência, desrespeito ou intimidação contra servidores públicos. A Secretaria reafirma seu compromisso com o atendimento humanizado, o respeito aos profissionais de saúde e à população usuária do SUS, e reitera que atitudes dessa natureza serão sempre tratadas com a devida seriedade pelas autoridades competentes”, declarou a Secretaria de Saúde de Matinhos, em nota.
