Bolsonaro preso: era inevitável e não surpreende


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Por Brayan Valêncio Publicado 22/11/2025 às 15h33

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) neste sábado (22) não foi um avião atropelando um tubarão. Foi o fim lógico de uma sequência de violações e tentativas fracassadas de testar os limites das instituições. Bolsonaro foi preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) depois de uma madrugada em que a tornozeleira deu indícios de violação e, para completar, seu filho Flávio Bolsonaro (PL), senador da República pelo Rio de Janeiro, convocou uma vigília de apoiadores em frente à casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, um claro detonador de tumulto político e risco real de mobilização. A Polícia Federal (PF) pediu, Moraes autorizou, e antes das 7h da manhã Bolsonaro já estava na Superintendência da PF, em Brasília.

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Ex-presidente foi preso na manhã deste sábado (22) às vésperas de condenação por golpe de Estado transitar em julgado.

A justificativa formal é preventiva: risco à ordem pública, risco de desobediência às medidas cautelares e risco de fuga. Na prática, é a Justiça dizendo que não dá para conduzir um condenado por tentativa de golpe como se ele fosse um aposentado teimoso que esqueceu as regras do condomínio. Bolsonaro já vinha ignorando limites e, quando a própria tornozeleira aponta comportamento suspeito, não tem muito o que discutir.

É importante lembrar por que chegamos aqui. Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista depois da derrota eleitoral de 2022. Não é uma acusação qualquer. Não se trata de caixa 2, de fala atravessada ou de crime eleitoral menor. É, na visão do Supremo Tribunal Federal, tentativa de ruptura democrática. É, de acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) participar de uma organização criminosa com braço armado. É, de acordo com as condenações, pressionar instituições, alimentar desinformação e testar até onde a máquina do Estado aguentava antes de ceder.

E aí entra a parte mais óbvia e mais incômoda para quem ainda insiste em romantizar o bolsonarismo: todos os cenários para uma fuga estavam dados.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) fugiu do país; a deputada federal Carla Zambelli (PL), condenada por andar armada às vésperas da eleição de 2022, fugiu do país; o deputado federal Alexandre Ramagem (PL), condenado também por tentativa de golpe, fugiu do país. Na sequência o filho senador convoca apoiadores para uma vigília e a tornozeleira eletrônica aponta violações às 0h08.

Se você junta todos esses elementos em um mesmo quadro, qual é a alternativa responsável? Esperar mais? Apostar na boa-fé de alguém que já tentou distorcer as regras do jogo quando esteve no topo do poder? É evidente que não.

A prisão preventiva, neste caso, não é só uma medida legal. É uma medida de contenção democrática.

E aqui entra a parte que muita gente não gosta de ouvir, mas precisa ser dita sem rodeios: Bolsonaro tem, sim, que cumprir parte dessa pena em regime fechado. Nem que seja pouco tempo. Nem que seja simbólico. Nem que seja apenas o suficiente para dar materialidade à condenação.

E o motivo é simples: democracia não pode ser negociada. Você não tenta um golpe e volta para casa para ver série. Você não convoca militares, tensiona a República, ameaça instituições e depois tem tratamento VIP. O custo precisa existir. Precisa ser real. Precisa ser palpável.

O Brasil sempre foi generoso com seus poderosos. A história está cheia de acordos, anistias, viradas de página e tapinhas nas costas. Mas esta é a primeira vez, desde a redemocratização, que um ex-presidente é condenado por tentar subverter a ordem democrática. Se esse momento for tratado com leveza, a mensagem que fica é simples: vale tentar de novo.

Bolsonaro foi preso hoje porque as condições mostraram que ele representava risco. Mas ele foi condenado meses atrás porque representou um risco muito maior. E a soma dessas duas coisas leva a uma única conclusão: não dá para fingir que está tudo bem deixando ele só com tornozeleira.

Regime fechado, nem que seja por um período curto, é o único gesto minimamente proporcional à gravidade do que ele fez e ao que ele tentou fazer. É duro? Sim. É histórico? Sim. É necessário? Também. E, no fim das contas, é simplesmente Justiça.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.