Além da gestão: prefeita e vice-prefeitas do Litoral atuam como rede de apoio a mulheres


Por Gabriela Perecin Publicado 07/03/2026 às 20h49

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, a participação feminina na política brasileira ainda não acompanha a proporção de mulheres na sociedade. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mesmo representando mais da metade do eleitorado, elas ainda são minoria entre os candidatos eleitos.

No Brasil, nas últimas eleições (2024), 15% das candidaturas foram de mulheres e 85% de homens, segundo o TSE. Entre os eleitos, o índice feminino é ainda menor: apenas 13% das vagas foram ocupadas por mulheres.

Entre os sete municípios que abrangem o Litoral do Paraná, há quatro representantes femininas à frente das Prefeituras. Antonina tem a única prefeita mulher; enquanto Paranaguá, Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná elegeram vice-prefeitas no último pleito.

Única prefeita do Litoral

A presença de mulheres em cargos de liderança na administração pública tem fortalecido o atendimento e a representação feminina em Antonina, como afirmou a prefeita Rozane Osaki (PSD). Para ela, a identificação entre mulheres ajuda a criar um ambiente de confiança, especialmente quando procuram apoio nos serviços municipais.

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Rozane Osaki é a única prefeita do Litoral do Paraná. Foto: Divulgação/redes sociais

“Acho que toda figura feminina se sente mais segura quando procura outra figura feminina. Não é uma questão de machismo ou algo contra os homens, mas as mulheres conseguem transmitir segurança umas para as outras”, afirmou Rozane.

Atualmente, a gestão municipal em Antonina conta com seis mulheres à frente de secretarias: Assistência Social, Assuntos Fundiários e Habitação, Educação, Procuradoria-Geral do Município, Secretaria da Mulher e Comunicação. Segundo Rozane, a atuação dessas gestoras tem impacto direto no atendimento à população.

Ela também destacou que, em diversas situações, precisou intervir em defesa de mulheres. “Sou defensora das mulheres. Acho que elas precisam ser bem tratadas e valorizadas, tanto no trabalho quanto em casa, em todos os lugares”, ressaltou Rozane.

Firmeza e responsabilidade

Para a única prefeita do Litoral, ocupar um cargo de responsabilidade na Prefeitura traz desafios, mas também satisfação. “É muito gratificante estar à frente de uma Prefeitura e ter que tomar certas atitudes que, às vezes, exigem firmeza para fazer o que é bom para a cidade e também para a nossa classe de mulheres”, explicou Rozane.

Na avaliação dela, as mulheres que ocupam cargos de gestão na Prefeitura têm compromisso com o desenvolvimento do município. “Elas têm uma responsabilidade muito grande, são gestoras e têm interesse que as coisas andem. Vejo que isso é muito importante para o crescimento da nossa cidade. Não desmerecendo os homens, mas temos mulheres aqui para as quais precisamos bater muitas palmas”, concluiu Rozane.

Sororidade e liderança

A vice-prefeita de Paranaguá, Fabiana Parro, foi responsável pela criação do Instituto Peito Aberto no município, um espaço de acolhimento a mulheres diagnosticadas com câncer de mama, doença na qual ela mesma teve que vencer anos atrás. Recente na política, Fabiana afirmou que ocupar um cargo de poder na gestão pública não a fez mudar e continua acreditando na importância da sororidade, termo criado para definir a empatia entre mulheres.

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Fabiana Parro, vice-prefeita de Paranaguá, destacou a importância da sororidade no meio político e também fora dele. Foto: Maria Heiffer/JB Litoral

“As mulheres me veem como uma inspiração e confesso que isso me entristece, porque deveria ser comum. A gente não deveria se espantar em ver uma mulher em um cargo de decisão. Hoje, nós temos uma vice-prefeita atuante em Paranaguá, que se senta ao lado do prefeito para tomar grandes decisões.”, declarou Fabiana.

Ela afirmou que as mulheres – e também homens – a procuram para conversar e levar suas dificuldades, sendo uma ponte para dialogar com a gestão. “Assim como no Instituto, hoje chegam até mim com uma demanda e tentamos solucionar de alguma forma aquele problema, que é o que uma Prefeitura tem a oportunidade de fazer quando estamos perto da população”, disse Fabiana.

Muitas vezes, a mulher em cargos de poder também vira alvo de críticas e ataques. “Me entristece mulher querendo prejudicar a imagem de outra mulher. Porém, não me abala, porque eu sei quem sou. O dia que nós entendermos que nós podemos caminhar juntas, que tem campo para todas, nós vamos nos fortalecer cada vez mais”, explicou Fabiana.

A vice que também é “psicóloga”

A vice-prefeita de Pontal do Paraná, Patrícia Millo Marcomini, conhecida como professora Patrícia, disse que as muitas servidoras, moradoras e mães se sentem mais acolhidas quando encontram uma gestora mulher do outro lado da mesa. 

“A escuta ativa e a vivência de muitas das dificuldades enfrentadas aproximam essa relação de confiança. Inclusive, na minha sala, há uma caneca que recebi de presente com a frase: “Vicecóloga” (ao invés de psicóloga). Escuto, abraço, acolho, aconselho, mas também encorajo, mostro a realidade e os caminhos possíveis”, afirmou a vice-prefeita.

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A vice-prefeita de Pontal do Paraná, Patrícia Millo Marcomini, é chamada de “vicecóloga”, por ouvir as mulheres como uma “psicóloga”. Foto: Prefeitura de Pontal do Paraná

Segundo ela, o desafio é conseguir escutar as necessidades da população e transformá-las em políticas públicas. “É garantir os nossos direitos e assegurar que a mulher seja realmente representada nesses espaços, que podem e devem ser nossos também. Estar nessa posição significa inspirar outras mulheres a ocuparem os espaços de poder e decisão. Não é uma tarefa fácil. A nossa presença fortalece o diálogo, amplia perspectivas e contribui para decisões mais equilibradas”, ressaltou Patrícia.

Voz das mulheres

A vice-prefeita e secretária de Educação de Guaratuba, Evani Justus, afirmou que se considera uma representante das servidoras e moradoras do município, tanto no cargo de vice-prefeita quanto à frente da pasta.

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A vice-prefeita de Guaratuba, Evani Justus, falou sobre o papel das mulheres na área da Educação. Foto: Prefeitura de Guaratuba
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A vice-prefeita de Matinhos, Lígia Bernadete Mesquita Duarte, afirmou que mulheres a procuram por segurança. Foto: Prefeitura de Matinhos

“Nós temos na educação a grande maioria de mulheres, sejam servidoras ou cuidadoras, e a minha Secretaria é totalmente aberta, pois atendo diariamente muitas pessoas com acesso livre à pasta. E 99% do público que atendemos aqui é feminino, por isso me sinto uma forte representante dessas mulheres”, analisou Evani.

A vice-prefeita de Matinhos, Lígia Bernadete Mesquita Duarte, disse que as moradoras se sentem à vontade com ela quando precisam relatar seus problemas. “Acredito que muitas procuram uma segurança em outra mulher, por isso acho que sou uma ponte entre o poder público e as mulheres, ajudando para o crescimento e empoderamento de ambas”, disse Lígia.

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