Curi diz ter apoio de Ratinho e consolida pré-candidatura ao Governo do Paraná
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
Alexandre Curi (Republicanos) não deixou espaço para dúvida e nem para leitura alternativa. A pré-candidatura ao Governo do Paraná não é hipótese, nem construção em andamento: é decisão tomada, consolidada e, principalmente, irreversível. Depois de três anos de articulação, o presidente da Assembleia Legislativa entra de vez no jogo e se posiciona como nome forte na disputa de 2026.

“Sou pré-candidato a governador do estado do Paraná. Há três anos eu estou trabalhando para isso”, afirmou em entrevista exclusiva ao JB Litoral.
A fala não é trivial. Em um ambiente político marcado por cautela, recuos estratégicos e candidaturas “em avaliação”, Curi faz o caminho oposto: antecipa o movimento, assume o risco e tenta ocupar, desde já, o espaço de candidato natural de um grupo político que hoje comanda o Estado.
E faz isso com base em dois pontos claros.
O primeiro é a trajetória. São seis mandatos consecutivos como deputado estadual, além da presidência da Assembleia, posição que o colocou no centro das decisões políticas do Paraná. Curi não se vende como novidade, mas como alguém com experiência e conhecido do eleitor. “Fui testado em várias eleições que eu disputei, que não foram eleições fáceis”, disse.
O segundo é ainda mais estratégico: a continuidade. Ao se vincular diretamente à gestão de Ratinho Junior (PSD), ele tenta capturar o legado de um governo bem avaliado e transformar isso em ativo eleitoral. “Tenho condições de não só vencer as eleições, mas tenho condições de dar continuidade a essa grande gestão”, afirmou.
Não por acaso, sua movimentação partidária segue essa lógica. A ida ao Republicanos não foi ruptura, mas cálculo. Segundo ele, cada passo foi combinado com o governador e pensado para ampliar alianças, não criar fissuras. O discurso é de construção coletiva e, principalmente, de evitar uma guerra interna que fragilize o grupo.
“Se houver um rompimento, da minha parte não vai ser”, disse, numa sinalização direta ao ambiente político cada vez mais fragmentado.
Essa postura ajuda a explicar outro eixo da estratégia: vender estabilidade. Curi insiste no conceito de “paz política” como marca dos últimos anos no Paraná e tenta associar sua candidatura à manutenção desse cenário. Em um país ainda atravessado por polarização, é um discurso que mira o eleitorado mais pragmático.
Ao mesmo tempo, ele não ignora o cenário. Reconhece outros nomes colocados, como Rafael Greca (MDB), mas mantém a linha: todos podem conversar, desde que dentro de um projeto comum. Chega a admitir Greca como vice, mas sem abrir mão do próprio espaço. “Seria uma honra”, disse, mas deixando claro, porém, que hoje ambos disputam o mesmo posto.
Curi tem respeito da classe política. São centenas de prefeitos que caminham ao lado dele. São deputados e vereadores que reconhecem a sua história, seu poder de articulação e sua capacidade de liderança. É daí que vem a principal dificuldades dos adversários de furar a bolha. Isso porque o apoio parece que, nesse momento, já tem um dono e é o presidente da Assembleia.
Nos corredores do Palácio Iguaçu, o recado já foi dado: Curi não pretende disputar protagonismo aos poucos. Ele quer largar na frente.
Com o fim da janela partidária, começa agora a fase mais sensível do processo: a consolidação das alianças. A expectativa é que, nos próximos meses, o grupo defina não apenas o candidato ao governo, mas também as composições para Senado e vice.
Curi, por sua vez, já definiu seu papel nesse roteiro.
Vai percorrer o Paraná, intensificar articulações e sustentar um discurso que mistura experiência, continuidade e unidade. Mais do que isso: tenta se firmar como o nome capaz de manter o grupo coeso e competitivo.
No fim, o cálculo que ele apresenta é simples: ou o grupo se organiza em torno de um nome, ou corre o risco de se fragmentar, como já vem acontecendo.
E Alexandre Curi trabalha para que esse nome seja o dele. Apoio ele tem, falta só a benção definitiva do governador.
