Troca-troca partidário no Paraná redesenha forças e antecipa disputa de 2026
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
A janela partidária de 2026 não foi apenas mais um período de trocas protocolares. No Paraná, ela escancarou uma reorganização profunda das forças políticas, com impacto direto na disputa pelo governo, Senado e montagem das chapas proporcionais. O movimento foi amplo, atravessou partidos e deixou um recado claro: ninguém quer chegar em 2026 fora do jogo.

O principal vetor desse redesenho foi o crescimento do PL. A filiação do senador Sergio Moro, que deixou o União Brasil, reposiciona o partido no estado e reforça um eixo mais alinhado à direita nacional. Mas Moro não veio sozinho. A sigla recebeu uma série de deputados estaduais e federais, numa estratégia clara de ampliar bancada e musculatura eleitoral.
Migraram para o PL os deputados estaduais Delegado Tito Barichello, Mauro Moraes, Denian Couto e Paulo Gomes e os deputados federais Sargento Fahur, Nelsinho Padovani e Vermelho. O movimento mostra um padrão: parlamentares buscando abrigo em uma estrutura mais robusta, com fundo eleitoral, tempo de TV e alinhamento político definido.
PL cresce em bloco e vira destino dominante
O volume de filiações no PL não é casual. O partido se consolidou como principal destino da direita no estado e passou a operar como estrutura organizadora de candidaturas proporcionais e majoritárias.
A entrada de nomes como Fahur e Padovani reforça a estratégia de agregar parlamentares com base eleitoral consolidada. Já figuras como Denian Couto e Mauro Moraes indicam um movimento mais amplo de deputados que buscam segurança eleitoral em uma sigla competitiva.
Na prática, o PL sai da janela como o maior vencedor em volume e capilaridade.
Republicanos monta estrutura e entra no jogo grande
Se o PL cresceu em quantidade, o Republicanos avançou em qualidade e organização política. A chegada do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que deixou o PSD, foi o ponto de partida para a montagem de um novo bloco de poder.
Na sequência, o partido recebeu Ney Leprevost, que saiu do União Brasil, e Marcio Pacheco, vindo do PP. Por trás desse movimento está o deputado federal Pedro Lupion, que assumiu protagonismo na articulação e organização da legenda no estado.
O Republicanos deixa de ser coadjuvante e passa a atuar como um partido estruturado, com liderança, projeto e capacidade de influenciar diretamente a eleição de 2026.
Ainda mais com figuras como Jasson Goulart, que já aparece em pesquisas internas como um grande puxador de votos em Curitiba, mas principalmente na Região Metropolitana e no Litoral.
PSD perde quadros, mas tenta manter base
O PSD, partido do governador Ratinho Junior, segue como uma das principais forças do estado, mas sai da janela com perdas relevantes. A saída de Curi e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que se filiou ao MDB, enfraquece o partido em termos de articulação e projeção.
Ao mesmo tempo, a sigla buscou recompor seus quadros. Recebeu o deputado federal Fernando Giacobo, vindo do PL, a jornalista Cristina Graeml, que deixou o União Brasil, além dos deputados Soldado Adriano José, que saiu do PP, e de Oziel Luiz de Souza, o Batatinha, vindo do MDB.
O movimento mostra uma tentativa de equilíbrio: perde nomes estratégicos, mas mantém capilaridade e presença institucional.
Partidos médios viram peças-chave na engrenagem
A janela também evidenciou o papel dos partidos médios como peças de ajuste no tabuleiro político. O Podemos, por exemplo, recebeu Christiane Yared, mas perdeu quadros como Fabio Oliveira, que foi para o Novo, e Denian Couto, que migrou para o PL.
O PP ganhou Alisson Wandscheer, vindo do Solidariedade, mas perdeu nomes importantes, como Paulo Gomes, que foi para o PL, e Marcio Pacheco, que seguiu para o Republicanos.
Já o Solidariedade recebeu Flávia Francischini, que deixou o União Brasil, enquanto perdeu Wandscheer. O União Brasil, por sua vez, aparece como um dos partidos mais impactados negativamente, com diversas saídas relevantes.
O saldo é claro: essas siglas funcionam como zonas de transição, mas têm dificuldade em segurar quadros diante da pressão dos partidos maiores. Principalmente quando um nome como o de Sergio Moro abandona o barco, naturalmente os políticos que orbitam essas lideranças vão também.
Movimentos fora da curva mostram disputa interna
Nem todas as mudanças seguiram o fluxo dominante. A ida de Fernando Giacobo do PL para o PSD e o movimento inverso de Luiza Canziani que saiu do partido do governador e foi para o União Brasil, são exemplos de movimento fora da curva, indicando que ainda há disputas internas e estratégias específicas em jogo.
O mesmo vale para Fabio Oliveira, que trocou o Podemos pelo Novo, e para rearranjos pontuais que mostram que a janela não é apenas sobre volume, mas também sobre posicionamento político individual.
Litoral começa a se mexer, mas ainda com cautela
No Litoral, o movimento ainda é mais contido, mas já dá sinais de reorganização. O prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora, avalia cenários e não descarta deixar o PL, principalmente após a saída de Giacobo, o que pode impactar diretamente a configuração política na região.
Em Paranaguá, Marcio da União se filiou ao PL, reforçando o avanço do partido também fora da capital. Já o ex-prefeito Marcelo Roque optou por permanecer no PSD, sinalizando uma estratégia de estabilidade em meio ao cenário de mudanças. A candidatura à Assembleia é mais do que garantida pelo ex-prefeito.
O Litoral vive ainda em um movimento tímido diante do que se viu em Curitiba e na Assembleia, mas suficiente para indicar que a reorganização política já começou a descer a Serra e deve ganhar intensidade nos próximos meses.
