Litoral reúne mais de 239 mil eleitores e tem peso para influenciar eleição de deputados em 2026


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 22/07/2026 às 23h27

O Litoral do Paraná terá 239.051 eleitores aptos a votar nas Eleições 2026. Embora represente apenas uma parcela do eleitorado paranaense, o contingente dos sete municípios é suficiente para influenciar diretamente as disputas por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), tornando a região um dos principais alvos das campanhas eleitorais.

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O eleitor do Litoral vai ter peso para definir pelo menos um deputado federal e até dois estaduais em 2026. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Os dados divulgados pela Justiça Eleitoral mostram que o Paraná alcançou 8.609.026 eleitores, consolidando-se, pela primeira vez, como o quinto maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Desse total, cerca de 2,8% estão concentrados no Litoral.

Maior do que o quociente eleitoral

Nas eleições de 2022, o quociente eleitoral (ou seja, a quantidade de votos necessária para eleger uma cadeira), para deputado federal no Paraná foi de 201.288 votos válidos. Para deputado estadual, o índice ficou em 112.186 votos válidos.

Embora o eleitorado apto e votos válidos sejam conceitos diferentes, os números mostram a dimensão política da região. O total de eleitores do Litoral é superior ao quociente eleitoral registrado para deputado federal e mais que o dobro do exigido para uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Na prática, isso significa que o voto da região pode ser decisivo para eleger parlamentares, especialmente quando concentrado em um mesmo partido ou federação.

Disputa que vai além dos candidatos do Litoral

A importância desse eleitorado ajuda a explicar um movimento que se repete a cada eleição: candidatos de diferentes regiões do Paraná intensificam agendas no Litoral em busca de apoio de prefeitos, vereadores e lideranças locais.

Paranaguá, por exemplo, costuma receber candidatos da Região Metropolitana de Curitiba, do Norte, do Oeste e dos Campos Gerais, que enxergam no município um dos principais redutos eleitorais fora de suas bases tradicionais.

O resultado é que, muitas vezes, os votos do Litoral ajudam a eleger deputados cuja atuação política está concentrada em outras regiões do estado.

E é aí que entra a necessidade de conscientização do eleitor, vale a pena votar em alguém que não vai efetivamente lutar pelos seus interesses? Se o Litoral é tão importante, quem representa a região hoje na Alep ou em Brasília?

Paranaguá concentra quase metade do eleitorado

Entre os sete municípios litorâneos, Paranaguá conta com o maior colégio eleitoral, com 108.301 eleitores, o equivalente a aproximadamente 45% de todo o eleitorado da região.

Na sequência aparecem:

  • Matinhos – 35.398 eleitores;
  • Guaratuba – 32.555;
  • Pontal do Paraná – 24.973;
  • Antonina – 15.679;
  • Morretes – 14.699;
  • Guaraqueçaba – 7.446.

Sozinha, Paranaguá reúne mais eleitores do que Matinhos e Guaratuba somadas, mostrando que a cidade portuária tem um peso gigantesco nas estratégias das campanhas eleitorais.

É de Paranaguá que os figurões vão falar, e nas ruas e praças da cidade que o candidato vai buscar atrair todos os eleitores do Litoral.

Biometria praticamente universal

Outro dado que chama atenção é o alto índice de cadastramento biométrico.

Os sete municípios registram índices superiores a 96%, acima da média considerada elevada pela Justiça Eleitoral.

Ao todo, 232.248 eleitores do Litoral já têm biometria cadastrada, o que representa cerca de 97,15% do eleitorado regional.

Antonina e Guaraqueçaba apresentam o maior percentual de biometria (97,52%), seguidas por Paranaguá (97,40%), Morretes (97,14%), Guaratuba (97,09%), Matinhos (96,70%) e Pontal do Paraná (96,48%).

Isso diminui consideravelmente a fraude eleitoral, mas ainda existem outros problemas reais a se enfrentar e o que a gente tem visto como sintomático nas eleições de 2024 foram as inúmeras denúncias de compra de votos.

Mais de 210 mil terão voto obrigatório

Dos 239.051 eleitores da região, 210.135 estão na faixa em que o voto é obrigatório.

Outros 28.916 eleitores têm voto facultativo, grupo que inclui jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos.

Paranaguá também lidera nesse recorte, com 97.652 eleitores obrigados a comparecer às urnas, enquanto Guaraqueçaba tem o menor contingente, com 6.346.

Peso político deve crescer

Com o Paraná ocupando a quinta posição entre os maiores colégios eleitorais do país, a tendência é que as campanhas ampliem a presença no Litoral durante o período eleitoral.

Mais do que uma região estratégica para candidatos locais, o Litoral tornou-se um território disputado por diferentes grupos políticos, que enxergam nos seus 239 mil eleitores um contingente capaz de influenciar o resultado das eleições para deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente da República.

Os números reforçam que, embora represente menos de 3% do eleitorado paranaense, o Litoral continua tendo um peso político que vai muito além da quantidade de municípios que o compõem. Afinal, em eleições cada vez mais competitivas, cada voto pode ser determinante para a formação das bancadas que representarão o Paraná em Curitiba e em Brasília.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.