Antonina busca reestruturar Vigilância em Saúde e ginecologia para melhorar atendimento à população


Por Thais Skodowski Publicado 17/06/2025 às 11h18

Em 2024, o número de casos de dengue em Antonina foi tão grande que o Município precisou decretar situação de emergência. Quase um ano depois, a fala do médico veterinário Carlos Eduardo de Abreu Calixto, atual coordenador municipal da Vigilância em Saúde, oferece indícios sobre o que pode ter contribuído para a explosão de notificações.

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Departamento de Vigilância em Saúde sofre com deficiência de profissionais e equipamentos, de acordo com o coordenador. Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Durante a audiência pública de prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2025 da Secretaria de Saúde, realizada em 30 de maio, Calixto revelou que o departamento de Vigilância em Saúde de Antonina enfrenta graves deficiências: falta de profissionais, equipamentos e veículos para atender à demanda da cidade. O coordenador classificou os primeiros quatro meses do ano como um período de reestruturação.

Falta de profissionais

A Vigilância em Saúde é composta por quatro frentes: vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental em saúde e da saúde do trabalhador. Calixto informou que atualmente o setor conta com apenas 12 servidores, metade da equipe que atuava em 2017, por exemplo. Ele também relatou carência de equipamentos básicos.

“Em cada setor nosso, faltam três a quatro computadores. Tem quatro funcionários e dois computadores. É um momento de reconstrução, de reaplicar tudo aquilo que nós já fizemos há 20, 25 anos. Eu estou aqui há 30 anos”, disse no plenário da Câmara Municipal.

O coordenador ressaltou que há quase três décadas não é realizado um concurso público específico para a Vigilância. Os servidores têm sido aproveitados de concursos gerais da Administração Pública. “O último concurso público para a nossa estrutura foi em 1998. O Odileno [Odileno Garcia, servidor concursado e ex-secretário municipal de Saúde] é o único remanescente. Os outros faleceram e não foram repostos. Nós tínhamos sete funcionários federais, hoje só temos um”, comentou.

Calixto ainda destacou a necessidade de profissionais com formação superior para reforçar a equipe. “Eu e mais uma enfermeira somos os dois únicos de nível superior dentro da vigilância. Nós teríamos que estar com um biólogo e com um engenheiro sanitarista”, afirmou.

Atualmente, a Vigilância conta com apenas dois veículos, mas há previsão de chegada de mais dois. “Isso [não ter carros suficientes] está nos trazendo prejuízos de forma retumbante na atuação da Vigilância de Saúde. Por exemplo, se uma equipe da Vigilância Sanitária que trabalha com produtos sai para efetuar uma ação, como nós só temos dois carros, três outros departamentos ficam parados. Por quê? Eu não tenho como precisar quanto tempo vou levar para fazer uma ação”, explicou.

Resposta imediata

Carlos Eduardo Calixto também destacou que as demandas recebidas pelo setor não se limitam às necessidades do Município, mas envolvem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Governo Federal, e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). “O não cumprimento leva ao corte de financiamento público, e não é financiamento da Vigilância em Saúde apenas, é o financiamento do dinheiro do município inteiro da área de saúde”, disse.

Dengue

Sobre a dengue, ele alertou para o impacto da falta de recursos na disseminação da doença.  “O ano passado nós tivemos 2.800 casos de dengue na cidade. Como que você ia atender com um carro?”, questionou. Para ele, a equipe dedicada ao combate da epidemia deveria aumentar de quatro para nove pessoas.

Apenas dois nascimentos

Durante a apresentação dos dados sobre o Hospital de Antonina, um número chamou a atenção: apenas dois nascimentos foram registrados no município neste ano. O primeiro deles foi em janeiro e o outro em março, ambos partos normais.

O atual secretário de Saúde de Antonina, André Luis da Costa Pereira, explicou que a área de ginecologia também está passando por reestruturação, assim como a Vigilância em Saúde. “Atualmente, toda sexta-feira nós temos o obstetra à disposição da atenção ambulatorial e hospitalar, mas estamos pensando em ampliar. Na verdade, abrimos conversas com alguns profissionais, não só visando a questão do nascimento, mas também do acompanhamento da gestação, do pré-natal, além de visar uma outra demanda que nós temos, que são as laqueaduras. A fila é muito grande, assim como é no estado. É uma situação que a gente está levantando os custos e conversando com a prefeita”, afirmou.

Nos casos de gestação, o município segue o protocolo da Secretaria Estadual de Saúde, que prevê seis consultas com médicos da família e, pelo menos, três com obstetras. Em situações de risco, as gestantes são encaminhadas ao Hospital Regional do Litoral.

Melhorar a comunicação

Em dois momentos, o secretário destacou que a melhoria na comunicação foi essencial para o bom funcionamento de alguns serviços. No primeiro caso, mencionou a ouvidoria, que recebeu 12 denúncias no primeiro quadrimestre, todas resolvidas. Segundo ele, o serviço era pouco utilizado por falta de divulgação.

“Durante esses quatro meses a gente vem trabalhando nessa parte de educação de ouvidoria em saúde. Nas unidades de saúde, bem como no hospital, temos material gráfico, material informativo, temos espaços destinados para sugestões, reclamações, elogios”, relatou.

O outro caso diz respeito ao acesso a medicamentos, como os da Farmácia Popular, um programa do Governo Federal que permite com que os pacientes retirem gratuitamente alguns remédios receitados nas farmácias cadastradas.

Tratamento Fora do Domicílio

Além dos números de atendimentos nas unidades de saúde e no hospital, a apresentação mostrou que a quantidade de pacientes que usaram o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) para consultas ou exames em outros municípios foi expressivo. Nos primeiros quatro meses do ano, 5.134 usuários foram transportados, com direito a um kit lanche, novidade implementada em 2025.

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Os mais de 5 mil pacientes do TFD receberam uma novidade este ano: um kit lanche antes da viagem. Foto: Prefeitura de Antonina/Divulgação

Além disso, a Secretaria refez o cadastramento de todos os beneficiários de diárias por TFD. As diárias pendentes de 2024 também foram quitadas.

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