Após nova ressaca, IAT reforça proteção e descarta riscos para shows em Matinhos
Assim como já observado no início de janeiro, uma nova ressaca atingiu Matinhos próxima das estruturas do palco dos shows do Verão Maior Paraná nesta semana. Com o evento, a água levou as barreiras físicas (chamadas de bags) e o paredão de areia se formou novamente com cerca de dois metros de altura.
Em entrevista ao JB Litoral, o diretor-presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Luiz da Costa Souza, garantiu que não há risco para a realização dos shows no fim de semana.

A ressaca ocorre quando ventos fortes e marés altas provocam a erosão da orla. Uma próxima deste tipo está prevista para o início do mês de fevereiro, o que exige medidas de precaução.
“O pico do evento foi na segunda-feira (19). A partir de agora, gradativamente nessas próximas duas semanas, o evento vai ficar cada vez mais fraco. Portanto, nós vamos ter tempo de fazer a proteção para esperarmos a lua cheia que deve entrar no dia 2 de fevereiro”, explicou Everton.
Estado repõe barreiras e mantém shows

Segundo o presidente do IAT, o Governo do Estado concentra esforços na colocação de uma nova barreira física nesta semana para absorver a energia das ondas e não afetar a arena onde acontecem os shows. Trabalho semelhante ao que foi realizado no início do mês.
“O que aconteceu é uma coisa normal diante do que era esperado, por conta de que a função daqueles bags era exatamente essa: absorver a energia das ondas. E foi isso que eles fizeram. Agora, vamos repor nas próximas duas semanas para que a gente esteja preparado”, disse Everton
O perímetro da arena dos shows não será alterado, conforme explicou Everton.
“Não haverá necessidade de alterar a área do show. As pessoas podem se preparar para os shows que vão acontecer no final de semana, não há risco, assim como não havia para o show do Alok. Nós estamos no caminho certo do ponto de vista técnico para solucionar o problema”, afirmou o presidente do IAT.
Especialista alerta para impacto ambiental
O geólogo e professor do Centro de Estudos do Mar (Cem/UFPR), Marcelo Lamour, disse que novas ressacas aceleram o processo de erosão e que o problema está nos materiais utilizados nessas barreiras físicas.
“No comportamento normal da costa, agora o processo de erosão será mais brando. Eles estão consertando a cada evento e isso deve ser mais um desacelerador do processo. A questão fundamental está nos resíduos deixados em cada tentativa de contenção. Há farrapos e retalhos dos bags, que não são biodegradáveis. O estoque de areia está comprometido e precisa de recarga constante”, analisou o professor.
